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Política

Participação Cidadã, Gestão Democrática e as Cidades do Século XXI

Lula diz que vai voltar ao cenário "para dar sossego a Dilma"

por Camilla Feltrin — publicado 29/08/2015 16h18, última modificação 29/08/2015 19h03
Ex-presidente prometeu retornar à cena pública para responder às "provocações da direita" de forma mais incisiva
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Lula encontrou-se com Mujica em São Bernardo (SP)

Lula encontrou-se com Mujica em São Bernardo (SP)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu que vai atuar em defesa do Partido dos Trabalhadores e responder às "provocações da direita" de forma mais incisiva nos próximo período  "para ver se eles dão sossego para nossa querida Dilma", em evento realizado no sábado 29 em São Bernardo.

O líder petista informou que vai "viajar, falar e dar entrevistas" com mais periodicidade. Ele conversava, durante seminário "Participação Cidadã, Gestão Democrática e as Cidades do Século XXI", com o ex-chefe do Executivo uruguaio José Mujica sobre o fato de as lideranças que deixaram o poder deem ênfase e permitam o protagonismo político e midiático do atual governante. "Todo homem que se sente imprescindível e insubstituível começa a se transformar num ditador", disse parafraseando Hugo Chávez, ex-presidente da Venezuela.

Mesmo assim, Lula citou que "não se cria líderes como se faz pão". "As pessoas não me deixam em paz, principalmente os adversários. Todo santo dia falam meu nome. E eu aprendi uma coisa: você só consegue matar um pássaro se ele ficar parado olhando para você, se ele ficar pulando, desiste. Eu voltei a voar outra vez", falou antes de ser aplaudido de pé pela plateia de mais de 500 pessoas que puxaram o coro de "olé, olê olá, Lula, Lula".

Durante o discurso, Lula ainda criticou a mídia, o debate "irracional" e o "processo de criminalização do PT". Comparou também as críticas à legenda com o que o PCB enfrentou na década de 1940 durante a ditadura varguista, quando o partidão foi colocado na ilegalidade e seus líderes perseguidos e presos.

Em saudação ao ministro da Saúde Arthur Chioro, Lula queixou-se da retirada do "imposto do cheque", assunto que voltou a ser debatido em Brasília recentemente. "Não sei se é verdade que (Chioro) defendeu a CPMF, que não deveria ter sido tirada porque precisa de dinheiro para a Saúde", citou no começo do evento. O tributo criado em 1997 foi extingo em 2007, no segundo mandato de Lula e subsidiava o Sistema Único de Saúde (SUS). "Você (Chioro) deveria reivindicar (apoio) para os governadores e prefeitos, porque eles precisam de dinheiro para a saúde", falou.

Pepe Mujica

Chamado de "Pepito" por Lula durante o evento, José "Pepe" Mujica defendeu o fortalecimento de democracia e que as siglas são essenciais para o sistema. "Os partidos adoecem quando se transformam em agências de emprego. Porque são assim os seres humanos", lamentou durante o breve discurso. "A riqueza que se busca na política é o carinho das pessoas. Gente que gosta de dinheiro deve ir para o comércio ou a indústria e pagar impostos", completou. 

Ao fim do evento, o político atendeu "fãs" e tirou parte com diversos estudantes que acompanharam a programação do seminário, realizado em parceria com universidades locais.