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Política

Guido Mantega

'Falta ousadia aos desenvolvidos'

por Gabriel Bonis publicado 23/08/2011 15h28, última modificação 06/06/2015 18h57
Escolhido o economista do ano, ministro afirma que o Brasil está preparado para turbulências e prevê redução da Selic
‘Falta ousadia aos desenvolvidos’

Escolhido o economista do ano, Guido Mantega afirma que o Brasil está preparado para turbulências e prevê redução da Selic. Foto: Sérgio Castro

Em um evento na noite de segunda-feira 22, em São Paulo, no qual recebeu o prêmio de economista do ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que “falta ousadia” aos países desenvolvidos para “adotar medidas mais firmes” capazes de debelar a crise atual.

Nesse cenário, segundo o ministro, o Brasil está “mais confortável” que em 2008 e capacitado para enfrentar turbulências com as reservas de 352 bilhões de dólares. “Temos um sistema financeiro sólido e resultados primários consistentes. Nosso déficit nominal é o mais baixo do ano e somos um dos únicos países onde a dívida cai”.

Mantega destacou também a importância do mercado interno brasileiro, que se manteve aquecido mesmo no período de desaceleração econômica. “Em caso de crise, China, Alemanha e Japão, que dependem muito das exportações, sofrerão mais que o Brasil”.

O ministro ainda deixou aberta a possibilidade da queda da taxa Selic - sem fazer previsões -, ao afirmar que o governo contém os gastos de custeio para manter investimentos e baixar a carga tributária, e não para "derrubar" a economia. “Isso vai permitir um crescimento mais puro de longo prazo e criar espaço para que o Banco Central baixe a taxa de juro quando avaliar que as pressões inflacionárias estão controladas”.

Sobre o tema, Mantega disse que a inflação subiu em todos os países, mas no Brasil já há baixa e o índice vai atingir a meta do ano. No entanto, não foi especificado se o valor ficaria no centro da meta, de 4,5%, ou na margem de até 6,5%.

Depressão

Em seu breve pronunciamento, o ministro afirmou acreditar na diminuição do crescimento mundial, enquanto EUA e Europa lutam para não entrar em recessão e enfrentam um novo estágio da crise de 2008. “Esses países, ao contrário daqueles em desenvolvimento, passaram da crise dos bancos para uma da dívida soberana dos Estados, que pode voltar aos bancos”.

Mantega destacou ainda que a recuperação da economia norte-americana é “decepcionante”, pois o país deveria estar crescendo cerca de 3% ao invés dos 1,7% atuais. Porém, a situação européia é mais complexa. “Os europeus não se entendem e estão atrasados em uma solução para a crise. Além disso, o fundo de estabilização possui apenas 400 bilhões de euros e somente a dívida da Grécia soma 350 bilhões”.

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