Você está aqui: Página Inicial / Política / Feliciano mandou fazer vídeo que ataca deputados, diz ex-assessor

Política

Câmara dos Deputados

Feliciano mandou fazer vídeo que ataca deputados, diz ex-assessor

por Redação — publicado 12/02/2014 15h24, última modificação 12/02/2014 17h38
Wellington de Oliveira afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo que vai à Polícia Federal mudar sua versão sobre autoria de vídeo
José Cruz/ABr
Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara

Feliciano nega ter orientado o ex-assessor a produzir o vídeo

Wellington de Oliveira, ex-assessor de imprensa do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), afirmou, em entrevista concedida ao jornal O Estado de S.Paulo, que vai procurar a Polícia Federal (PF) para mudar a sua versão sobre um vídeo de apoio ao pastor Feliciano que ataca deputados e criminaliza líderes do movimento LGBT e religiões afrodescendentes.

Oliveira teria sido orientado pela equipe do deputado a mentir sobre a autoria do vídeo em depoimento prestado à PF. Agora, segundo disse ao jornal, ele vai afirmar que foi o responsável pela produção. "Ele (Feliciano) adorou, comprou a ideia e mandou realizar o vídeo, inclusive aprovou por e-mail, só não queria assumir como nosso", disse o ex-assessor ao jornal.

O vídeo em questão foi produzido pela WAP TV Comunicação, que tem o pastor Feliciano entre seus principais clientes. Publicado na internet em 2013, o vídeo faz ataques aos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ), Érika Kokay (PT-DF) e Domingos Dutra (SDD-MA), adversários do deputado na Câmara.

Com duração de oito minutos e cinquenta segundos, o vídeo faz uma edição de imagens apresentando cenas isoladas de tensão durante protestos organizados contra o pastor - que, apesar de ser acusado de dar declarações racistas e homofóbicas, chegou à presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara em 2013. Também mostra por repetidas vezes uma declaração do deputado Wyllys afirmando que “os orixás me colocaram nesse mandato”, além de inserir imagens de um estranhamento entre o líder da ABGLT no Brasil, Toni Reis, durante uma discussão na Câmara como "agressão a idosos".

"O depoimento do ex-assessor só vem confirmar aquilo que a gente só suspeitava", disse o deputado Wyllys a CartaCapital. No ano passado, Wyllys, Kokay e Dutra entraram com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) alegando que o pastor Marco Feliciano promoveu uma campanha de difamação contra eles, contando com o apoio de uma agência formada por pastores.

O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que resultou na abertura de inquérito na Polícia Federal. "Nós vamos cobrar da Polícia Federal uma posição diante desse fato novo. E cobrar do Conselho de Ética e da Corregedoria da Câmara uma posição", acrescentou o deputado. "Desde que esse vídeo apareceu, ele trouxe uma série de problemas à minha imagem e o conjunto de insultos que eu recebi na internet e por telefonemas resultaram em ameaças de morte concretas à minha pessoa. É um vídeo que me trouxe danos terríveis."

Além de assumir a autoria do vídeo, Oliveira confirmou que habitam no gabinete de Feliciano pelo menos onze funcionários fantasmas. De acordo com o ex-assessor, pessoas que trabalham para as igrejas e para o escritório particular do deputado são pagos com dinheiro da Câmara.

Ao jornal o deputado respondeu que não orientou Oliveira a produzir o vídeo e que só soube do material ao recebê-lo por e-mail. Feliciano também afirmou ser uma "falácia" a acusação em relação aos funcionários fantasmas, dizendo que seus subordinados trabalham para ele como deputado e que os serviços prestados à igreja são "voluntários".