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Política

São Paulo

Escolas técnicas e Fatecs entram em greve por reajuste salarial na sexta

por Clara Roman — publicado 11/05/2011 14h53, última modificação 11/05/2011 18h25
“O governo faz muita propaganda do ensino técnico, mas continua pagando 10 reais por hora/aula", afirma a secretária geral do sindicato dos professores, a exigir 80% de reajuste

A já anunciada greve de professores e funcionários das Etecs e Fatecs do Centro Paula Souza de São Paulo foi confirmada ontem em assembleia geral e iniciará na sexta-feira, 13 de maio. Sem reajustes desde 2005, os trabalhadores pedem aumento de mais de 80% e implantação de política salarial. Das 93 unidades que realizaram assembléias regionais, 63 aderiram ao movimento. O governador Geraldo Alckmin comunicou que anunciará reajuste na sexta-feira.

Para Silvia Elena Lima, secretária geral do Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sinteps), apesar de o governo paulista utilizar as escolas ténicas e Faculdades de Tecnologia como propaganda de sua política educacional, não existe um reconhecimento do trabalho feito por funcionários e docentes nessas instituições.

CartaCapital: Todas as unidades da rede técnica vão entrar em greve?
Silvia Elena Lima: O nosso sindicato é composto de escolas do Estado de São Paulo inteiro. Para ter uma assembléia representativa, foram convocadas assembléias setoriais nos últimos 15 dias. A assembléia de ontem era para tabular os dados e deflagrar a greve. Durante a reunião, mais unidades foram aderindo. A coisa está andando. O governo já anunciou que vai oferecer reajuste.  O índice será anunciado na sexta-feira, no mesmo dia em que a greve inicia e, então, avaliaremos se ela terá continuidade ou não.

CC: Houve negociação anterior com o governo?
SL: A nossa categoria não tem tradição grevista. Só faz paralização quando a corda está no pescoço. A gente chamou a greve durante todos os anos, mas nas assembléias elas não foram aceitas. O governo lança alguma outra coisa no lugar para evitar a greve. Em 2008, anunciaram a nova carreira. Para alguns foi bom, mas ela ficou congelada. As pessoas tendem a acreditar que o governo vai reconhecer o trabalho da gente. Ninguém aguenta mais receber 10 reais por hora aula. O Brasil deu uma deslanchada em termos econômicos. A rede federal cresceu muito em São Paulo e é uma referência. Comparado com a rede federal, os benefícios e salários da estadual são uma piada. Professores estão percebendo isso e saindo. O clima é insuportável, tem que mudar. Alguma coisa precisa ser feita.

CC: A política de bonificação não ajudou a minimizar as perdas salariais?
SL: Os critérios usados para a concessão do bônus são questionáveis, levam em conta aspectos que não dependem do professor, é uma coisa de louco. Tantas são as criticas que parece que vão mesmo acabar com o a política de bônus e voltar com a política de reajustes. A repercussão da reportagem da CartaCapital (leia as matérias e ) ajudou, inclusive, na decisão. Resolveram pagar para todo mundo o bônus, mesmo para aqueles que tinham zerado. Não havia um critério claro no pagamento da bonificação. Desconfio que esse bônus seja sorteado. Quem zera agora, não zera no ano que vem, tem um revezamento. Para o governo, as metas não são para serem atingidas. Eles não querem que a gente cumpra os objetivos traçados. Mas o bônus é uma questão superada no momento. Todo mundo recebeu. A luta é por reajuste e melhorias de salário. Além disso, poucos recebem vale-alimentação e refeição e quem recebe, tem apenas 4 reais por dia.

CC: Quanto foi pedido de reajuste?
SL: Acima de 80% para docente e mais de 100% para funcionários. Mais benefícios. Outra pauta importante é a definição de uma política salarial. Nós temos esse enorme arrocho porque o PSDB acabou com a política salarial que existia antes e não criou outra. Plano de carreira até tem, mas não existe política salarial. Além do reajuste, queremos a definição de qual será a política salarial daqui para frente.

CC: Existe diferença nas reivindicações entre Fatecs e Etecs?
SL: A diferença existe na reivindicação para docentes e funcionários. Os funcionários são mais penalizados nestes últimos anos.

CC: Qual foi o apoio dos estudantes?
SL: Vários Centros Acadêmicos estão apoiando. Agora mesmo rcebemos mais um apoio de Centro Acadêmico da ETEC Zona Sul, Santo Amaro. O Poligremia, grupo composto por vários grêmios de escolas técnicas, irão até o nosso ato anunciar o apoio. Os estudantes entendem o movimento porque convivem conosco no dia a dia e sabem que falta muita coisa nas escolas, falta professores e funcionários.

CC: Na carta de lançamento da greve, foi citado o fato da grande propaganda que o governo faz das Etecs e Fatecs. Por que destacar isso?
SL: Tem um imaginário popular que acha que vivemos a oitava maravilha do mundo porque tem muita propaganda. Quando a gente fala que a gente recebe 10 reais por hora/aula, muitos não acreditam. O governo faz muita propaganda das Etecs e Fatecs. De fato, temos bons indicadores. Somos uma instituição que deu certo, mas deu certo por nosso esforço e isso eles não reconhecem. Todo mundo sabe que o governo usa a gente como propaganda, mas na hora de ver condições de trabalho não tem negociação.

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