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Política

Disputa Eleitoral

Dilma ultrapassa Serra no Pampa gaúcho

por Paulo Cezar da Rosa — publicado 09/08/2010 10h27, última modificação 09/08/2010 10h27
Talvez seja cedo para afirmar, mas Serra está colhendo o resultado da política que implementou no Rio Grande do Sul

Pesquisa do Ibope, realizada de 3 a 5 de agosto, mostra pela primeira vez que Dilma ultrapassou Serra no Rio Grande do Sul. Com relação ao levantamento anterior do instituto, de princípios de julho, Serra caiu de 46% para 40%, e Dilma cresceu de 37% para 42%. Dentro da margem de erro, os dois estão empatados, mas a esta altura da disputa a tendência é o que mais importa – e a tendência indica que Dilma, tendo ultrapassado Serra no começo da corrida eleitoral, vai disparar no Rio Grande do Sul.

Conforme o Ibope, Dilma ganha também na intenção de voto espontânea. Tem 33% das intenções de voto contra 31% do tucano. E num eventual segundo turno, Dilma vence novamente: a candidata de Lula tem 45% contra 44% do tucano. Ou seja, Serra começa a perder num dos estados em que parecia quase impossível à candidata lulista vencer.

O peixe morre pela boca - Talvez seja cedo para afirmar, mas Serra está colhendo o resultado da política que implementou no Rio Grande do Sul. Primeiro, o tucano abandonou sua governadora à própria sorte; no momento seguinte, veio ao estado pela mão de atores secundários no PMDB, que já estava comprometido nacionalmente com Dilma, através de Temer como candidato a vice; por fim, mostrou-se errático na linha de campanha, ora agressivo e rebaixado, como no episódio das FARC, ora positivo e salvador da pátria, prometendo tudo o que os tucanos no poder nunca fizeram.

Meu pai resumiu bem: “É só dar um microfone para o Serra que ele perde a eleição”, afirmou ele. Na sua análise, Serra está dizendo que vai fazer tudo o que Fernando Henrique foi contra e o o governo Lula já fez ou está fazendo. “É um discurso que subestima a nossa inteligência e o povo não é mais uma maria vai com as outras”, conclui ele.

A maior exposição de um Serra “propostista”, quando começar a campanha na TV, pode acelerar sua perda de posições nos últimos quarenta dias de campanha. Foi o que aconteceu em 2002. Serra tentou fazer de conta que não tinha nada a ver com o governo de FHC. Quando iniciou a campanha na TV, prometia desde empregos às centenas de milhares até o fim das filas do SUS. Seu discurso caiu no vazio, porque não era verossímil, não tinha credibilidade.

Descolamento - Na mesma pesquisa em que Dilma cresce e Serra cai, aparece um outro movimento na eleição para o governo do Estado. Na disputa para o governo gaúcho, é Tarso Genro quem cai dois pontos, de 39 para 37. Seu oponente, José Fogaça sobe dois pontos, de 29 para 31. E a governadora Yeda Crusius cai de 15 para 11. A oscilação tanto de Tarso quanto de Fogaça se deu dentro da margem de erro da pesquisa. Já a candidata tucana caiu fora da margem de erro.

De conjunto, os números indicam estar havendo um descolamento da dinâmica da eleição nacional com relação à disputa estadual. E na briga entre Fogaça e Yeda para ver quem vai para o segundo turno enfrentar Tarso Genro, Fogaça, depois de diversos percalços no começo da campanha, está começando a jogar o seu jogo.

Para o Estado, na espontânea, a pesquisa indica haver 51% de indecisos. É um número elevado, tendo em vista que, para presidente, os indecisos já são apenas 27%.. Mais da metade dos eleitores ainda indefinidos significa que ainda há muita disputa pela frente.

Lulismo cresce - A força política que mais cresce hoje no Rio Grande do Sul é o lulismo. O fenômeno é recente. Até porque o que hoje pode ser chamado de lulismo é muito diferente do PT gaúcho e do próprio Lula que os gaúchos elegeram antes da Carta aos Brasileiros, em 2002. O lulismo hoje ultrapassa quase todas as fronteiras partidárias e se instala como um novo modo de equacionar a política e os negócios de Estado. Para os gaúchos, o lulismo soa como uma espécie de pós-neoliberalismo que dá certo.

A dificuldade no Rio Grande do Sul até agora com o lulismo é que os benefícios de sua ação eram mais direcionados ao resto do país. A chegada de um conjunto de obras e investimentos, mais recentemente, parece estar fazendo os gaúchos mudarem de ideia. Com isso, Dilma vai vencer também no pampa gaúcho. Para o Brasil seguir mudando e Rio Grande do Sul também.

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