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Política

Rogo de Primavalle

Incendiário de crianças e defensor do asilo a Battisti deixa a “bella vita carioca” para depor na Itália

por Wálter Maierovitch publicado 17/01/2011 17h37, última modificação 18/01/2011 17h56
O italiano Archille Lollo, responsável por um incêndio (foto) que matou dois jovens e condenado à pena de 18 anos de reclusão, quebra o pacto de silêncio. Por Wálter Maierovitch
Defensor de Battisti deixa "bella vita" para depor na Itália

O italiano e morador do Rio de Janeiro Archille Lollo, responsável por um incêndio (foto) que matou dois jovens e condenado à pena de 18 anos de reclusão, quebra o pacto de silêncio. Por Wálter Maierovitch

*Matéria originalmente publicada no Terra Magazine

--1. Achille Lollo mora no bairro carioca do Botafogo, próximo à churrascaria Porcão. Ele fugiu da Justiça italiana e se instalou no Rio de Janeiro para fazer a “bella vità”. Aliás, a mesma estratégia de Cesare Battisti: por informação da Interpol, Battisti foi preso em Copacabana, na praia e a sorver água de coco.
Lollo foi condenado à pena de 18 anos de reclusão por incendiar, durante o repouso noturno, o modesto apartamento, em bairro operário (Primavalle) da família de um varredor de ruas. O referido Lollo pertencia à organização Poder Operário (Potere Operai), umas das que se opunham ao estado democrático italiano, presidido por um socialista e com o Partido Comunista Italiano (agremiação política eurocomunista e independente de Moscou) na condição de segunda maior agremiação político-partidária. Em razão do incêndio promovido por Lollo, morreram carbonizados o menino Virgilio Mattei, de 10 anos de idade, e o seu irmão Stefano, de 22 anos de idade.
ATENÇÃO: Virgílio de 10 anos e Stefano de 22 anos são as vítimas carbonizadas por Achille Lollo. Os demais membros da família do varredor de ruas, incluído um bebê de poucos meses, conseguiram vencer as labaredas e deixar o apartamento.
Lollo, sem autorização da cúpula diretiva do recém criado Poder Operário, resolveu, com dois outros membros da organização (Marino Clavo e Manlio Grillo), colocar fogo, durante a madrugada, no apartamento onde morava com a modesta família Mattei. Lollo queria punir o varredor de ruas por seu um militante neo-fascista. Por tabela e na sua canhestra visão, a família de um neo-fascista merecia ser igualmente queimada e carbonizada. Segundo o ex-líder e fundador do Poder Operário, Franco Piperno (hoje é professor catedrático de física em Universidade), o ato abjeto de Lollo acabou com a organização, que passou a ser odiada pela sociedade civil italiana.
--2. O assassino Lollo manteve-se no Rio de Janeiro até a prescrição do crime, declarada, pela Justiça italiana em 2003. No Brasil, Lollo tentou um espaço no Partido dos Trabalhadores, que, mal informado, o considerou um “revolucionário” que combateu o fascismo na Itália. Não sabiam os petistas que na Itália o regime era democrático e o presidente da República era um socialista. A mesma ignorância histórica verificou-se com relação a Cesare Battisti, co-responsável pelos assassinatos de um açougueiro de periferia, um joalheiro de subúrbio, um motorista policial de veículo de transporte de presos e um carcereiro.
Do Partido dos Trabalhadores (PT), Lollo migrou para o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e se passou a apresentar como ideólogo desse partido. Depois de publicações informativas sobre o verdadeiro Lollo, publicadas neste blog Sem Fronteiras de Terra Magazine, um representante do PSOL ligou à redação para informar que o partido já havia afastado Lollo e que nunca fora seu ideólogo.
Lollo é considerado, até pelos ex-companheiros do Poder Operário que conseguiu destruir, uma pessoa inconfiável e abjecta. Ainda bem que teve as asas cortadas e não emporcalhou o Partido dos Trabalhadores e o PSOL. Achille Lollo, com a baía de Guanabara ao fundo.
--3. O modesto apartamento do varredor de ruas Mattei ficava no bairro proletário romano chamado Primavalle. Como o varredor de ruas era um neo-fascista, Lollo resolveu incendiar o apartamento, enquanto a numerosa família do varredor de ruas dormia. No bairro operário de Primavalle, todos os anos, na praça, são feitas orações silenciosas pela alma do menino e do jovem que Lollo colocou fogo e carbonizou. O episódio marcou a história italiana como Rogo de Primavalle (Incêndio de Primavalle).
--4. Depois da prescrição, Achille Lollo resolveu preparar uma “vendetta” (vingança) típica de criminosos com do seu caráter. Do seu apartamento no bairro carioca de Botafogo, Lollo resolveu dar uma entrevista a Rocco Cotroneo, que, há anos, é o correspondente no Brasil do jornal Corriere della Sera, segundo maior em circulação na Itália e de grande prestígio em todo o planeta. A entrevista dada a Rocco Cotroneo, de muita repercussão na Itália, foi publicada no Corriere della Sera de 10 de fevereiro de 2005: http://www.corriere.it/Primo_Piano/Cronache/2005/02_Febbraio/10/primavalle.shtml
Lollo, que traiu os líderes do Poder Operário ao garantir que não haver participado do incêndio criminoso em Primavalle, falou, na entrevista, de um “um escudo de silêncio por 30 anos”. Com o caradurismo de quem negou ter incendiado (ele reconhece haver planejado o incêndio, comprado gasolina e transportado os galões até a porta do apartamento do varredor Mattei. Como esquecera o fósforo saiu para comprar e, na volta, verificou que alguém tinha colocado fogo. Talvez o próprio Mattei, insinuou), Lollo resolveu contar um fato novo. Para mostrar uma falsa ética, Lollo deu a entrevista com o registro de que o “pacto de silêncio” havia terminado, pois decorridos mais de 30 anos. Por coincidência, Lollo falou em entrevista depois de ter ocorrido a declaração de prescrição, pela Justiça italiana. Na entrevista, Lollo faz deduragem. Ele afirma que além dos três condenados (Lollo, Clavo e Grillo) estavam comprometidos com o projeto e a sua execução (à revelia da cúpula diretiva do Poder Operário que nada sabia e nada autorizara) Diana Perrone, Alisabetta Lecco e Paolo Gaeta.
--5. Depois da publicação da entrevista, a Magistratura italiana reabriu os processo do Rogo de Primavalle (Incêndio de Primavalle). Como as cartas rogatórias não foram cumpridas no Brasil, a Magistratura enviou passagem aérea e diárias para Achille Lollo ser ouvido em Roma. Hoje, na parte da manhã, Lollo foi ouvido. Lógico, com a prescrição reconhecida não corre risco de prisão na Itália. Para ele, valeu fugir para o Brasil e viver a “bella vità” na Cidade Maravilhosa. Não se sabe, até o momento, o que falou na hora e meio de relato ao procurador Luca Tescaroli.
Frise-se: depois da entrevista, os dedurados por Lollo negaram. Para os ouvidos na Itália, Lollo mente e quer se vingar. O “golpe do pacto de silêncio por 30 anos” de Lollo não pegou. Ou melhor, Lollo errou de novo, pois com a deduragem, --com a falsa capa do heroísmo silencioso--, não melhorou a sua imagem. Só não conseguiu piorá-la, pois isto, efetivamente, é impossível.
PANO RÁPIDO. No Brasil, o grupo pró-Battisti conseguiu a convocação de Achille Lollo para, junto a Comissão de Relações Internacionais do Congresso, fazer uma exposição sobre a história da Itália nos anos 70 e início de 80. Lollo, que carbonizou um menino de 10 anos e um jovem de 22 anos, quis se apresentar como testemunha heróica. Na verdade, é o bufão covarde de Botafogo. Depois de revelado por publicações na imprensa, Lollo não conseguiu vestir panos de herói revolucionário. E recebeu um “chega-prá-lá” do PSOL, como foi informada a redação de Terra Magazine. Lollo em entrevista no Brasil se mostrou favorável ao asilo a Battista, que, na sua visão, combateu legitimamente na Itália. A propósito, Battisti integrava o Proletários Armados para o Comunismo (PAC) e Lollo afundou no nascedouroo Poder Operário, como revelou Franco Piperno (dirigente maior do Potere Operaio). Como não tem ambiente na Itália, Lollo deverá permanecer no Brasil, com os quatro filhos. Devemos ter cuidado para não cometer injustiças, pois um dos filhos, -- que não tem nada com o Rogo de Primavalle--, leva o nome do pai e vive no Rio de Janeiro.

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