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Política

12 de abril

Manifestações contra o governo encolhem em todo Brasil

por Marcelo Pellegrini — publicado 12/04/2015 19h55, última modificação 13/04/2015 09h33
Em todas as capitais as estimativas foram bem menores do que em 15 de março; pauta segue difusa e sem consenso sobre reforma política ou impeachment
Marcelo Camargo/ Agência Brasil
São Paulo

São Paulo novamente foi a cidade que aglomerou o maior número de manifestantes anti-governo. No entanto, o número foi quatro vezes menor

Ao contrário do que os movimentos organizadores dos atos anti-governo esperavam, as manifestações deste domingo 12 foram bastante menores do que as ocorridas no dia 15 de março. Com protestos em 24 estados e no Distrito Federal, 700 mil pessoas saíram às ruas para protestar contra o governo Dilma, segundo a Polícia Militar. O número é a metade do estimado no ato de março, quando 1,4 milhão de pessoas se manifestaram, segundo a PM.

Diante disso, o governo federal e o Diretório Nacional do PT decidiram alterar a estratégia de comunicação e anunciaram que não iriam se manifestar sobre os protestos deste domingo 12. Após as manifestações do dia 15, o governo escalou dois ministros petistas, José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rosetto (Secretaria-Geral da Presidência), para conceder uma entrevista coletiva, na qual defendiam que os protestos eram formados, majoritariamente, por quem não votou na presidente. A estratégia de diminuir a importância dos atos ao relacioná-los com um revanchismo eleitoral foi considerado um erro por assessores da presidenta Dilma.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o vice-presidente Michel Temer (PMDB) afirmou que “o fato de ter menos gente nas ruas não diminui a importância do alerta que está sendo dado pela população, mostrando que é fundamental que o governo compreenda que há necessidade de dialogar e ouvir mais”.

Chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva afirmou que, independentemente do tamanho, os protestos devem ser reconhecidos e que "o governo capitaliza o descontentamento com a forma como foi organizado o sistema político”.

Assim como ocorreu no ato de março, os principais focos dos protestos continuaram sendo em São Paulo, Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro e foram convocados pela internet e pelo Whatsapp pelos movimentos Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados Online. Desta vez, no entanto, o número de manifestantes foi a metade do ato anterior e em cidades como São Paulo foi um quarto do que o observado no mês anterior, segundo a PM.

Embora menor, os atos aglomeraram um número importante de pessoas que rejeitam o governo Dilma e pedem por sua saída do poder. A maior manifestação antigoverno ocorreu novamente em São Paulo, principal reduto do partido da oposição ao governo, o PSDB. Na capital paulista, 275 mil pessoas ocuparam a avenida Paulista, estima a Polícia Militar (PM). O instituto Datafolha registrou 100 mil manifestantes. A polêmica entre Datafolha e PM em relação às medições de público já havia ocorrido na manifestação do dia 15. No ato de março, a PM havia estimado a presença de 1 milhão de pessoas, enquanto o instituto Datafolha havia aferido 210 mil manifestantes.

A segunda capital com o maior número de manifestantes foi Porto Alegre. Na capital gaúcha, a Polícia estimou 35 mil pessoas no protesto, enquanto no dia 15 de março 100 mil haviam saído às ruas, segundo a PM, ou 60 mil, segundo os organizadores. Em Brasília, os protestos encolheram de 45 mil, em março, para 25 mil pessoas neste domingo 12. No Rio de Janeiro, as manifestações em Copacabana caíram de 15 mil para 10 mil, na comparação entre os atos de março e abril.

Ações de hostis por partes dos manifestantes também voltaram a se repetir em diferentes cidades neste ato. No dia 15 de março, a equipe de CartaCapital foi hostilizada pelo grupo Movimento Brasil Livre (MBL), um dos organizadores dos atos. Neste domingo, as hostilidades ocorreram, em São Paulo e no Rio de Janeiro, contra duas senhoras que empunhavam cartazes a favor do governo Dilma.

Em São Paulo, Kim Kataguiri, um dos líderes do Movimento Brasil Livre (MBL), fez apologia ao crime durante seu discurso ao defender que "o PT tem que tomar um tiro na cabeça", segundo a IstoÉ.

A algumas quadras do carro de som do MBL, na avenida Paulista, estavam os movimentos que defendiam o impeachment da presidenta pela intervenção militar, como o SOS Forças Armadas. Na sexta-feira 10, integrantes do MBL entraram com uma liminar na Justiça pedindo que seu carro de som ficasse a 400 metros de distância de movimentos pró-intervenção militar.

Apesar das discordâncias entre os movimentos, todos se unem em torno das palavras de ordem "Fora Dilma" e "Fora PT". A pauta de discussão, no entanto, é difusa e segue sem haver consenso sobre o que deveria acontecer após um possível impeachment ou sobre a necessidade de um reforma política.

Dois dias antes da manifestação deste domingo, o MBL havia dito que esperava uma mobilização "ainda maior", o que não se concretizou. Não está claro, contudo, as razões para a queda do poder de mobilização destes movimentos. Uma pesquisa DataFolha, realizada durante o protesto do dia 15 de março, revelou que 91% das pessoas presentes disseram não ter ligação com nenhum dos grupos organizadores. Entre os que declararam ter ligação, 3% disseram fazer parte do Vem pra Rua, 2%, do Revoltados Online, e 1%, do MBL, entre outros menos citados.