Você está aqui: Página Inicial / Política / Morre o arquiteto Jorge Wilheim

Política

Obituário

Morre o arquiteto Jorge Wilheim

por Redação — publicado 14/02/2014 11h20
Secretário de planejamento de São Paulo nas gestões Mário Covas e Marta Suplicy, urbanista criou o Plano Diretor Estratégico
Divulgação
jorge w2

Wilheim é responsável por um legado de projetos como o Vale do Anhangabaú, o Parque Anhembi e o Pátio do Colégio

Internado desde dezembro depois de sofrer um acidente de carro, Jorge Wilheim faleceu na madrugada desta sexta-feira 14.  O velório, que acontece no Hospital Albert Einstein até 14h, será precedido do enterro no Cemitério Israelita, no Butantã, previsto para 14h30.

Nascido na cidade italiana de Trieste, em 1928, aos 12 anos mudou-se com a família para o Brasil. Dos 85 anos em que viveu, 60 foram dedicados à arquitetura, ao urbanismo e à administração pública.

Wilheim é responsável por um legado de emblemáticos projetos e obras, entre os quais o Vale do Anhangabaú, o Parque Anhembi e o Pátio do Colégio, de 1975. Da sua prancheta também saíram os projetos de muitas das referências arquitetônicas e urbanas que conhecemos, tais como: a sede do Clube Hebraica (1961), o Teatro de Arte Israelita-Brasileiro (1961), o Serviço Social das Indústrias (Sesi) - Vila Leopoldina (1974), a sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (1975), o centro de diagnósticos do Hospital Albert Einstein (1978/85), o prédio do Jockey Clube São Paulo, a Galeria Ouro Fino.

Como um dos renovadores da urbanística no País, Wilheim sempre teve distinta atuação profissional, ocupando diversos cargos e funções no Instituto dos Arquitetos do Brasil. Foi vencedor dos prêmios Tarsila do Amaral (1956), Governador do Estado (1964), IAB de Urbanismo (1965 e 67), IAB para Ensaio (1965 e 67), Ordem do Mérito de Brasília (1985) e Pensador de Cidades Luiz Antonio Pompéia (2010).

Na década de 1950, recém-formado arquiteto pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, enfrentou o desafio de projetar uma nova cidade para 15 mil pessoas no Mato Grosso, com a finalidade de desenvolver a região. A cidade Angélica é hoje considerada modelo de planejamento urbano.

Formulador no Brasil do chamado “planejamento estratégico” - conceito criado pelos teóricos Manuel Castells e Jordi Borja - uma de suas contribuições pioneiras foi a criação dos Planos Diretores. Foi responsável por mais de 20 planos urbanísticos, destacando-se os de Curitiba, Goiânia, Natal, São Paulo, Campinas e São José dos Campos, entre outros.

Na esfera pública, organizou a Secretaria do Meio Ambiente do estado de São Paulo (a primeira do Brasil) e, durante sua gestão, estruturou o órgão que compreendeu a CETESB, a Fundação Florestal, três institutos de pesquisa (Florestal, Botânico e Geológico) e a Polícia Florestal. Foi também responsável pela implantação do programa PróAlcool.

No campo político, foi secretário de Economia e Planejamento do estado de São Paulo (1975-1979), e duas vezes secretário de Planejamento da capital paulista (nas gestões Mário Covas e Marta Suplicy).

Suas principais marcas no governo de São Paulo foram a criação do Procon, da Fundação Seade, da EMTU, e do “Passe do Trabalhador”, hoje conhecido como Vale Transporte. Foi também presidente da Emplasa, Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo, onde elaborou o primeiro Plano Metropolitano da cidade.

Como secretário de Planejamento de São Paulo, criou o pioneiro Passe do Idoso, o Cadastro Cultural das Referências Urbanas, o Conselho de Política Urbana, o Fundurb, o Plano Diretor Estratégico e os 31 planos estratégicos das subprefeituras de São Paulo.

registrado em: ,