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Política

Transporte público

Mais de 100 pessoas detidas em protesto contra o aumento da tarifa em SP

por Agência Brasil publicado 13/06/2013 23h38
Diversas pessoas foram levadas para a delegacia por terem vinagre em suas mochilas. Item é usado para amenizar os efeitos do gás lacrimogêneo
Mídia NINJA

Por Daniel Mello*

São Paulo – Mais de 100 pessoas, segundo a Polícia Civil, foram levados para 78º Distrito Policial para averiguação ao longo do dia de nesta quinta-feira 13 durante o quarto protesto contra o aumento da tarifa de transporte público na capital paulista. A maioria foi detida pela Polícia Militar (PM) na região do centro enquanto se dirigia para o local do ato, o Theatro Municipal. O repórter Piero Locatelli, de CartaCapital, foi detido e um fotógrafo do portal Terra, revistado.

De acordo com os policiais civis no local, muitos jovens foram levados para a delegacia por terem vinagre dentro das mochilas. Os agentes não souberam, no entanto, explicar porque o porte da substância foi considerado motivo para averiguação. Os manifestantes dizem que levam vinagre para se proteger do gás lacrimogêneo. Ainda segundo a Polícia Civil, as pessoas detidas estavam sendo todas liberadas e não havia registro de presos até as 20h30.

O estudante de geografia Tiago Gomes disse que ficou mais de quatro horas detido por ter vinagre na mochila. “O vinagre era para tentar me proteger do gás lacrimogêneo”, disse o rapaz, que nos outros três protestos promovidos pelo Movimento Passe Livre (MPL) foi atingido pelas bombas com a substância lançadas pela polícia. Levado para a delegacia no final da tarde, ele só pode sair depois das 20h.

Morador do Capão Redondo, periferia da zona sul paulistana, Jhonilton Sousa disse à reportagem da Agência Brasil que foi abordado no Largo São Francisco por policiais militares. Ao revistarem a mochila do jovem de 22 anos encontraram um cartaz de cartolina contra o aumento das passagens e uma jaqueta do movimento punk, com o símbolo da anarquia. “Ai ele disse: a não, anarquia, não. E me levou preso”, relatou o jovem, que ficou mais de três horas na delegacia.

A história é semelhante da contada pelo jornalista Marcel Buono, de 23 anos. Ao chegar na Estação Anhagabaú do metrô ele foi abordado por policiais. “Logo na saída tinha uma fileira de policiais fazendo revista”, disse. Os PMs encontraram na mochila uma câmera de vídeo que o rapaz pretendia usar para filmar o protesto para um blog de cobertura colaborativa montado com amigos. Macel disse que os policiais foram truculentos na abordagem. “Colocaram dentro do ônibus [para levar para a delegacia] e tinha que sentar em cima da mão. Disseram que se tirasse a mão ia ser encarado como uma agressão”, relatou o jovem, que também só foi liberado após as 20h.

A manifestação de hoje, que reuniu 5 mil pessoas, segundo a PM, foi o quarto desde o dia 6 contra o aumento das tarifas públicas, que passou de R$ 3 para R$ 3,20 na semana passada. Em todos houve confronto com a polícia e depredações feitas pelos manifestantes.

A força tática usou bombas de gás e balas de borracha para tentar impedir os manifestantes de subirem a Rua da Consolação.O ato saiu da frente do Theatro Municipal e passou pela Praça da República. Os policiais negociavam com representantes do Movimento Passe Livre para que a manifestação se encerrasse na Praça Roosevelt, mas, durante a negociação, os manifestantes simplesmente continuaram com o protesto e seguiram adiante.

Após a repressão, grupos menores passaram a espalhar lixo pelas ruas e atear fogo, fazendo barricadas nas ruas, a exemplo do que foi feito nos outros atos. Desde o começo da manifestação, a polícia acompanhou o ato com grande contingente e prendendo diversas pessoas. Às 22h, a Cavalaria e a Força Tática ainda disparavam gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes que chegaram a região das avenidas Paulista e Doutor Arnaldo.Ambas avenidas foram fechadas. Nas ruas, os transeuntes tentavam se proteger dos efeitos da munição química.

*Publicado originalmente em Agência Brasil.

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