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Historicamente, UNE é porta de entrada para a política

por Gabriel Bonis publicado 20/07/2011 18h00, última modificação 20/07/2011 22h59
Entre os sete últimos dirigentes que ocuparam o cargo, quatro foram indicados para órgão públicos, incluindo Orlando Silva. Confira o perfil deles
Orlando Silva

Entre os sete últimos a ocuparem o cargo, quatro ocupam públicos por indicação, incluindo Orlando Silva. Confira o perfil deles. Foto:Antonio Cruz/ABr

Criada em 1937, a União Nacional dos Estudantes (UNE) ao longo dos seus 74 anos consolidou-se como um movimento organizado capaz de unir diversos setores sociais e levar uma série de reivindicações a público. Com papel de destaque na luta pela redemocratização do País no período da ditadura militar, a instituição se tornou também um celeiro de políticos de expressão nacional.

Figuras como o ex-governador de São Paulo José Serra (1963-1964), o deputado federal e ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (1980-1981) e o atual ministro dos Esportes, Orlando Silva Junior (1995-1997), ocuparam a cadeira de presidente da UNE.

Com a eleição, no domingo 17, do estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio, Daniel Iliescu, de 26 anos, para comandar a entidade, a CartaCapital realizou um levantamento para identificar, a partir da gestão de Orlando Silva, quais ex-presidentes da UNE conseguiram alcançar destaque na política nacional.

No período entre 1995 e 2011, a instituição foi dominada pela Juventude Socialista, ligada ao PCdoB. Todos os oito últimos presidentes da UNE são filiados ao partido. Recém-eleito, Iliescu nega que a entidade tenha se transformado em um balcão da legenda socialista. “Participam da UNE estudantes com visões de mundo diversas e boa parte deles sem filiação partidária. Dentro dos que são filiados há representantes de praticamente todos os partidos no Congresso em nossa direção”, diz, em entrevista à CartaCapital.

O levantamento apontou que, entre as tentativas de eleições para cargos de vereador ou deputados, nenhum deles teve sucesso nas urnas. Há também a ligação direta de três ex-presidentes da UNE com o Ministério dos Esportes (Orlando Silva, Ricardo Garcia Cappelli e Wadson Ribeiro). Outro ex-dirigente, Gustavo Lemos Petta, é hoje secretário municipal de Esportes em Campinas.

Acompanhe abaixo a trajetória dos últimos sete presidentes da UNE:

Orlando Silva (1995-1997)

Baiano de Salvador, Orlando Silva cursou Direito na Universidade Católica da Bahia e Ciências Socais na Universidade de São Paulo. Como estudante, se tornou o primeiro negro a presidir a UNE em 1995. Após deixar a instituição, comandou a União da Juventude Socialista até 2001.

Filiado ao PcdoB, Silva é ministro dos Esportes desde 2006, no governo Lula. Com o corte orçamentário de 2011, sua pasta passou de 2,5 bilhões de reais em caixa para 853 milhões de reais. No entanto, mantém forte influência no governo com os eventos esportivos que o Brasil sediará: Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016.

Para esses eventos, o governo federal anunciou investimentos de 5,6 bilhões de reais na melhoria de aeroportos, 1,6 bilhões em segurança e 478 milhões na reforma de portos. Ao todo, 33 bilhões de reais serão destinados a obras de infraestrutura, sendo 68% de verba pública. Há ainda as iniciativas de governo estaduais para disponibilizar receitas próprias, caso de São Paulo, que vai gastar 36,6 bilhões de reais na melhoria do transporte na capital paulista, incluindo extensão de linhas do metrô.

Além disso, há os investimentos privados em hotéis, turismo e na construção de estádios.

Antes de chefiar o Ministério dos Esportes, Orlando Silva foi secretário nacional de Esporte, Secretário Nacional de Esporte Educacional e secretário-executivo do Ministério do Esporte.

Ricardo Garcia Cappelli (1997-1999)

Após deixar a presidência da UNE, o ex-estudante de informática Ricardo Garcia Cappelli tentou, pelo PCdoB, eleger-se vereador em 1998 e deputado estadual no Rio de Janeiro em 2002, quando recebeu 20 mil votos. O resultado lhe colocou entre os suplentes.

Cappelli também ocupou o cargo de Secretário Municipal de Desenvolvimento em Nova Iguaçu (Rio de Janeiro) e atualmente esta na Secretaria Executiva do Ministério dos Esportes como diretor de Programa da Comissão Técnica do Programa de Leis de Incentivo Fiscal.

Wadson Ribeiro (1999-2001)

O ex-estudante de medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora Wadson Ribeiro candidatou-se a deputado federal pelo PCdoB mineiro em 2010. Aos 34 anos, alcançou mais de 54 mil votos, conseguindo a terceira suplência da coligação.

Assessor do ministro Orlando Silva, Wadson ocupa atualmente um cargo no alto escalão do Ministério dos Esportes: é secretário nacional de Esporte Educacional.

Coordenou projetos como o Bolsa Atleta, a Lei de Incentivo ao Esporte e idealizou o movimento Abre a Copa Mineirão.

Felipe Maia (2001-2003)

O ex-estudante de Economia e Ciências Sociais (Unicamp e USP) militava no PCdoB quando assumiu o posto. Durante sua gestão, idealizou-se o Projeto Memória do Movimento Estudantil, que tem como objetivo a fundação do Centro de Estudos e Memória Honestino Guimarães (CEHOG). Após deixar o cargo, assumiu a ouvidoria da Ancine (Agência Nacional de Cinema), ligada ao Ministério da Cultura.

Gustavo Lemos Petta (2003-2007)

Em 2008, um ano após deixar a presidência da UNE, Gustavo Petta concorreu a uma vaga de vereador em São Paulo pelo PCdoB. O ex-estudante de jornalismo na PUC-Campinas conseguiu 13 mil votos. Nas eleições de 2010, na disputa para deputado federal teve mais de 60 mil votos e garantiu uma vaga como suplente.

Desde 2009, ocupa o cargo de Secretário de Esportes de Campinas, cidade escolhida pelo Ministério do Esporte para abrigar o centro esportivo Rede Nacional de Treinamento, um investimento de 15,2 milhões de reais.

Segundo reportagem de fevereiro de 2011 do jornal Folha de S.Paulo, o Ministério dos Esportes teria aumentado em quatro vezes os investimentos em programas de infraestrutura esportiva nas cidades onde o PCdoB tem aliados, caso de Campinas. Além disso, Silva é casado com a irmã de Petta, a atriz Ana Cristina Petta. À época, ambos negaram privilégios por parentesco.

Lúcia Stumpf (2007-2009)

A jornalista Lúcia Stumpf ocupa atualmente a Secretaria de Movimentos Sociais do PCdoB. Desenvolve um projeto de mestrado na Universidade de São Paulo e faz parte da direção nacional da União Brasileira de Mulheres e da Coordenação de Movimentos Sociais (CMS).

Stumpf também integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, criado em 2003 para assessorar a Presidenta da República na proposição de políticas públicas pela sociedade civil.

Augusto Chagas (2009-2011)

O paulistano Augusto Chagas também é filiado do PCdoB. Antes de ser eleito presidente da UNE, cursou três faculdades sem concluir nenhuma delas. Estudou Ciências da Computação na Unesp de Rio Claro, Direito na FMU e agora cursa Sistema de Informação na Universidade de São Paulo.

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