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Agência Brasil

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Brasil profundo

14.06.2011 07:24

Mais um trabalhador rural é assassinado

Renata Giraldi*
 

Brasília – Menos de um mês depois de quatro ativistas ambientais serem mortos no Norte do país, o trabalhador rural Obede Loyla Souza, de 31 anos, casado e pai de três filhos, foi assassinado no Pará, no último dia 9. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, informou que ele foi morto com um tiro no ouvido e que o corpo foi encontrado na cidade de Tucuruí – considerada uma das principais áreas de exploração ilegal de madeira da região, principalmente da castanheira.

De acordo com a CPT, não há informações sobre as razões que levaram à morte de Obede. Mas testemunhas contaram que, entre janeiro e fevereiro, o agricultor discutiu com representantes de madeireiros na região.

Informações obtidas pela comissão apontam que, no dia do assassinato de Obede, uma caminhonete de cor preta com quatro pessoas entraram no Acampamento Esperança – onde morava o agricultor. O presidente do Projeto de Assentamento Barrageira e tesoureiro da Casa Familiar Rural de Tucuruí, Francisco Evaristo, disse que viu a caminhonete e considerou o fato estranho. Como Obede, ele também é ameaçado de morte.

No fim de maio, quatro ambientalistas foram assassinados – três no Pará e um em Rondônia. A lista de pessoas ameaçadas, segundo a CPT, contabiliza mil nomes. O documento já foi entregue às autoridades brasileiras e também estrangeiras.

A presidenta Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência, no último dia 3, para discutir o assunto em Brasília. Ela ouviu os governadores do Pará, Simão Jatene, do Amazonas, Aziz Elias, e de Rondônia, Confúcio Moura. Também estavam presentes na reunião seis ministros – Nelson Jobim (Defesa), José Eduardo Dutra (Justiça), Maria do Rosário (Secretaria de Defesa dos Direitos Humanos), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário).

Ao final da reunião, a presidenta determinou o envio de homens da Força Nacional de Segurança ao Pará. Os homens chegaram ao estado no último dia 7 e devem permanecer no local por tempo indeterminado, segundo as autoridades brasileiras.

*Matéria originalmente publicada na Agência Brasil

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Sua opinião

  1. Matheus disse:
    E pouca gente sabe que, desde o fim da ditadura civil-militar, foram mortos mais de 1500 camponeses, índios e ambientalistas à mando de latifundiários e agrocapitalistas, enquanto que apenas dois mandantes foram presos, e ainda por cima em prisão domiciliar! As regiões rurais são assombradas por jagunços, enquanto que as favelas nas cidades são aterrorizadas por esquadrões da morte, "milícias" e traficantes armados. Que democracia é essa, onde regiões inteiras estão sob o controle de grupos armados privados?
  2. Arnaldo César Oliveira disse:
    Os problemas agrários no Brasil persistem mesmo após os governos do PT. Estão aparelhando os movimentos sociais, o MST e outros também. Isto está enfraquecendo nosso sistema político. Resultado, os reacionários ficam à vontade para agir. A concentração de terras e renda aumenta, assim como o assistencialismo despolitiza parcelas da sociedade. Paira uma esperança de que o governo resolva os problemas, e deixamos de agir. Os verdadeiros donos do poder econômico e político atuam com mais desenvoltura nesse cenário. Mas, quando têm de apelar para métodos pouco polidos não vacilam. Precisamos repudiar com veemência estes crimes, cobrar das autoridades a punição dos criminosos, e do governo mais firmeza na implantação de políticas agrárias mais justas.
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