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Política

Favorito de Lula

Haddad chama Marta para a briga

por Redação Carta Capital — publicado 06/09/2011 14h23, última modificação 06/06/2015 18h16
Em entrevista, ministro da Educação diz que prévias no PT devem ser inevitáveis, e joga responsabilidade sobre adversários

O ministro da Educação, Fernando Haddad, declarou, em entrevista concedida ao portal iG, que dificilmente os “outros quatro” pré-candidatos do PT em São Paulo desistirão, até novembro, de concorrer à prefeitura. A declaração foi feita na última sexta-feira, três dias antes da divulgação da pesquisa Datafolha que apontou favoritismo de Marta Suplicy na disputa – na simulação mais apertada, a ex-prefeita tem 11 pontos de vantagem sobre José Serra (PSDB).

Os outros pré-candidatos são Jilmar Tatto, Carlos Zarattini e Eduardo Suplicy. Favorito do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad disse acreditar que o impasse entre os pré-candidatos poderá ser decidido por meio de prévias. Seria o mundo ideal para Marta, que poderia faturar em cima da ideia, defendida por alguns petistas, de que Haddad deveria “suar” mais antes de ser ungido candidato.

Sabendo disso, o ministro tentou mostrar sintonia, durante a entrevista, com o partido. Disse, por exemplo, que sua eventual candidatura não faz parte de um projeto pessoal, mas sim de uma consulta feita anteriormente pelos “companheiros” (leia-se Lula). Afirmou também que os problemas relacionados à cidade foram identificados por ele durante as caravanas (encontro de militantes em seus redutos) feitas por São Paulo. Haddad disse também que o PT vai se apresentar como oposição à gestão de Gilberto Kassab, que ensaia, com seu PSD, uma aproximação com a presidenta Dilma Rousseff.

Entre os erros do governo Kassab, ele listou o fechamento de hospitais, problemas de acesso à educação básica, falta de transporte de massa adequado e a segurança.

Numa tentativa de apresentar suas credenciais, disse ser o primeiro ministro da Educação que serve a dois presidentes e lembrou que, em sua gestão, a porta de acesso às universidades foi alargada com o Enem. Antes, afirmou, apenas milhares de pessoas faziam o vestibular, e hoje o universo supera 5 milhões de estudantes. “O Brasil é o último país do mundo que ainda tem vestibular”, disse.

A fala, como se vê, demonstra a confiança de quem foi ungido simplesmente pela principal figura capaz de decidir a eleição: Lula. A mesma pesquisa que apontou favoritismo da ex-prefeita colocou o ex-presidente nesta posição, já que nada menos do que 40% dos entrevistados disseram que podem votar no candidato indicado por ele.

Ao dizer que não acredita que “os outros quatro”, Marta entre eles, desistam por bem, Haddad parece dar o recado: vão desistir por mal. Não ignora, assim, o estrago que o eventual vencedor das prévias pode ocasionar ao contrariar o principal nome da eleição. Que, agora, já começou.

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