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Europa "corre" para salvar Grécia

por Brasil Econômico — publicado 18/07/2011 19h29, última modificação 18/07/2011 19h51
Dirigentes da Zona do Euro precisam superar divergências para fechar, na quinta-feira 21, novo pacote de resgate para Atenas e evitar uma contaminação no continente

Os dirigentes da Zona do Euro ainda precisam superar importantes divergências, em particular entre o BCE e a Alemanha, para fechar na quinta-feira 21, em Bruxelas, o segundo pacote de resgate da Grécia.

Uma medida que serviria em tese para evitar que a crise da dívida se propague a economias muito maiores dentro da união monetária.

Convidando-se mais uma vez ao debate sobre a crise grega, o secretário americano do Tesouro, Timothy Geithner, exortou na segunda-feira 18, os dirigentes do velho continente a agir com mais firmeza.

"O mundo precisa agora ver que os líderes europeus tomam medidas (...) para colocar em prática mudanças adicionais que ajudem a controlar os riscos de uma crise mais ampla", afirmou.

Por sua vez, o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, expressou a confiança de seu país de que os dirigentes europeus chegarão a "um bom resultado" que levará a "calma" à Grécia, à beira da bancarrota.

O presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, "não teria convocado uma cúpula se não houvesse tido sinais satisfatórios dos grandes países, em particular da Alemanha", disse à AFP uma fonte europeia próxima às negociações.

No entanto, "restam coisas a solucionar entre Alemanha e o Banco Central Europeu (BCE), mas também entre os Estados da Zona do Euro", afirmou, pedindo o anonimato.

A participação dos credores privados da Grécia - bancos, seguros e fundos de investimento - é o pomo da discórdia entre a primeira potência europeia e o BCE.

A chanceler alemã, Angela Merkel, declarou neste fim de semana que condiciona sua presença na cúpula de quinta-feira a "um resultado" concreto, sem descartar uma reestruturação da dívida.

Inclusive avalia-se a criação de uma taxa bancária para obrigar as entidades de crédito a participar do novo plano de ajuda, confirmou o ministro francês de Assuntos Europeus, Jean Leonetti.

"É uma das soluções que aparecem, apresentaria a vantagem de não fazer intervir diretamente nos bancos e, portanto, de não criar potencialmente uma suspensão de pagamentos" da Grécia, explicou.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, se opõe fortemente a qualquer ideia de falta de pagamento da dívida grega, inclusive parcial.

Esta opção obrigaria o BCE a não aceitar os títulos da Grécia como garantia para emprestar dinheiro aos bancos, e forçaria os governos a injetar dinheiro eles mesmos no sistema bancário na Grécia e na própria União Monetária.

"Não poderíamos aceitar seus títulos como garantias normais", declarou Trichett ao jornal Financial Times Deutschland.

Na quarta-feira 20, para abrir caminho, funcionários de alto nível da Zona do Euro se reunirão na capital europeia para acabar com as últimas asperezas.

Chegar a um acordo torna-se urgente para evitar o contágio de outros países, como Itália e Espanha, que encontram-se cada dia mais pressionados pelos mercados.

O nervosismo dos investidores foi palpável no mercado da dívida, onde as taxas de juros dos títulos espanhóis, italianos e gregos alcançaram novos recordes desde a criação da Zona do Euro. No caso dos primeiros, os bônus a dez anos superavam 6%, enquanto no dos gregos, 17,74%.

A publicação dos resultados dos "stress test" feitos em 91 bancos da Zona do Euro na sexta-feira 15, nos quais apenas oito falharam no exame, não conseguiu dissipar a preocupação geral.

As bolsas europeias fecharam no vermelho, assoladas pelas perdas dos bancos, que foram os valores mais castigados.

Em Paris, o CAC 40 fechou em forte queda de 2,04%, a 3.650,71 pontos, seu nível mais baixo do ano, o Footsie-100 de Londres e o DAX de Frankfurt perderam ambos 1,55%, enquanto o Ibex 35 de Madri caiu 1,44%. A bolsa de Milão registrou a maior queda, com 3,06%.

*Publicado originalmente em Brasil Econômico.

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