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Eleições 2010

O caso Erenice Guerra

por Celso Marcondes — publicado 14/09/2010 19h23, última modificação 15/09/2010 09h48
O escândalo da Receita Federal dá lugar a um novo caso. Ministra-chefe da Casa Civil é obrigada a dar satisfações. Foto: Agência Brasil
O caso Erenice Guerra

O escândalo da Receita Federal dá lugar a um novo caso. Ministra-chefe da Casa Civil é obrigada a dar satisfações. Foto: Agência Brasil

(atualizada às 18h47)

O ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto anunciou na tarde desta terça-feira que a Polícia Federal vai investigar a atuação de Israel Guerra, filho da ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra. A ministra não será investigada pela PF, pois o ministro não viu indícios de sua participação no caso.

Ela emitiu nota pública, na qual afirma:

“Chamo a atenção do Brasil para a impressionante e indisfarçável campanha de difamação que se inicia contra minha pessoa, minha vida e minha família, sem nada poupar, apenas em favor de um candidato aético e já derrotado, em tentativa desesperada da criação de um "fato novo" que anime aqueles a quem o povo brasileiro tem rejeitado".

Para saber outras novidades do dia, leia abaixo:

O escândalo da Receita Federal praticamente sumiu das páginas dos grandes jornais desta terça-feira 14. Pequenas, bem pequenas, matérias no Globo, na Folha e no Estado. Ao lê-las, somos informados que prestaram depoimentos na Polícia Federal o office-boy Ademir Estevam Cabral - que foi acusado pelo contador Antônio Carlos Ferreira Atella como o solicitante dos dados de Verônica Serra – e o jornalista Amaury Ribeiro Jr., que elabora um livro sobre o governo FHC.

Na Delegacia Seccional de Santo André também prestaram depoimentos o genro de José Serra, Alexandre Bourgeois, o tabelião Fábio Tadeu Bizognin e o aposentado Edson Pedro dos Santos. Este denunciou  a auxiliar de informática Ana Maria Caroto Cano, da agência da Receita de Mauá, e seu marido, o contador José Carlos Cano Larios. Ambos estariam a exercer pressão sobre o aposentado para que este assinasse documento no qual declararia que tinha solicitado os seus dados fiscais na agência.

Por fim, a última informação relevante obtida pelos grandes jornais do dia: a servidora Ana Maria foi “devolvida” pela Receita Federal ao Serpro, seu órgão de origem.

E ponto, mais nada sobre “o maior escândalo de todos os tempos”. Nem uma linha sobre o que disseram os depoentes do dia. Nenhum novo parente de José Serra surgiu a denunciar seu sigilo quebrado. Os repórteres destacados para cobrir o caso têm nova pauta.

Para compensar, páginas e mais páginas sobre o escândalo da vez, que tem nome e sobrenome: Erenice Guerra. A denúncia, capa da revista Veja de sábado, como que por encanto, imediatamente tomou conta de toda a grande mídia e na noite desta segunda-feira ocupou generosíssimo espaço do Jornal Nacional.

O “núcleo de inteligência” da campanha tucana mudou de alvo, ao constatar, após três semanas de bombardeios, que a única oscilação verificada nas pesquisas do período dá conta de que nos setores mais escolarizados da população é Marina Silva quem tira proveito da situação. No cômputo final, confirmado pela pesquisa Sensus de hoje, a diferença entre Dilma e Serra continua a mesma (50,5% a 20,4%, contra 8,9% de Marina, informou esse instituto).

Neste caso, novamente o governo federal (e a campanha de Dilma) é colocado contra a parede. Precisa explicar as andanças do filho da ministra pelos corredores da República e o que faziam seus outros familiares em cargos públicos. De novo, é obrigação do governo dar as respostas. Erenice Guerra sempre foi pessoa de confiança de Dilma, por isso é a bola da vez. Ela disse que vai processar a revista Veja, colocou seus sigilos e dos seus familiares à disposição, pediu investigação da Comissão de Ética.

Também foi exonerado o assessor da Casa Civil Vinícius de Oliveira Castro, acusado de ser sócio de Israel, filho de Erenice, no esquema de tráfico de influências. Ele afirmou que saiu do cargo para se defender e negou as denúncias.

Lula, por sua vez, chamou a ministra para conversar e pediu para que esclarecesse logo os fatos, o que gerou as medidas enunciadas acima. O presidente reuniu-se com ministros neste dia 14 e designou ao ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto a incumbência de falar pelo governo sobre o caso.

Marina Silva cobrou “apuração rigorosa do caso” e aponta, a partir dele, a necessidade de um segundo turno para aprofundar a discussão.

Os tucanos agora discutem como usar o episódio na campanha. Querem que Serra se dirija pessoalmente à Procuradoria-Geral da República para pedir a investigação. Ao mesmo tempo, escalam sua tropa de choque no Parlamento para entrar em ação.

No horário reservado pelo TRE para a campanha presidencial que vai ao ar hoje, o tom do programa tucano também deve aumentar. Agora, “é tudo ou nada”, disseram aliados ao Estadão.

Erenice foi para o picadeiro. Mas, a 20 dias das eleições, não deve ser o único alvo do “tudo ou nada”, novos casos seguramente surgirão.

Enquanto o governo e a campanha de Dilma vão para a defensiva, o comando da campanha de Marina Silva começa a esfregar as mãos, ainda crente de que pode crescer junto às camadas mais pobres, até aqui alheias aos seus apelos.

Já para Serra, a tarefa é mais dura: precisa fazer sangrar a campanha de Dilma e beber deste sangue, não pode deixar o líquido entornar para o cantil verde.

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