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Líbia: Momentos finais

Kaddafi conclama seus seguidores

por Redação Carta Capital — publicado 25/08/2011 17h00, última modificação 25/08/2011 17h29
Em novo pronunciamento, Kaddafi incita seus seguidores a sair de suas tribos e marchar sobre Trípoli

Em seus momentos finais, o ditador líbio Muammar Kaddafi fez um novo pronunciamento, veiculado em canais  de TV leais a ele. O ditador conclamou seus seguidores a marchar sobre a Líbia e libertar o país dos "ratos, cruzados e infiéis".

Abdessalam Jalloud, o primeiro-ministro destituído, afirmou que enxerga duas possibilidades para o paradeiro de Kaddafi: ou ele está escondido no sul de Trípoli ou já viajou para a Algéria, Sirte ou Sabha. No primeiro caso, Kaddafi deve esperar as estradas sejam reabertas para fugir, provavelmente disfarçado em trajes femininos. Na segunda opção, Kaddafi provavelmente atravessará o deserto para se distanciar do centro do conflito.

No pronunciamento, Kaddafi afirmou que a Líbia é para o seu povo e não para aqueles que confiam na OTAN. "As tribos que estão fora de Trípoli precisam marchar para Trípoli. Cada tribo precisa controlar sua área e parar o inimigo que coloca seu pé nesta terra pura", disse no discurso.

O ditador incitou religiosos a liderar uma jihad. "Vocês são a maioria esmagadora.. Não haverá local seguro para os inimigos.. o inimigo está iludido, a Otan está recuando", disse, apesar de um consenso geral de que a guerra acabou e que as forças leais ao ditador foram derrotadas.

Um ex-chanceler importante do regime disse à emissora britânica Channel 4 News  que a guerra acabou e que, se tivesse ainda no poder, diria para apoiadores de Kaddafi baixarem armas.

Rebeldes líbios oferecem 1,6 milhão de dólares e anistia como recompensa para quem entregar Muammar Kaddafi, vivo ou morto. Segundo uma revista francesa, a Paris Match, a oposição quase capturou o ditador na quarta-feira, 24.

Desde a terça-feira 23, os rebeldes assumiram o controle do QG onde o ditador governou por anos. Mesmo assim, os conflitos persistem na região do complexo militar. Em entrevista a uma emissora de rádio Kaddafi, disse na terça-feira 23 que a saída do quartel-general foi uma "medida tática". Segundo ele, resta aos aliados vencer os rebeldes ou "morrer como mártires". As informações são da BBC Brasil. O pronunciamento ocorreu horas depois que os insurgentes contrários ao regime invadiram o complexo governamental de Bab Al Azizia - uma das poucas áreas que aparentemente ainda estavam sob controle do governo na capital.

Na entrevista, reproduzida pela rede de TV Al Urubah (favorável ao regime), o líder líbio disse que seu quartel-general foi arrasado por 64 ataques aéreos conduzidos pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) – que bombardeia o território líbio de acordo com resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em entrevista concedida à mesma TV Al Urubah, o porta-voz do governo de Kaddafi, Moussa Ibrahim, ameaçou transformar a Líbia em um "vulcão em erupção e uma chama sob os pés dos invasores". Segundo Ibrahim, 6,5 mil voluntários entraram em Trípoli nas últimas seis horas, espalhando-se  em todas as ruas de Trípoli. Ele disse que o governo controla  80% da capital.

Paralelamente, dezenas de disparos de mísseis e morteiros foram registrados Trípoli, segundo relatos de testemunhas à rede de TV árabe Al Arabiya. A mesma emissora informou que a cidade de Ajelat, a oeste da capital, foi alvo de ataques de mísseis e de tanques por parte das forças leais a Kaddafi.

Disparos de mísseis também ocorreram na cidade de Misrata, sob controle dos insurgentes, no oeste do país. Ontem, ao anoitecer, centenas de pessoas foram à Praça Verde, no centro da capital, para comemorar a suposta queda de Kaddafi. Rebeldes atiraram para o alto, celebrando a tomada do complexo governamental, onde a bandeira verde do regime foi substituída pela tricolor, dos rebeldes.

Após controlar a maior parte de Trípoli, as forças rebeldes romperam ontem o cerco ao quartel-general de Kaddafi. Um integrante da oposição informou que toda a superfície do complexo está sob controle das forças opositoras. Especula-se, no entanto, sobre a existência de abrigos subterrâneos no local.

Um busto de Kaddafi também foi arrancado de sua base e a cabeça da estátua foi chutada. Cartazes com imagens do líder líbio foram destruídos pelos rebeldes. Além de Trípoli, a cidade portuária de Las Ranuf foi palco de enfrentamentos.

*Com informações da Agência Brasil

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