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Ministro na berlinda 1

'Eu denunciei o esquema'

por Redação Carta Capital — publicado 22/10/2011 17h17, última modificação 22/10/2011 18h04
Orlando Silva diz a CartaCapital que é vítima de uma 'farsa' e promete investigação rigorosa nos contratos suspeitos

Em entrevista concedida em seu gabinete na quinta-feira 20, véspera de seu , o ministro do Esporte, Orlando Silva, tentou demonstrar tranquilidade diante das acusações de desvios em sua pasta. “Fui eu quem propôs que a PF fizesse inquérito para apurar as mentiras da revista (Veja). Fui eu quem propôs ao Ministério Público que apurasse. Mais importante do que ministro ou ser político, é poder andar na rua de cabeça erguida, como sempre fiz”.

A declaração se refere à acusação, feita pelo policial militar João Dias Ferreira, segundo quem Orlando Silva recebeu propina em uma garagem do ministério. O policial acusa o ministro de estar à frente de um esquema de desvios de programas governamentais para engordar o caixa de seu partido, o PCdoB. Na entrevista, que está na edição desta semana de CartaCapital (nas bancas desde sexta-feira), Silva argumentou: “Fui eu, que sou ministro e sou do PCdoB, quem denunciou o esquema. Sou eu que exijo devolução do dinheiro. Quem me acusa sem prova são justamente os que eu acuso de desviar dinheiro público, provo com a prestação de contas e exijo devolução. É uma completa inversão de valores”.

Sobre o PM que o acusa, Silva afirmou: "Todos os processos formais, técnicos, foram cumpridos por parte dele. Na hora de executar o convênio (entre a ONG comandada pelo policial e o ministério) é que ele se revelou um deliquente".

O ministro afirmou ainda que, uma semana após a publicação da entrevista, ainda não surgiram provas contra ele. “Daqui para frente vai ficar simples: qualquer bandido faz qualquer acusação, ainda que não tenha provas, cria-se uma onda com a participação dos meios de comunicação e pronto. Estão dadas as condições para a substituição de ministro”.

No pano de fundo das denúncias estão os convênios assinados pelo Ministério do Esporte com ONGs suspeitas, muitas das quais captaram recursos e não cumpriram os serviços contratados. A favor do ministro está o fato de que o número de assinaturas de convênios do ministério com essas entidades tem caído desde 2007, quando Orlando Silva assumiu a pasta. Hoje, apenas 25 dos 339 convênios assinados são com ONGs. Em 2006, no último ano de Agnelo Queiróz à frente da pasta, os convênios das ONGs representavam mais que o dobro daqueles com as entidades públicas. Hoje, 91% dos contratos são com prefeituras, estados e universidades. A previsão é de que, em 2012, todos os contratos com ONGs sejam extintos.

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