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Política

Operação Lava Jato

Lava Jato: PF prende outro diretor da Petrobras e executivos de empreiteiras

por Redação — publicado 14/11/2014 11h28, última modificação 14/11/2014 11h32
Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal, e executivos das gigantes Mendes Júnior, Engevix e Iesa Óleo e Gás foram presos nesta sexta-feira
Geraldo Magela / Agência Senado

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira 14 a sétima fase da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção envolvendo políticos, empreiteiras e obras públicas, em especial da estatal Petrobras. A ação decorre da análise de material apreendido e de depoimentos colhidos em fases anteriores da Lava Jato. Segundo a PF, os grupos investigados registraram, segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), operações financeiras atípicas num montante que supera os 10 bilhões de reais.

Entre os presos nesta sexta-feira está Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, que é suspeito de usar o cargo para assinar contratos com empreiteiras e repassar parte do dinheiro para um esquema que alimentaria partidos governistas, como PT, PMDB e PP. De acordo com declarações atribuídas a Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras que assinou um acordo de delação premiada com a Justiça, Duque era um dos diretores da estatal que repassava dinheiro desviado para o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Duque esteve no cargo entre 2003 e 2012 e foi demitido da estatal junto com Costa, pela presidenta Dilma Rousseff (PT).

Entre os alvos da Lava Jato estão também empreiteiras e outras grandes empresas que faziam negócios com a Petrobras. Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, entre os presos nesta sexta estão Sergio Cunha Mendes, vice-presidente da construtora Mendes Júnior, e Otto Garrido Sparenberg, diretor da Iesa Óleo e Gás. Segundo a Folha de S.Paulo, foi presos também Cristiano Kok, presidente da Engevix, e Gerson Almada, vice-presidente da empresa.

De acordo com o Estadão, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede da Iesa e de sua controladora, a Iapi, na casa do presidente da empresa, Valdir Carrero, e em endereços da Odebrecht e de três de seus executivos (Marcio Faria da Silva, Rogério Campos de Araújo e Saulo Vinícius Rocha Silveira). A Folha informa que foram realizadas buscas na sede da Camargo Corrêa e na casa de Ricardo Pessoa, presidente da UTC/Constran.

Além dessas empresas, Costa citou em depoimento vazado a OAS, a Queiroz Galvão, a Galvão Engenharia e a Andrade Gutierrez.

As investigações da Lava Jato tendem a avançar com velocidade pois, além de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, mais duas pessoas aceitaram realizar acordo de delação premiada – Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Julio Camargo, ambos da Toyo-Setal, empresa controlada pela japonesa Toyo Engineering.

No total, a Polícia Federal foi a campo nesta sexta para cumprir 85 mandados judiciais, seis de prisão preventiva, 21 de prisão temporária, nove de condução coercitiva e 49 de busca e apreensão nos estados do Paraná, de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, de Pernambuco e no DF. Foi decretado o bloqueio de aproximadamente 720 milhões de reais em bens pertencentes a 36 investigados.

A Receita Federal também participou das ações desta sexta-feira, assim como uma força-tarefa do Ministério Público Federal. As buscas da Receita serviram para tentar verificar pagamentos por serviços contratados que possam não ter sido prestados, especialmente de assessoria ou consultoria, cujos valores, contabilizados como custos operacionais, reduziriam de forma fraudulenta a base de cálculo de tributos.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado, “além de envolver alguns dos principais personagens do mercado clandestino de câmbio no Brasil”, é responsável pela movimentação financeira e lavagem de ativos de diversas pessoas físicas e jurídicas envolvidas em crimes como tráfico internacional de drogas, corrupção de agentes públicos, sonegação fiscal, evasão de divisas, extração e contrabando de pedras preciosas e desvio de recursos públicos. A operação foi intitulada Lava Jato porque o grupo usava uma rede de lavanderias e postos de combustíveis para movimentar o dinheiro.

Com informações da Agência Brasil