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Iniciada a exumação dos restos mortais de João Goulart

por Redação — publicado 13/11/2013 19h56, última modificação 13/11/2013 20h10
Para a ministra dos Direitos Humanos, a investigação sobre a morte do ex-presidente representa "a retomada do Estado democrático"
Claudio Fachel/ Palácio Piratini
exumação

Peritos e a ministra Maria do Rosário, de Direitos Humanos, se reúnem com familiares durante a exumação do corpo de Jango

A equipe de peritos coordenada pelo governo federal deu início na manhã desta quarta-feira 13, no Cemitério Municipal de São Borja, aos trabalhos de exumação do corpo do ex-presidente João Goulart. Entre eles há profissionais de Brasil, Argentina, Cuba e Uruguai. A família de Jango e os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, acompanharam o procedimento.. O corpo do ex-presidente foi levado a Brasília para receber honras de chefe de Estado. Essa será uma forma de homenagear o ex-presidente que, na época, não contou com esse ritual concedido aos chefes da Nação.

"A investigação é uma missão de Estado, humanitária, cumprida com total isenção", disse a ministra Maria do Rosário. A exumação, segundo ela, representa "a retomada do Estado democrático".

Para Cardozo, este é "um momento crucial, simbolicamente muito importante para o povo brasileiro". "O fato de os restos mortais serem recebidos com honras de chefe de Estado marca um momento muito importante."

Exilado pela ditadura militar na década de 60, Jango morou no Uruguai e depois na Argentina, onde veio a falecer em 6 de dezembro de 1976. A causa oficial da morte, um ataque cardíaco, nunca convenceu a família, que acusa o governo militar da época, de Ernesto Geisel, de ter envenenando o ex-presidente. Após receber as honras militares, o corpo passará por exames para tentar desvendar as causas da morte.

A perícia será feita pela Polícia Federal brasileira, que será supervisionada por especialistas cubanos, indicados pela família, que dirigiram a recuperação dos restos de Che Guevara na Bolívia nos anos 90, a Equipe Argentina de Antropologia Forense e representantes da Cruz Vermelha Internacional. Com a análise pericial dos restos mortais de Jango, a expectativa é de que os laudos periciais sejam somados às demais investigações, incluindo as documentais e testemunhais, na busca de um esclarecimento sobre as causas que levaram ao óbito do ex-presidente.

O coordenador da equipe de Perícia, Amaury de Souza Júnior, do Departamento da Polícia Federal (DPF), reforçou que se trata de um trabalho de fôlego, que teve início há seis meses, com reuniões e visitas periódicas ao cemitério. “Esse é um trabalho que não se inicia hoje, e nem termina amanhã. Porque vamos trabalhar ainda em laboratório, e só depois chegar a um resultado”.

João Goulart nasceu em 1º de março de 1919, em São Borja (RS). Popularmente conhecido como Jango, foi deputado estadual (RS), deputado federal, secretário de Estado de Interior e Justiça (RS) e Ministro do Trabalho. Foi eleito duas vezes vice-presidente da República (1955 e 1960). Em agosto de 1961, Jango tornou-se Presidente da República, cargo que ocupou até 31 de março de 1964, data do golpe de Estado. Após ser deposto, refugiou-se em seu estado natal, Rio Grande do Sul, e depois partiu para o exílio no Uruguai e na Argentina. Jango é o único presidente brasileiro que morreu no exílio.

 

Com informações do Planalto.gov

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