Você está aqui: Página Inicial / Política / Kaddafi convida o Brasil para ser “observador” da crise na Líbia

Política

Conflito

Kaddafi convida o Brasil para ser “observador” da crise na Líbia

por Redação Carta Capital — publicado 02/03/2011 15h20, última modificação 02/03/2011 15h59
Cercado por rebeldes e com tropas americanas às portas do país, o ditador líbio tenta manter o poder resistindo em Trípoli; também foram convidadas a União Africana e a Conferência Islâmica

O ditador líbio Muammar Kaddafi convidou o governo brasileiro para ser observador da crise que toma conta do país desde que começaram os protestos contra o regime, no dia 17 de fevereiro. Várias cidades da Líbia já foram tomadas por rebeldes e os grupos fiéis a Kaddafi resistem na capital Trípoli.

O convite feito ao Brasil também foi feito à União Africana e aos países da Conferência Islâmica. A informação foi repassada pelo embaixador brasileiro na Líbia, George Ney Fernandes, ao correspondente do jornal O Estado de S. Paulo. Kaddafi discursou durante o encontro com o gabinete, do qual o embaixador também participou. O Ministério das Relações Exteriores ainda não se pronunciou sobre o convite.

A exemplo do que havia dito nos últimos dias, o ditador segue negando que tenha seu poder enfraquecido e prometeu mais violência contra os rebeldes que tomaram partes do país. Sobre a ameaça de invasão dos Estados Unidos - que reuniram tropas nas fronteiras da Líbia com Tunísia e Egito -, Kaddafi afirmou que uma intervenção estrangeira "custaria milhares de vidas" e não o tiraria do poder.

Kaddafi atacou durante o discurso a cobertura da mídia estrangeira dos acontecimentos nas últimas semanas. "Não gostamos de correspondentes estrangeiros e não há correspondentes estrangeiros na Líbia", declarou. O ditador já havia dito que trataria jornalistas estrangeiros como "terroristas" em território líbio.

Imagens transmitidas pela rede de TV Al Jazeera mostraram centenas de pessoas esperando para cruzar a fronteira do país com a Tunísia. O repórter da emissora afirmou que horas antes a situação era ainda mais complicada, mas milhares de líbios já haviam conseguido sair. Há relatos de que a situação se repete na fronteira da Líbia com o Egito.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, fez um pronunciamento hoje e afirmou que há "uma grande crise humanitária" na Líbia. Cameron também anunciou que o Reino Unido iniciou uma operação de resgate para retirar seus cidadãos do território líbio, levando muitos deles de helicóptero para o lado egípcio.

A Coreia do Sul também enviou um navio de guerra para o litoral líbio em uma missão de resgate de seus cidadãos. O governo da China anunciou a retirada de milhares de cidadãos do país que estavam na Líbia em obras conduzidas por empresas chinesas.

O Brasil já retirou os 148 cidadãos que trabalhavam para a construtora Queiroz Galvão na cidade de Benghazi. A maioria deles já retornou ao país após deixar a Líbia em navios que partiram da Grécia.

registrado em: ,