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Itamaraty rebate Joaquim Barbosa e nega racismo

por Redação — publicado 29/07/2013 13h47, última modificação 29/07/2013 14h00
Presidente do STF afirmou ter sido discriminado no Ministério das Relações Exteriores, definido por ele como “uma das instituições mais discriminatórias do Brasil”
Valter Campanato / ABr
Joaquim Barbosa

Ministro do STF disse ter sido discriminado no Ministério das Relações Exteriores, definido por ele como “uma das instituições mais discriminatórias do Brasil”

O Itamaraty negou negou as afirmações do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa, de que o órgão seria racista. Em entrevista ao jornal O Globo, publicada no domingo 28, o ministro disse ter sido discriminado no Ministério das Relações Exteriores, definido por ele como “uma das instituições mais discriminatórias do Brasil”.

O ministro afirmou que “como em todos os trabalhos" do momento em que começou "a galgar escalões" foi discriminado. "Passei nas provas escritas, fui eliminado numa entrevista, algo que existia para eliminar indesejados. Sim, fui discriminado, mas me prestaram um favor. Todos os diplomatas gostariam de estar na posição que eu estou. Todos.”

Em nota, o Itamaraty disse ser oportuno lembrar que o ministério mantém o programa de ação afirmativa Bolsa Prêmio Vocação Para a Diplomacia, que visa proporcionar “maior igualdade de oportunidades de acesso à carreira de diplomata e de acentuar a diversidade nos quadros da diplomacia brasileira”. “Lançado em 2002, o programa já concedeu 526 bolsas para 319 bolsistas afrodescendentes. Dezenove ex-bolsistas foram aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata e integrados ao Serviço Exterior Brasileiro. As bolsas concedidas têm atualmente o valor anual de 25 mil reais e devem ser utilizadas na compra de materiais de estudo e no pagamento de cursos preparatórios. Esse programa tem melhorado, de forma concreta e decisiva, as possibilidades de ingresso na carreira diplomática por candidatos afrodescendentes.”

Segundo o Itamaraty, desde 2011 há uma reserva de 10% das vagas na primeira fase do concurso para a carreira diplomata para candidatos afrodescendentes.

Barbosa foi oficial de chancelaria do Ministério das Relações Exteriores entre 1976 e 1979, tendo servido na embaixada do Brasil em Helsinki, na Finlândia.

Racismo

Na entrevista, o ministro negou ter intenção de ser candidato à Presidência da República em 2014 porque o Brasil não estaria pronto para um presidente negro. “Ainda há bolsões de intolerância muito fortes e não declarados no Brasil. No momento em que um candidato negro se apresente, esses bolsões se insurgirão de maneira violenta contra esse candidato.”

Barbosa também declarou ter ficado surpreso com a decisão unânime do STF em aprovar as ações afirmativas, como as cotas. “Entre as inúmeras decisões progressistas que o Supremo tomou essa foi a que mais me surpreendeu. Eu jamais imaginei que tivéssemos uma decisão unânime.”

Na ocasião, muitos ministros reconheceram haver racismo no Brasil em seus votos. “O que foi dito naquela sessão foi um momento único na história do Brasil. Ali estava o Estado reconhecendo aquilo que muita gente no Brasil ainda se recusa a reconhecer, e a ver o racismo nos diversos aspectos da vida brasileira.”

O ministro disse ainda que a ascensão da população negra a cargos de comando em diversas áreas ainda não é “algo muito significativo”. “Há muito caminho pela frente. Ainda há setores em que os negros são completamente excluídos”, afirmou. “O que de melhor nós temos é a convivência amistosa superficial, mas, no momento em que o negro aspira a uma posição de comando, a intolerância aparece.”

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