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Política

Congelamento de gastos

Mercado lança ofensiva publicitária pela PEC 241

por Redação — publicado 07/10/2016 15h28, última modificação 07/10/2016 15h28
Segundo a consultoria Empiricus, quem se opõe ao teto de despesas públicas “é contra o Brasil”. Para a CNI, medida é uma “revolução fiscal”
Reprodução / Twitter
PEC 241 Empiricus

A consultoria Empiricus abusa do ufanismo para defender o congelamento dos gastos

Em meio aos debates no Congresso sobre a PEC 241, que limita pelos próximos 20 anos o aumento dos gastos públicos à inflação aferida no ano anterior, o mercado iniciou uma ofensiva publicitária para convencer a população da necessidade da medida.

Conhecida por celebrar o impeachment de Dilma Rousseff e apoiar irrestritamente as medidas econômicas do governo de Michel Temer, a consultoria financeira Empiricus reeditou a campanha "Brasil, Ame-o ou Deixei-o", encampada pela ditadura militar no início dos anos 1970. "Se você é contra a PEC do teto de gastos públicos, você é contra o Brasil", registra a empresa em um banner veiculado na página principal do jornal Folha de S.Paulo.

Já a Confederação Nacional da Indústria comprou espaços de página inteira na Folha de S.Paulo e no Estado de São Paulo para manifestar "firme apoio" à medida, classificada como uma "revolução fiscal" pela entidade.

Não é de hoje que a Empiricus usa um tom político agressivo em suas campanhas publicitárias e postagens nas redes sociais. Nesta sexta-feira 7, a consultoria comparou a queda de Dilma Rousseff à de Dunga, ex-técnico da seleção brasileira, em sua conta no Twitter. "Há pouco tempo fizemos escolhas importantes. Hoje estamos voltando a ganhar na economia e no gramado."

Na quinta-feira 6, a empresa buscou convencer os investidores da relevância do impeachment para a melhora dos indicadores econômicos no mercado financeiro. "Desde o afastamento de Dilma, a Ibovespa subiu 13%, a Petrobras, 53%, o Dólar caiu 7% e o Risco-Brasil, 16%.” Em março deste ano, a Empiricus anunciou a compra de 50% do site O Antagonista, comandado pelo jornalista Diogo Mainardi, um dos principais expoentes do antipetismo na mídia nacional.  

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Em anúncio, a consultoria reeditou a campanha Brasil, ame-o ou deixe-o

A CNI, em parceria com entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), a Confederação Nacional do Transporte (CNT), adotou tom mais sóbrio ao defender a medida. Em um anúncio com o título "Em defesa de limite para os gastos públicos", a entidade afirma que, depois da "superação da crise política", é hora de concentrar esforços na proposta."A PEC pode ser considerada uma revolução fiscal em um país acostumado à gastança do dinheiro público", afirmam as entidades.

A CNI apoia outras medidas impopulares previstas por Temer, entre elas a reforma trabalhista. Em julho, Robson Braga de Andrade, presidente da entidade, chegou a comparar o Brasil com a França ao mencionar a ampliação no país europeu da jornada de trabalho para até 80 horas semanais. A assessoria da entidade corrigiu posteriormente a informação ao lembrar que a França ampliou a carga para 60 horas e negou o apoio de Braga à mudança.

dir="ltr">Há pouco tempo fizemos escolhas importantes. Hoje estamos voltando a ganhar na economia e no gramado. 🇧🇷 pic.twitter.com/NEejrXBDWh

— Empiricus (@empiricus) 7 de outubro de 2016

Na quinta-feira 6, a comissão especial da Câmara dos Deputados dedicada a analisar a PEC 241 aprovou o texto-base da proposta. Após mais de seis horas de debate, 23 dos 30 deputados votaram pelo congelamento dos gastos públicos nos próximos 20 anos. A sessão foi marcada por protestos. O presidente do colegiado, Danilo Forte (PSB-CE), chegou a expulsar dois manifestantes. A proposta será analisada pelo plenário da Câmara na próxima semana. 

 

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