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Política

Eleições 2014

Lula: nunca vi ódio como o que eu vejo pelo PT

por Piero Locatelli — publicado 21/10/2014 09h55, última modificação 21/10/2014 12h42
Em evento com artistas e intelectuais, ex-presidente cita o "neto do doutor Tancredo" e atribui a Aécio o que diz ser uma campanha de ódio contra os petistas
Ricardo Stuckert
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O ex-presidente Lula durante ato de apoio de intelectuais e artistas a Dilma no TUCA, em São Paulo

Botão Eleições 2014O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira 21 que nunca havia visto tanto ódio contra o PT como nesta eleição. “Nunca vi um ódio disseminado, por um partido político, como o ódio que eu vejo pelo PT. É um negócio que eu não via nem no tempo do regime militar”, disse o ex-presidente no teatro TUCA, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. “Eu só tinha visto o [Jorge] Bornhausen em 2005 dizer aos brados, no microfone do Senado: vamos acabar com essa raça’.

Referindo-se ao tucano Aécio Neves, candidato ao Planalto pelo PSDB, o ex-presidente disse que “não poderia imaginar que um neto do doutor Tancredo [Neves] fosse utilizar tanto ódio contra o PT. Porque ele não fala só que quer ganhar na Dilma, ele fala que quer acabar com o PT, que quer acabar com o PT no governo, que quer tirar esse pessoal do país.”

As afirmações de Lula foram feitas em evento com intelectuais e artistas em apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT). O evento serviu como palanque para novos apoios e para a volta de antigos aliados à campanha petista no segundo turno da disputa.

Do lado de fora do auditório, cerca de três mil militantes acompanharam os discursos em um telão colocado no meio da rua. Perto da meia noite, no encerramento do evento, a rua ainda estava cheia dos que aguardaram Dilma acenar a eles da janela do teatro. A multidão, empolgada, passou a gritar "quem não pula é tucano" para celebrar a presença da candidata. Nove horas mais cedo, às 14h, já havia uma fila para entrar no auditório, formada em sua maioria por jovens universitários.

Apoio de `dissidentes`

Antigos aliados de Dilma, que haviam se afastado da militância petista, gravaram vídeos para o evento ou estiveram presentes no local. Entre eles está o sociólogo Francisco de Oliveira, que saiu do PT em 2003. Desde então, ele havia sido um forte crítico do partido.

Ministro no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Carlos Bresser-Pereira também declarou apoio a Dilma. No evento, o antigo militante do PSDB disse que escolheu a candidata, entre outras coisas, porque ela defende um projeto desenvolvimentista contra outro neoliberal. O professor da Fundação Getúlio Vargas disse que “os rentistas hoje estão ressentidos, com 12 anos de esquerda já deu para eles o que tinha que dar”.

Políticos que estiveram em lados opostos na disputa no primeiro turno e com posições independentes dos seus partidos também declaram explicitamente o apoio a Dilma. Foi exibido um depoimento de Marcelo Freixo (PSOL), o deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, em apoio à candidata. O seu partido, o PSOL, pediu que seus militantes não dessem “nenhum voto” a Aécio, mas não declarou apoio a Dilma.

Roberto Amaral, ex-presidente do PSB, fez um discurso emocionado no evento. Nele, enumerou diretórios do partido, como o da Bahia, que não seguiram a posição oficial da legenda em apoiar Aécio Neves. Amaral saiu da presidência do PSB após a direção do partido declarar apoio ao tucano.

O jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, que havia organizado um manifesto em apoio a Dilma, fez um dos discursos mais longos e aplaudidos da noite. O professor de Direito Administrativo da PUC fez uma defesa ferrenha da candidatura petista e questionou a recepção de hábitos dos Estados Unidos, como o uso de boné para trás, e o uso da palavra “evidência” como sinônimo de “prova”, segundo ele uma importação sem sentido da língua inglesa.

Entre os diversos artistas presentes estavam os dramaturgos José Celso Martinez Correa e Antônio Nobrega, os cineastas Tony Venturi e Jorge Furtado e os músicos Nelson Triunfo e Thaíde. Já o neurocientista Miguel Nicolelis e o advogado Dalmo Dallari gravaram vídeos de apoio à petista exibidos no evento.

Em seu discurso, a ministra da Cultura, Marta Suplicy, defendeu o legado de Dilma na área da cultura, omitida por ambos os candidatos em suas propagandas eleitorais e em debates durante a campanha. Ela citou a criação do vale cultura e do `CEUs das artes,`, além da aprovação da `PEC da música` e do marco civil da internet.

Dilma compara racionamento a falta de água

Dilma Rousseff não focou em seu discurso os apoios recebidos ou os temas levantados pelos artistas e intelectuais. Em sua fala, Dilma comparou a atual falta de água em São Paulo ao racionamento de energia pelo qual o Brasil passou no começo dos anos 2000, quando Fernando Henrique Cardoso era presidente da República.

A presidenta lembrou que a distribuição de energia elétrica é uma atribuição federal, e que a de água é atribuição de estados e municípios. Segundo ela, isso mostraria “a incapacidade de gestão de um grupo político que pretende dirigir o País”.