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Ministério do Esporte

João Dias entrega provas

por Redação Carta Capital — publicado 24/10/2011 14h04, última modificação 24/10/2011 19h13
Autor de denúncias de corrupção cedeu à PF evidências que não implicam Orlando Silva diretamente no esquema

Autor de denúncias sobre a existência de um suposto esquema de corrupção no Ministério do Esporte, o policial militar João Dias Ferreira prestou depoimento nesta segunda-feira 24 na Polícia Federal em Brasília. Após quatro horas de interrogatório, disse ter entregue novos documentos, 13 áudios e mídias com evidências de desvios de verba na pasta.

O PM afirmou, porém, não haver em nenhuma das evidências apresentadas provas diretas contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, e Agnelo Queiroz, o antecessor no cargo. “Em nenhuma delas [das gravações] tem a voz do ministro. Há apenas pessoas próximas a ele”, disse a jornalistas no local.

Ferreira se referia a Fábio Hansem, então chefe de gabinete da Secretaria Nacional do Esporte Educacional, mas que atualmente assessora Orlando Silva,  e Charles Rocha, então chefe de gabinete da Secretaria Executiva do ministério. Segundo o PM, as exigências do suposto esquema eram feitas por “assessores diretos" em nome do ministro.

O denunciante ainda apontou que pelo menos 20 ONGs aceitaram delatar o esquema de corrupção supostamente criado e controlado pelo PCdoB. O mesmo envolveria pagamentos de 10% a 20% da receita recebida pelas instituições a um escritório de consultoria e a contratação de empresas definidas pela cúpula do Ministério do Esporte.

Além disso, o PM adiantou que entregará até quarta-feira 26 oito vídeos de Michael Vieira, a primeira pessoa a denunciar o esquema, negociando uma delação premiada. “A minha briga é para provar que existem vários pagamentos de diversas empresas e entidades. Como nós rejeitamos esse protocolo, aconteceu a Operação Shaolin”, disse.

Ele voltou a reafirmar que acha difícil o ministro não ter conhecimento do esquema, já que em todas as reuniões o chefe de gabinete e o secretário executivo estavam presentes, além de pessoas que cuidavam da área de prestação de contas e fiscalização do ministério. “A reunião [sobre o Segundo Tempo] é feita no sétimo andar da Secretaria Executiva, com a cúpula do ministério. Então é de interesse do ministério”, completou.

Ex-militante do PCdoB, mesmo partido do ministro, João Dias Ferreira é responsável pela Federação Brasiliense de Kung Fu e pela Associação João Dias de Kung Fu, organizações não governamentais (ONGs) com as quais o ministério firmou dois convênios em 2005 e 2006, para que crianças e jovens em situação de risco fossem atendidos pelo Programa Segundo Tempo, criado pelo governo federal para incentivar crianças carentes a praticar atividades esportivas.

Segundo a denúncia do policial militar, Orlando Silva comandaria um esquema de desvio de parte do dinheiro que o ministério repassava a entidades conveniadas ao programa federal. Ferreira e um de seus funcionários, Célio Soares Pereira, haviam garantido que Silva recebeu pessoalmente, na garagem do ministério, parte do dinheiro obtido com o esquema.

Com informações da Agência Brasil.

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