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Em primeiro debate na internet Serra sobe o tom e Dilma se mostra tranquila

por Redação Carta Capital — publicado 18/08/2010 14h07, última modificação 18/08/2010 15h39
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Na internet candidatos são mais críticos e provocadores do que no debate na TV

O debate promovido pela Folha de S. Paulo e UOL, que aconteceu na manhã desta quarta-feira 18 foi intenso e com questões bastante incisivas por parte de todos os candidatos. A discussão foi aberta com uma pergunta sobre reforma política feita por Marina Silva a Dilma Rousseff. O tema foi abordado ainda no terceiro bloco do debate, mas a discussão fria sobre reformas foi quebrada pela postura mais incisiva de José Serra. O candidato tucano levantou assuntos como o mensalão e a herança dos governos Itamar Franco e FHC, chegando a qualificar Dilma como “ingrata”. A candidata petista foi mais clara e segura do que no primeiro debate, promovido pela TV Bandeirantes.

Marina Silva também bateu de frente com Serra, ao abordar a questão da educação em São Paulo e afirmar que "em 20 anos de PSDB em São Paulo, não há um exemplo de educação que possa ser transformado em política pública".

Em outro ponto alto, Serra rebateu ataque de Dilma em referência ao DEM, partido do vice de Serra: a petista lembrou que a legenda entrou com um processo no Supremo Tribunal Federal para acabar com o ProUni. O tucano contra-atacou “o PT já aprontou em matéria de 'quanto pior, melhor' no Brasil não está escrito”.

A educação segue como questão central em boa parte do debate. Em pergunta à Dilma Serra se refere ao vazamento do exame do Enem . “Nós sabemos que qualquer sistema do mundo é passível de ser vazado. Recentemente o Departamento de Estado dos EUA teve vazamentos relativos à guerra do Afeganistão. Ela afirma que 231 instituições têm acesso a esses dados cadastrais do Enem.”

Dilma questiona Marina sobre o programa Minha Casa Minha Vida e ela afirma que programas como o “'Minha Casa, Minha Vida' são muito importantes e não devem ser tratados como conquista de um partido. Esses programas têm que ser mantidos. As pessoas têm que viver com dignidade, ter melhor mobilidade. Hoje é perfeitamente possível fazer com que o lugar onde se mora seja também um lugar bom de se viver. As pessoas devem morar mais perto do trabalho, do lugar onde estudam. A minha posição é de respeito com as conquistas dos últimos 16 anos. Não tenho atitude de oposição pela oposição. É um grande desafio que a moradia seja um lugar decente para se viver.”

Em clima ameno, mas ainda com acusações, Marina diz que não se deve opor meio ambiente a desenvolvimento e que não tem como separar qualidade de vida de crescimento econômico. A candidata lembrou ainda da favela virtual no programa eleitoral, que foi ao ar pela primeira vez ontem. “Eu, nesses últimos dias, visitei regiões complicadas, no Recife, no Rio de Janeiro, em São Paulo. Vi uma comunidade em São Paulo, que não tem dono, próximo à Diadema, sem nenhum equipamento público, com 10 mil moradores abandonados pelas autoridades, com casas com infiltração, sem tratamento de esgoto. Eu não entendi, já que no seu programa de governo ontem teve uma favela virtual, quando eu visitei uma favela muito real ontem. Acho que temos de debater os fatos.”

Marina é destaque no debate levantando questões delicadas e retoma o assunto reforma política. ''Todos são favoráveis às reformas, mas parece que num passe de mágica elas se realizam. Mas eu insisto: essas reformas não sairão do papel, porque a composição política da ministra Dilma é a mesma que interditou a reforma política durante 8 anos, e o mesmo para a composição política de José Serra durante o governo FHC.''

Serra culpa o governo Lula por altas cargas tributárias, mas Dilma rebate, dizendo que ele trouxe à discussão informações antigas. “Ao longo deste governo tivemos uma prática sistemática de redução de impostos. IPI de automóveis, construção civil, linha branca, todo um esforço para não ter queda de emprego”, afirmou Dilma.

Com o debate se encaminhando para o final, ficava mais evidente a impressão de que Serra foi para o debate com um tom mais agressivo e duro, comparando com a discussão na Band. Dilma, mais segura, conseguiu evitar respostas ásperas e manteve-se calma, dialogando com Marina e Serra de maneira menos exaltada. A candidata do PV surpreendeu ao atacar Serra e poupar Dilma, chegando a elogiar o governo Lula em pelo menos três oportunidades.

Serra conclui falando da importância da internet e diz que no seu governo vai turbinar e tornar mais ambicioso o projeto de banda larga no Brasil “que ainda está muito atrasada”, diz. Também diz que quer para todo o País, “abrir caminho para que os jovens e as famílias possam prosperar. Não só vou reforçar mas vou incentivar que os jovens do Bolsa Família possam progredir”.

A saúde da petista é alvo do jornalista do UOL Rodrigo Flores. Dilma agradece a pergunta e afirmou contundente, “o câncer é uma doença curável, principalmente quando é detectado logo no início. Quero acabar com o preconceito que cerca essa doença. Eu me considero totalmente reestabelecida.”

Marina termina sua participação falando que "a educação faz milagre na vida das pessoas eu sou o milagre da educação, eu quero isso para todos os brasileiros". Em referência a Serra, em tom mais amigável, disse que seria bom se mais crianças, pudessem um dia falar que é filho de feirante e que hoje é economista.

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