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Política

Operação Lava Jato

Ex-contadora de doleiro confessa ter emitido R$ 7 milhões em notas frias

por Redação* — publicado 08/10/2014 19h24
Meire Poza negou, no entanto, que empresas ligadas a Alberto Youssef tenham prestado serviço à Petrobras
Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
Meire Poza

Meire Poza negou, no entanto, que as empresas para as quais trabalhava prestou serviços para a Petrobras

Meire Poza, ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal (PF), confirmou, nesta quarta-feira 8, ter emitido 7 milhões de reais em notas fiscais frias enquanto trabalhou com ele. Segundo ela, porém, nenhuma das empresas para as quais trabalhava prestou serviços para a Petrobras, durante depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades na estatal.  “Emiti R$ 7 milhões em notas frias. Tenho uma empresa de contabilidade e a exceção foram essas notas”, disse Meire.

A contadora informou ter recebido 3,5% de comissão para a emissão das notas por sua empresa de contabilidade, Arbor Consultoria e Assessoria Contábil, para os negócios do doleiro. “Recebia 7% nas comissões com as notas frias. Na verdade, eram 3,5% porque dividia os recursos com o Enivaldo Quadrado [sócio das empresas de Youssef e condenado no processo do mensalão por lavagem de dinheiro]”, afirmou. O valor chegaria a R$ 245 mil.

Ré confessa

O líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), declarou que vai pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal da contadora, por ela ser parte do esquema comandado por Youssef. “Se é ré confessa de 7 milhões de reais de notas frias, não pode ser tratada como colaboradora”, declarou. Cunha defende que ela seja reconvocada como investigada.

Já o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR), sustentou que Meire Poza não poderia ser intimidada na CPMI da Petrobras e que o depoimento dela é muito importante para esclarecer os desvios de dinheiro na estatal.

Segundo o relator da comissão, deputado Marco Maia (PT-RS), a participação de Poza não é de apenas uma contadora, mas de participante da organização. “Muita coisa passou pela mão dela. Ela fazia pagamentos, tomava empréstimos. Com a mesma rapidez que ela prestou as informações, vai se tornar réu também.”

Petrobras

Poza negou que as empresas de Youssef para as quais prestava serviços tinham contratos diretos com empresas públicas, como a Petrobras. “Tinham relação com empreiteiras e não com empresas públicas. Mendes Júnior, Sanko Sider, Engevix, Paranasa, principalmente essas”, explicou.

Segundo a contadora, a Arbor Consultoria e Assessoria Contábil prestou serviço para algumas empresas de Youssef como a GFD, holding que administra hotéis (Aparecida, Porto Seguro e Salvador) e o site webhoteis; Malga Engenharia; Graça Aranha, holding do grupo Marsans (operadora de turismo com 37 lojas).

O salário de Meire Poza seria de R$ 15 mil reais mensais para atender a todas as corporações de Youssef. Ela conheceu o doleiro a partir de Enivaldo Quadrado, condenado no processo do chamado "mensalão" e que cumpre pena alternativa. “Alberto Youssef só o conheci em setembro de 2012. A informação que eu tive era de que a GFD era de um grupo estrangeiro”, disse.

*Com informações da Agência Câmara