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Ensino Superior privado no Brasil

por Paulo Yokota — publicado 07/07/2014 17h48
Artigo na 'The Economist' indica o crescimento das instituições pagas no País

Ter o reconhecimento de uma publicação internacional de qualidade como o The Economist não é algo desprezível. Um artigo publicado naquela revista informa que enquanto nos Estados Unidos está havendo uma elevação do custo da educação privada de nível superior, fazendo com que cursos em boas universidades passem a ser privilégio de uma elite, no Brasil há um contraste.

Algumas organizações privadas estão conseguindo com custos razoáveis cursos superiores de apreciável qualidade. Atendem o aumento de demanda que está se observando com a ampliação de uma nova classe média que reconhece na educação um importante meio de ascensão social.

No mês passado a CADE – entidade federal encarregada de evitar situações de monopólio aprovou a incorporação do grupo Anhanguera Educacional de São Paulo pela Kroton Educacional, evolução do antigo colégio Pitágoras que se originou em Minas Gerais, formando um complexo de cursos superiores cujas ações estão estimadas em cerca de US$ 8 bilhões.

Além da escala que chega a 500 estabelecimentos privados de curso superior de diversos tipos em todo o Brasil, conseguem uma qualidade invejável de ensino. Concorrem com muitas outras instituições que atuam neste segmento. A qualidade de ensino está sendo obtida pelo abandono dos métodos tradicionais. Com o uso de novos materiais de ensino online com tutores, aulas de professores com invejável capacidade didática transmitida por satélite, acordos de franquias para centros locais de ensino com formação de moderadores.

O material informatizado de cursos adaptados que acompanha o progresso dos alunos, reagindo às solicitações deles com explicações e exemplos, respondendo rapidamente às questões formuladas, absorvendo parte da tecnologia existente em outros segmentos, inclusive no exterior.

Chegou-se a este presente estágio com o uso de muitas experiências passadas, como os cursos preparatórios para os vestibulares nas Universidades. Bem como o ensino secundário utilizando a informática, inclusive a longas distâncias como para os brasileiros residentes no Japão. A Unopar, uma Universidade em Londrina no Estado do Paraná, foi adquirida pela Kroton em 2011 e é hoje uma das suas marcas mais conhecidas.

Há uma década tornou-se a primeira instituição do Brasil a obter o reconhecimento federal para a formação de professores à distância. O mesmo sistema foi adaptado para outros cursos online, chegando hoje a 150 mil estudantes inscritos em todo o país. Inclui até um centro de 300 alunos num lugar remoto do Estado do Pará, na Amazônia, chamado Oriximiná, onde o acesso só é possível por um pequeno avião ou 12 horas de viagem de barco, a partir de Manaus.

O problema é manter nestes centros o interesse dos alunos, com grande flexibilidade, para evitar o abandono. Os encontros semanais quando os alunos assistem às transmissões provenientes das sedes, seguidos de uma discussão moderada, mantém os alunos envolvidos nos seus próprios caminhos. Suas perguntas permitem uma interação instantânea, trazendo um contínuo melhoramento do curso.

A Anhanguera Educacional é mais conhecida pelos seus alunos no campus, muitos no período noturno para os que trabalham durante o dia, como outras instituições que se multiplicam em metrópoles como São Paulo, nos seus bairros e periferia. No seu campus na Vila Mariana, um bairro de classe média de São Paulo, conta com um centro de mídia com uma dúzia de estúdios, a partir dos quais as aulas são transmitidas para todo o Brasil, contando com 39 canais de transmissão.

Professores são treinados para contarem com uma elevada capacidade didática aperfeiçoando seu talento, capaz de manter a atenção e o interesse dos alunos. A dimensão das compras permitem custos baixos, como para os livros didáticos. As mensalidades são modestas, algo como R$ 400 para os cursos no campus, e R$ 250 a R$ 300 aos ministrados à distância.

O ensino universitário público no Brasil não permite a cobrança dos cursos e os professores tendem a apresentar dificuldades por não serem obrigados a atender os interesses dos alunos, salvo exceções. No setor privado eles dependem de suas boas performances. Como existem avaliações efetuadas pelo Ministério da Educação os subsídios são somente concedidos para os que conseguem obter bons resultados.

Todos os cursos da Kroton e Anhanguera foram desenvolvidos para serem ministrados em português. Na pirâmide educacional brasileira ainda existem muitos espaços para ensinos superiores, numa economia e sociedade que está demandando o aperfeiçoamento da qualidade dos seus recursos humanos. Com a acirrada concorrência entre as múltiplas instituições privadas do setor, os aperfeiçoamentos tendem a ter continuidade.

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