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Política

Ex-diretor da Petrobras pode ter movimentado 11 milhões no exterior

por Agência Brasil publicado 02/07/2015 16h27, última modificação 02/07/2015 16h31
Jorge Zelada, preso nesta quinta-feira na décima quinta fase da Lava Jato, recebeu valores indevidos em operações na estatal
José Cruz/Agência Brasil
Jorge Zelada

Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Jorge Zelada, preso nesta quinta-feira 2 na décima quinta fase da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, recebeu valores indevidos em operações na estatal como o aluguel de navios-sonda e fez remessas de dinheiro para a China e transferência de recursos entre a Suíça e Mônaco após o início da Lava Jato. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, pelo Ministério Público, em entrevista na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

“Temos valores e temos indicativos fortes de que havia problema na área de sonda da Petrobras. E movimentação [de recursos] no exterior posterior ao início da Lava Jato com remessas bancárias para a China, o que indica uma continuidade do crime de lavagem de dinheiro que motivou principalmente a prisão”, disse o procurador Carlos Fernando Santos Lima. Segundo ele, também houve transferência de dinheiro da Suíça para Mônaco, o que indicaria o interesse de ocultar valores.

De acordo com o procurador, estima-se 11 milhões de euros tenham sido transferidos entre países europeus. Ele disse que esse volume de recursos é  incompatível com a renda do ex-diretor.

Zelada foi citado por delatores presos nas fases anteriores da operação como um dos beneficiários do esquema de corrupção na Petrobras. O ex-diretor da estatal foi preso de manhã, no Rio de Janeiro, e será transferido para a Superintendência da PF em Curitiba. A previsão é que ele chegue na cidade às 14h. Também foram apreendidos documentos na casa de Zelada e na residência da ex-mulher dele.

Carlos Fernando Santos Lima disse que a décima quinta fase da Lava Jato, chamada de Operação Mônaco, marca o encerramento da fase de investigações nas diretorias da Petrobras. Ele explicou, no entanto, que as investigações na estatal não estão esgotadas.

“Depois de um ano e meio dessa fase de investigação, cremos que não existem indicativos de maiores desvios em outras diretorias, com outros diretores. Não posso dizer que não vão surgir [indícios] porque me surpreendo a cada dia com o nível de provas que conseguimos. Mas o núcleo básico [do esquema] já está bem delineado”, disse o procurador.

O núcleo básico citado por Carlos Fernando Lima é formado por quatro ex-diretores da Petrobras que foram presos: Nestor Cerveró, da Área Internacional, antecessor de Zelada; Renato Duque, da Área de Serviços e Engenharia; Paulo Roberto Costa, da Área de Refino e Abastecimento e Jorge Zelada.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados na operação responderão pelos crimes de corrupção, fraude em licitações, desvio de verbas públicas, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

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