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Eletrobrás contesta as duas denúncias do final de semana

por Redação Carta Capital — publicado 18/10/2010 10h15, última modificação 18/10/2010 10h28
Diretor da estatal Valter Cardeal é acusado de favorecimento a irmão e omissão de informação em empréstimo internacional

Diretor da estatal Valter Cardeal é acusado de favorecimento a irmão e omissão de informação em empréstimo internacional

A duas semanas das eleições - e com o resultado ainda indefinido segundo as pesquisas de opinião – aquece-se o painel de denúncias entre as campanhas dos dois candidatos. Como era de se esperar, o final de semana trouxe novos casos às páginas de jornais e revistas. Um deles, tem um alvo comum para a Folha de S.Paulo e a revista Época. No jornal paulista, o engenheiro Edgar Luiz Cardeal, irmão do diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras, Valter Luiz Cardeal de Souza, é acusado de usar do prestígio do parente para negociar projetos de energia eólica para empresas por ele representadas.

Já na Época, o mesmo diretor Valter Cardeal tem seu nome ligado a uma fraude em um empréstimo internacional. Segundo a denúncia, o banco alemão KfW entrou com uma ação contra a CGTEE afirmando que a empresa tinha conhecimento de que seriam falsas as garantias que foram dadas a um financiamento para a construção de usinas de biomassa. A CGTEE é subsidiária da Eletrobras e Cardeal preside seu conselho de administração.

A candidata Dilma Rousseff defendeu na imprensa neste domingo 17 o diretor Valter Cardeal no caso do banco alemão. A petista afirmou que o financiamento teve um aval ilegal e que por conta disso o diretor responsável pelo aval foi demitido. Segundo ela, a denúncia se trata de “fofoca”, e quem a divulga estaria tomando as dores do banco alemão.

Sobre a denúncia veiculada pela Folha, que tratava de um suposto favorecimento para o irmão do diretor Cardeal, Dilma Rousseff preferiu apenas dizer que a denúncia era “estranha”, pois se desmentia no final. Afirmou também que o acusado deveria responder à acusação.

CartaCapital recebeu uma carta do diretor Valter Luiz Cardeal de Souza defendendo-se da denúncia. Recebeu também uma nota conjunta da CGTEE e da Eletrobrás sobre o caso do banco KfW. Reproduzimos abaixo a íntegra da carta de Valter Cardeal e damos o para a nota conjunta das duas empresas.

Leia a nota abaixo:

Com relação à matéria de capa da edição da Folha de 17.10.2010 – “Irmão de diretor de estatal negocia projetos de energia” – venho esclarecer os seguintes aspectos:

1- o engenheiro Edgar Luiz Cardeal é meu irmão e trabalha em projetos de energia elétrica há mais de 42 anos. Nenhum desses projetos faz parte de programas sob a minha coordenação, portanto, não há conflito de interesses entre as atividades de meu irmão e as minhas, no Sistema Eletrobras;

2- Quanto ao PROINFA – Programa de Incentivo de Fontes Alternativas de Energia Elétrica, criado pela Lei n° 10.438, de abril de 2002, os projetos contratados foram habilitados e selecionados através de um certame público, iniciado e encerrado em 2004. Desde então nenhum outro empreendimento foi contratado no âmbito do PROINFA;

3- Reafirmo que o engenheiro Edgar Luiz Cardeal, não presta serviços a empresas do Sistema Eletrobrás. Ele trabalha como consultor, engenheiro e empresário, para projetos do setor elétrico privado, por meio da DGE Desenvolvimento e Gestão de Empreendimentos, empresa de sua propriedade. As condições de pagamento dos serviços contratados com a DGE são estabelecidas apenas pelas partes contratantes;

4- de acordo com o atual modelo do setor elétrico brasileiro, implementado no ano de 2004, a compra e venda de energia elétrica é efetivada por meio de leilões públicos. A fiscalização da aplicação do modelo é de responsabilidade da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL;

5- não é verdadeira a informação de que o Governo compra energia. A energia é comprada pelas empresas concessionárias de distribuição, auto-produtores, consumidores livres e cooperativas de eletrificação rural. Esta compra ocorre por intermédio de leilões públicos, vencendo aqueles produtores de energia que ofertarem o menor preço, o que contribui para uma menor tarifa, em benefício da população;

6- portanto, repudio com todas as letras a reportagem. A única verdade sem distorção no texto publicado é a de que meu irmão Edgar Luiz Cardeal é um reconhecido profissional e empresário do setor elétrico. Ao que me conste, não há ilegalidade alguma em ter um irmão ganhando a vida honestamente, de acordo com as leis de mercado.

Rio de Janeiro, 17 de outubro de 2010

Valter Luiz Cardeal de Souza

Diretor de Planejamento e Engenharia da ELETROBRAS

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