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Política

Eleições 2014

Integrantes da Rede lançam manifesto contra apoio de Marina a Aécio

por Redação — publicado 14/10/2014 22h23
Em carta, militantes do partido liderado por Marina "manifestam claramente sua não-adesão à campanha de Aécio Neves"
Facebook Celio Turino
Marina

Celio Turino, que chegou a ser cogitado para o Ministério da Cultura caso Marina ganhasse, assina o manifesto contrário à decisão da Rede no segundo turno

Botão Eleições 2014Militantes da Rede Sustentabilidade, partido criado sob viés da chamada “nova política”, publicaram, no domingo 12, um manifesto contrário à decisão de Marina Silva de sugerir voto em Aécio Neves, candidato à presidência pelo PSDB. A carta foi publicada no blog de Haldor Omar, que faz parte da Executiva Nacional da Rede.

Entre os que assinam o manifesto estão Marcela Moraes, principal coordenadora no recolhimento de assinaturas para viabilizar o partido recém-criado às eleições presidenciais deste ano, e Celio Turino, que chegou a ser cogitado como ministro da Cultura caso Marina ganhasse este pleito.

O principal ponto apontado no manifesto é a necessidade de se manter independente em relação à polarização PT e PSDB. Além disso, a carta afirma que “nenhuma modificação formal no programa eleitoral de Aécio transformará a natureza de sua candidatura” descrita como atrelada à desconstituição de direitos. Nesta segunda-feira 13, sete integrantes da Executiva do partido em São Paulo chegaram a renunciar às suas funções no partido sob alegação de que não apoiariam o "assassinato" de ideias que os atraiam à Rede.

Leia a íntegra do manifesto abaixo:

“O primeiro turno das eleições presidenciais expôs um Brasil prisioneiro de um paradoxo. O centro de poder decadente, conservador e estagnado na velha polarização PT x PSDB, representada por Dilma e Aécio no segundo turno, enclausurou o efervescente desejo de mudanças manifestado nas jornadas de junho de 2013 e reafirmado pelo posicionamento de aproximadamente dois terços do eleitorado brasileiro.

A crise de representação se aprofundou porque as duas principais máquinas partidárias do pais lançaram mão do uso descarado dos instrumentos de poder político, institucional, midiático e econômico para cooptar, coagir, pressionar e manipular a vontade popular, impedindo que esse sentimento de mudança predominante na população se materializasse em uma representação alternativa e consequente no segundo turno.

Qualquer que seja o eleito, Dilma ou Aécio, realizará um governo que queimará recursos naturais e conquistas sociais e se servirá do velho padrão do fisiologismo e do patrimonialismo travestido de “garantia da governabilidade” para preservar um modelo de desenvolvimento baseado nos pilares intocáveis da concentração de renda e da exploração irracional dos recursos naturais. Isto porque os projetos em disputa mantêm em seu DNA a cultura da velha política, da corrupção, da promoção dos interesses do mercado em detrimento dos direitos sociais, da servidão à lei do mais forte; usam e abusam da gestão inescrupulosa, do aparelhamento do estado e do poder público para o favorecimento privado, cooptando e sendo cooptados por interesses escusos.

Esta é a natureza do poder exercido no governo federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais, independentemente de qual das duas coalizões governe.

Ressaltamos que as conquistas sociais e econômicas alcançadas pelos brasileiros e brasileiras não foram dádivas ou concessões das cúpulas partidárias do PT ou do PSDB. São os frutos de uma longa e difícil história de lutas que prosseguirá para garantir a preservação dessas conquistas e que precisa avançar até a construção de um modo de vida e de organização social e econômica que propicie vida digna, justa e ambientalmente sustentável para todos nós.

Como afirma a nota divulgada pela executiva Nacional da Rede Sustentabilidade, que reitera a urgência da mudança, é nosso dever 'reconhecer que a sociedade brasileira não encontrou ainda o caminho, as condições e o tempo de realizá-la. Em nossa democracia, a estrutura política e partidária brasileira impediu, mais uma vez, a realização dessa afirmação histórica'.

Neste momento, a humildade diante das adversidades e das limitações impostas pelas condições do presente exige de nós a grandeza necessária para realizarmos uma avaliação profunda de nossos erros e debilidades. Mas, ao mesmo tempo, de reafirmar a persistência no caminho da consolidação e do fortalecimento de uma alternativa de mudança capaz de conquistar, ao lado de nosso povo, a emancipação social, a paz, a felicidade e a sustentabilidade como legado para as gerações futuras. E isso só poderá ser feito se estreitarmos nossos laços com os que acreditam que os sonhos são a matéria prima mais concreta da política.

Diante deste quadro, os signatários desta, como cidadãos, manifestam claramente sua não-adesão à campanha de Aécio Neves. Nenhuma modificação formal no programa eleitoral de Aécio transformará a natureza de sua candidatura, que não se constitui de palavras, mas de atos de história concreta que indicam sua integração orgânica à desconstituição de direitos, aos ruralistas e ao capital financeiro.

Defendemos o voto nulo. Ser parte da polarização PT x PSDB destoa do projeto original da Rede Sustentabilidade, que nasceu com o propósito maior de estimular a emergência dos sujeitos autorais, dos indivíduos livres e conscientes, que não se dispõem a realizar suas mais legitimas aspirações e interesses no âmbito da velha, estagnada e conservadora política que tanto PT quanto PSDB representam e praticam.

Para mantermos a coerência e a qualificação de nossa intervenção política, continuamos no caminho de afirmar a necessidade de uma nova e de uma outra política.

Nosso principal desafio é olhar para o futuro e enxergar além dessa falsa polarização que representa o passado. É ter a firme posição de rejeitar as duas candidaturas e não indicar voto em nenhum dos dois lados.

É se declarar independente, sem nenhum compromisso com essa nefasta polarização.

Marcela Moraes
Carlos Painel – Executiva Nacional da Rede
Cassio Martinho – Executiva Nacional da Rede
Haldor Omar – Executiva Nacional da Rede
Jefferson Moura – Executiva Nacional da Rede
Julio Rocha – Executiva Nacional da Rede
Martiniano Cavalcante – Executiva Nacional da Rede
Muriel Saragoussi – Executiva Nacional da Rede
Thiago Rocha – Executiva Nacional da Rede

Acauã Rodrigues – Elo Nacional da Rede
Albérico Lacerda – Elo Nacional da Rede
Antonio Daltro Moura – Elo Nacional da Rede
Celio Turino – Elo Nacional da Rede
Claudineia Costa – Elo Nacional da Rede
Clecio Araújo – Elo Nacional da Rede
Daniela Vidigal – Elo Nacional da Rede
Eduardo Thorpe – Elo Nacional da Rede
Fernando Oliveira – Elo Nacional da Rede
Fred Mendes – Elo Nacional da Rede
Gerson Neto – Elo Nacional da Rede
Gilson Tessaro – Elo Nacional da Rede
Leonel Graça – Elo Nacional da Rede
Luciene Reis – Elo Nacional da Rede
Mario Neto – Elo Nacional da Rede
Roberto Leandro – Elo Nacional da Rede
Roberto Martins – Elo Nacional da Rede
Urbano Matos – Elo Nacional da Rede
Valeria Tatsch – Elo Nacional da Rede
Washington Carvalho – Elo Nacional da Rede

Amilton Farias – Executiva Estadual da Rede/PR
João Luiz Stefaniak – Executiva Estadual da Rede/PR
Valfredo Pires – Executiva Estadual da Rede/SP
Marcelo Pilon – Executiva Estadual da Rede/SP
Renato Ribeiro – Executiva Estadual da Rede/SP
Emilio Franco Jr – Executiva Estadual da Rede/SP
Gerson Moura – Executiva Estadual da Rede/SP
Marcelo Saes – Executiva Estadual da Rede/SP
Silvana Bragato – Elo Estadual da Rede/SP
Felipe Mateos – Conselho de Ética da Rede/SP
Sandra Ortegosa – Elo Estadual da Rede/SP
Carlos Buzolin – Elo Estadual da Rede/SP
Karina Candido – Elo Estadual da Rede/SP

Mateus Prado
Sócrates Magno Torres”