tamanho da fonte minímo médio máximo

Política

Gabriel Bonis

Rio de Janeiro

21.06.2011 17:45

Cabral bate cabeça com servidores públicos

Cerca de seis meses após ser reeleito governador do Rio de Janeiro, com 66,08% dos votos no primeiro turno, Sergio Cabral volta a encarar turbulências com os servidores públicos. Desde 2007, o ex-senador enfrenta greves e reivindicações salariais e de melhores condições de trabalho de professores, serviço de saúde e polícias civil e militar.

O mais recente confronto – literalmente – ocorreu no início de junho, quando bombeiros ocuparam o quartel central da corporação para pedir aumento do piso salarial de 950 reais para 2 mil reais. A maioria dos soldados recebe 1.034,11 reais – variando conforme diversos fatores, como o número de dependentes do militar -, o pior piso do país, segundo a SOS Guarda-Vidas. A ação resultou na prisão de 439 integrantes da instituição e polêmica fala de Cabral, que durante uma entrevista coletiva chamou os manifestantes de “vândalos”.

Com o apoio da população ao Corpo de Bombeiros – que ainda se mantém para o pedido de anistia criminal dos soldados – e a greve da corporação, Cabral ficou de mãos atadas perante a opinião pública. Para tentar conter a paralisação, adiantou um aumento de 5,58% previsto para dezembro, elevando o salário dos novos ingressantes sem dependentes para 1.275 reais e, para os que possuem dependentes, para 1.496 reais.

Paralelamente à crise dos bombeiros, o governo fluminense enfrenta os protestos de outros servidores públicos: os professores. Desde 7 de junho, a categoria está em greve para pedir a adesão ao piso salarial nacional, estabelecido pelo governo federal em 2008. Por esse valor, o salário-base para profissionais com nível médio é de R$ 1.187,97 por 40 horas semanais. No Rio de Janeiro, os professores recebem 610 reais como salário-base, bem abaixo dos vencimentos de estados com menor poder econômico, como Roraima (R$ 1.339,36) e Acre (R$ 1.267,65), segundo dados levantados pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE).

Sem data para terminar a paralisação, os professores pedem um aumento salarial imediato de 26%, a redução da carga horária dos funcionários administrativos de oito para seis horas diárias e o descongelamento do plano de carreira. De acordo com o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe), o governo não apresentou uma contraproposta às reivindicações.

Cálculos do sindicato apontam ainda que 65% das 1.457 escolas públicas fluminenses – que possuem 1,1 milhão de alunos e 75 mil professores – tenham sido atingidas. Porém, a Secretaria de Educação do Rio de Janeiro afirma que a adesão à greve “não chega a 2% dos professores”.

Em nota, a secretaria também diz que as reivindicações da categoria estão sendo analisadas e que vai investir 546 milhões de reais em benefícios aos funcionários da rede pública de educação até o fim de 2011. Destes, 25 milhões seriam para qualificação profissional e 260 milhões destinados a obras de infraestrutura das escolas. Além disso, aponta que os professores vão receber um bônus por mérito ao atingirem metas para a melhoria do ensino e, a partir de julho, aqueles com especializações devem receber um aumento de 12%.

A educação é um dos setores com os quais o governador mais se comprometeu a focar seus esforços. Após se reeleger disse ter “freado a decadência” do ensino no estado e, na posse, assumiu o compromisso de tirar o Rio de Janeiro da penúltima posição no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica do Ministério da Educação e elevá-lo ao top cinco do país.

O outro setor que prometeu dar destaque na gestão foi a segurança pública, carro chefe de seu primeiro governo e da campanha para a reeleição. Em meio aos problemas com os servidores públicos, o governo volta às atenções para seu maior trunfo. No domingo 19, uma operação com a participação da Polícia Militar, Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), Polícia Civil, tropas das Forças Armadas e blindados da Marinha ocupou os morros da Mangueira, Telégrafos, Tuiuti e Candelária. A ação, com cerca de 600 policiais, foi realizada para a instalação da 18ª Unidade de Policia Pacificadora (UPP) do estado, fechando assim o cinturão de segurança para a Copa do Mundo e Olimpíadas.

Enviar para um amigo Enviar para um amigo Imprimir: Compartilhar:
Mais...

Sua opinião

  1. Marcela Cristina disse:
    CABRAL, acho que o governador lá daquele novo país chamado RIO DE JANEIRO, ops o presidente... de lá, terá além de prender bombeiros, irá prender os professores públicos, as merendeiras, o pessoal do administrativo e todo o restante do quadro de funcionários públicos? será que tem uma cota para esse ano de detentos que o rio de janeiro tem que bater, uma espécie de meta- aí tá prendendo todo mundo que tiver na frente??? pq depois dos bombeiros eu não duvido nada... LASTIMAVEL.
  2. Rolando Lero disse:
    Data:............21/06/2011. Local:...........Cidade Maravilhosa. Aula:............Matemática. Turma:...........4 série. Professora:......Maria da Graça. Número alunos:...60. Estado da sala de aula:...melhor não comentar... Assunto:.........Proporções. . Maria da Graça: "Turma, agora vamos testar o aprendizado de proporções". . Exemplo: “O governador do estado do Rio de Janeiro prometeu investir 260 milhões de reais em projetos de infraestrutura nas nossas escolas, já no Maracanã, vão investir 1 bilhão de reais.” Pergunta: “Qual a relação entre os investimentos?” . Após 10 segundos, Joana – a aluna esperta - se levanta e diz, "Professora, a relação é de aproximadamente 4x; pois para o Maracanã vão dar 1000 milhões e para as escolas 260 milhões." . Maria da Graça: "Certo Joana, o futebol vai receber 4x mais do que a educação. O que vocês acham disso, vocês acham isto justo?". . Beziro - o nome é uma mistura de Bebeto, Zico e Ronaldinho/Romário; Beziro, além de bater um bolão é o político da turma; Ele se levanta e diz, "olha professora, justo, justo não é, mas o benefício político é muito maior pro Cabral, pois, pelo que meu pai falou, a copa do mundo vai dar muitos votos; já nossa educação não dá voto não. Então, pros políticos é melhor investir em futebol e deixar nossa educação na vigésima terceira divisão." . Ana Lúcia - além de gordinha, desdentada e ruiva, é a revoltada da turma - se levanta, dá um chute na mesa que desaba, e, irritada diz "Vamos ver se entendi professora, para 75 mil professores e mais de 1.1 milhão de alunos, vão investir 260 milhões de reais em infraestrutura, e, só no Maracanã, vão investir 1 bilhão, 4x mais!, é isso mesmo, é muito injusto professora, é muito injusto!" . Maria da Graça: “Calma turma, vocês não precisam ficar nervosos, depois, Cabral foi eleito com 66% dos votos, ou seja, de cada 100 pais e mães, 66 votaram nele.”, a seguir, Graça olha para Ana e diz “a conta esta correta, é que na ótica do governo a equação é:”, Graça pega o toco de giz e escreve no pedaço de quadro que ainda resiste: “1/4 RicardoTeixeira = 75 mil professores + 1.1 milhões de alunos ou 1 RicardoTeixeira = 300 mil professores + 4.4 milhões de alunos ou 1 RicardoTeixeira = 4.7 milhões de pessoas." . A turma toda começa a chingar ......., . Maria da Graça, experiente, muda de assunto: “Turma, vamos pro segundo exemplo, um barco com 6 secretários chacoalha muito e 3 deles caem no mar da Bahia. A pergunta é, qual a proporção de pessoas que caíram no mar?” . Joana nem pisca, “50% professora”. . Maria da Graça: “certíssimo”. . Joãozinho - moleque do interior, lá de Campos dos Goytacazes, donde ainda se fala em boitatá, saci-pererê e bandejão - se levanta e irritado diz: “Assim não dá fessora, aqui não tô prendendo nada. Afinar de contas, ele promete e num cumpri, logo, pra íscola não vem nada mesmo; e, no mar, só caíram tubarões”. . A aula poderia continuar, mas já deu para perceber que os políticos estão nos mostrando como distribuem os recursos públicos, Futebol 4 x 1 Educação. Para Cabral, estes professores - ou melhor - estes vândalos, deveriam se contentar com o que ganham; afinal de contas R$ 610,00 é muito para a segunda pior educação do Brasil. . “Agora vocês me dão licença que eu vou passear no helicóptero de meus amiguinhos. Agendem aí uma reunião com o assessor do assessor.”.
22mai

PEC do trabalho escravo é aprovada; ruralistas querem mudanças no Senado

Propriedades que mantêm trabalho escravo serão desapropriadas; Frente Parlamentar da Agropecuária foi contra o projeto por entender que há distorções

22mai

Cachoeira não responde perguntas em CPI

Bicheiro diz ter “muito a dizer”, mas que só falará futuramente. Sua defesa, comandada pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, vai tentar anular as investigações

22mai

Bons negócios no Rio

O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que mostra adorar transações imobiliárias, entrou em acordo com a BR Petrobras [...]

22mai

Derrota do racismo e do DEM no STF

A democracia, no Brasil, reclama a igualdade em sentido amplo, e particularmente entre negros e o restante da sociedade