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Empresários e as doações de campanha eleitoral

por Coluna do Leitor — publicado 01/09/2010 17h00, última modificação 02/09/2010 16h57
Eike Batista declarou que doou dinheiro para as principais candidaturas à Presidência da Republica, tanto de Dilma Rousseff (PT), como José Serra (PSDB)

Por Paulo Daniel*

Em entrevista no novo “Roda Viva” na TV Cultura, agora coordenado por Marília Gabriela, o empresário e o homem mais rico do Brasil Eike Batista declarou que doou dinheiro para as principais candidaturas à Presidência da Republica, tanto de Dilma Rousseff (PT), como José Serra (PSDB).

Quando foi perguntado por qual motivo; respondeu: “Em prol da democracia”.

O fato concreto é que o capital não tem pátria e muito menos ideologia e, também, não se importa com a democracia; pelo menos até o momento, nenhum empresário reclamou do “milagre econômico”, um dos períodos mais cruéis da ditadura militar no Brasil.

É importante destacar que Eike Batista está cumprindo seu papel de empresário, defendendo o seu patrimônio e capital, o que concretamente deseja, independentemente de quem irá assumir a Presidência da República, é que seus negócios não sofram interferência da burocracia estatal e do regulacionismo econômico, e claro, com toda a certeza, será atendido.

Este “artifício” ou “trunfo” utilizado por Eike Batista não é sua peculiaridade e, sim, de muitos grandes empresários brasileiros que tem relações próximas com o governo federal. Pelo menos em seu ato, Eike não foi hipócrita, mas, talvez, o tenha sido na resposta.

Esse tipo de doação, apesar de ser completamente legal, na realidade, cria uma distorção muito grande na democracia, pois não há igualdade de condições.

Por isso, caso realmente o Presidente Lula, venha a se embrenhar na possível reforma política brasileira, é mais do urgente pensar no financiamento público de campanha, pois aumenta a transparência, nivela as candidaturas e fortalece de fato, a democracia.

As políticas econômicas, sociais e públicas devem ser pautadas não de acordo com a doação realizada por cada doador, mas sim, pela necessidade de se executar políticas que beneficiem a maioria, sempre objetivando a justiça, a fraternidade e o desenvolvimento econômico, social e sutentável.

*Editor do blog “Além de economia” e economista, mestre em economia política pela PUC-SP.

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