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Política

Eleições no RS

Fogaça na corda bamba no RS

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 24/08/2010 16h26, última modificação 24/08/2010 17h08
O PMDB gaúcho dividido em uma ala pró-Serra e outra pró-Dilma tornou-se a maior preocupação do candidato ao governo

O comando da campanha de José Fogaça (PMDB) não dorme nos últimos dias. Agora, seus problemas não são mais com o partido aliado, o PDT, cujo candidato a vice, Pompeo de Mattos, teve a candidatura barrada inicialmente pela Procuradoria Regional Eleitoral. Os problemas estão dentro de seu próprio partido, o PMDB, dividido em uma ala pró-Serra, composta pela maioria dos deputados federais, e uma ala pró-Dilma, vertebrada pela maioria dos 140 prefeitos do partido no Estado.

Os prefeitos, contentes com o tratamento que vêm recebendo do governo e alinhados com a decisão nacional de integrar o governo, decidiram convidar o seu candidato a vice-presidente para uma atividade de campanha no Rio Grande do Sul. A direção do PMDB, Pedro Simon à frente, teve de entrar em campo para impedir o ato nesta quarta feira. E foi obrigada a negociar um adiamento para o próximo dia 02 de setembro, quando Temer, além de reunir com os prefeitos, também deverá visitar a direção partidária e reunir com Fogaça.

Na corda bamba – A diáspora do PMDB gaúcho parece irreversível. A posição de “imparcialidade ativa” de José Fogaça talvez ainda lhe permita granjear simpatias e votos nesta eleição. Num segundo turno, pode inclusive tornar-se favorito. Mas Fogaça tem dois problemas imediatos que não são fáceis de resolver.

Primeiro, o candidato do PMDB precisa unificar suas bases, estabelecer uma unidade de propósitos e um posicionamento único de seu exército. Hoje, seus militantes, a começar pelas direções, têm dificuldades para isso. Uns puxam para um lado e outros para outro; sem falar no PDT que desde o começo está com Dilma.

Com o desespero crescente à direita, diante da provável vitória de Dilma no primeiro turno, os serristas querem forçar Fogaça a jogar o jogo dos tucanos.

Semana passada, quando deveria recompor seus laços com sua governadora, Serra fez nova investida no sentido do peemedebista. O “Zé” foi até deselegante com Yeda Crusius. Além de elogiar Fogaça e dar entender que o prefere, cometeu uma gafe e chamou sua governadora de Yeda Cruzes.

A reação dos prefeitos do PMDB diante das sucessivas investidas dos serristas, foi chamar Michel Temer, presidente nacional do partido e candidato a vice, para uma atividade pró-Dilma no Estado. A divisão do PMDB, até então encoberta pela mídia, eclodiu.

Tarso pode vencer no primeiro turno – O segundo grande problema de Fogaça, a partir de agora, é impedir que Tarso ganhe no primeiro turno. De fato, o candidato do PT vem acumulando posições, estando agora, em pesquisas de diversos institutos, entre cinco e dez pontos de distância da vitória no primeiro turno. Analisando o ritmo e a velocidade de sua campanha, a sua vitória no primeiro turno não é impossível. E é bastante provável que o comando de Tarso, estando já mais tranquilo quanto ao desfecho da disputa para presidente, esteja perseguindo esta meta.

Fogaça parece convicto de sua “imparcialidade ativa” na disputa nacional. Sua estratégia procura articular os desejos de mudança no Estado com a busca de um posicionamento “independente”. Mas sua posição em cima do muro é arriscada. Os eleitores podem entender como falta de coragem ou oportunismo.

No contexto da disputa gaúcha, é capaz da estratégia de Tarso acabar vencendo. O petista quer colocar o Rio Grande do Sul nos trilhos do Brasil e do mundo. Hoje, ele está a alguns pontos de alcançar isso em 03 de outubro.

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