Você está aqui: Página Inicial / Política / Evo Morales já enfrenta greve geral

Política

Bolívia 2

Evo Morales já enfrenta greve geral

por Agência Brasil publicado 28/09/2011 09h55, última modificação 28/09/2011 10h13
A paralisação foi convocada pela Central Obreira Boliviana, a maior entidade sindical do país, em protesto contra a forma como o governo atuou na repressão às manifestações dos indígenas

Por Renata Giraldi*

O presidente da Bolívia, Evo Morales, enfrenta nesta quarta-feira 28 um dia de greve geral envolvendo várias categorias profissionais. A paralisação foi convocada pela Central Obreira Boliviana, a maior entidade sindical do país, em protesto contra a forma como o governo atuou na repressão às manifestações dos indígenas que se opõem à construção de estrada na região de San Ignacio de Moxos (Beni) e Villa Tunari (Cochabamba).

A construção da estrada levou não só a protestos contra Morales e à suspensão das obras, como também à renúncia de dois ministros – da Defesa e do Governo (equivalente à Casa Civil no Brasil). Nesta terça-fera 27, o presidente empossou os substitutos dos demissionários. Os novos ministros da Defesa, Ruben Soto Saavedra, e de Governo, Wilfredo Chávez, prestaram juramento de lealdade e compromisso.

Bruno Apaza, da Central Obreira Boliviana, rechaçou as ações do governo e disse que os sindicatos aguardam uma resposta sobre as denúncias de agressões e desaparecimentos ocorridos no último domingo 25, quando houve o protesto dos indígenas.

A polêmica envolve uma estrada, que deve passar pela reserva de Tipnis (Território Indígena Parque Nacional Isidoro Sécure), ao lado do território brasileiro. A estimativa é que 13 mil pessoas, de diferentes comunidades indígenas, morem na região. Pelo plano, o percurso é aproximadamente 300 quilômetros, a um custo aproximado de US$ 420 milhões, financiados com recursos brasileiros.

Segundo autoridades bolivianas, a rodovia é estratégica para o desenvolvimento do país. Os ativistas combatem a obra, alegando que favorece grupos econômicos e prejudica o meio ambiente. No domingo, cerca de 500 policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar o protesto, que terminou com presos e denúncias de agressões. A marcha dos manifestantes contra a obra começou em 15 de agosto, em Trinidad (Departamento de Beni), com destino a La Paz, a capital.

Em nota divulgada antes da decisão de Morales de suspender as obras, o Itamaraty informou ter recebido com  preocupação as  notícias sobre os distúrbios na Bolívia. “O governo brasileiro recebeu com preocupação a notícia da ocorrência de distúrbios em 25 de setembro, no contexto de protestos sobre a construção de trecho da estrada Villa Tunari-San Ignacio de Moxos”, diz o documento.

*Com informações da agência pública de notícias da Bolívia, a ABI.//Edição: Graça Adjuto

*Matéria publicada originalmente em Agência Brasil

registrado em: