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Política

Brasília

Dilma toma posse: “Sou a presidenta de todos os brasileiros”

por Felipe Corazza — publicado 01/01/2011 16h03, última modificação 04/01/2011 17h24
No Congresso Nacional, a primeira mulher a comandar o Brasil reforçou o compromisso com a erradicação da pobreza e a coordenação com os países emergentes
Dilma toma posse: "Sou a presidenta de todos os brasileiros"

No Congresso Nacional, a primeira mulher a comandar o Brasil reforçou o compromisso com a erradicação da pobreza e a coordenação com os países emergentes. Foto: Agência Brasil

O Brasil tem, oficialmente, uma mulher no comando. Dilma Rousseff tomou posse na tarde deste sábado 1 em Brasília. A presidenta assinou o termo de posse no Congresso Nacional às 15h. Apesar da forte chuva que caiu na capital federal, milhares de pessoas aguardaram na Esplanada dos Ministérios para acompanhar a transmissão do cargo. A passagem da presidenta em carro aberto, no entanto, precisou ser cancelada por conta do temporal. Ela fez o percurso no Rolls Royce presidencial, mas com a capota fechada.

Após o cortejo inicial, a presidenta e o vice, Michel Temer, chegaram ao Congresso Nacional, entrando pela chapelaria, devido à chuva. Recepcionados pelo presidente do Senado, José Sarney, e da Câmara, Marco Maia, eles eram aguardados pelos convidados, entre eles, autoridades estrangeiras como Hugo Chávez, presidente da Venezuela, e Felipe de Bourbon, príncipe das Astúrias.

A presidenta iniciou seu mandato com um discurso no plenário do Congresso. Dilma começou enaltecendo as mulheres e o fato de ser a primeira a ocupar a presidência da República: "Hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto uma imensa honra por essa decisão do povo brasileiro. Sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa dessa ousadia do voto popular. Meu compromisso supremo é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos"

Emocionada, Dilma falou sobre Lula: "Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida". A presidenta afirmou que Lula foi "um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar mais em si mesmo e no próprio país", e foi muito aplaudida ao lembrar do ex-vice-presidente José Alencar, internado em São Paulo para mais um episódio de sua luta contra o câncer: "Que exemplo de coragem e de amor à vida nos dá esse homem."

Sobre o futuro, Dilma declarou que o país vive um dos melhores períodos da vida nacional, mas que é preciso manter a estabilidade econômica, controle rígido da inflação e combate ao desequilíbrio externo para que a situação se mantenha. Ela também prometeu incentivos ao setor privado de pequeno porte e afirmou que não fará "a menor concessão" em relação ao protecionismo econômico dos países ricos.

A presidenta também defendeu reformas e austeridade na máquina pública. "É tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia. Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público". Dilma também citou o desafio de conduzir a exploração do petróleo da camada pré-sal: "O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será realmente se produzir uma síntese de avanço tecnológico, avanço ambiental e avanço social."

A questão social, que tanto marcou os discursos de posse de Lula, foi trazida por Dilma: "A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos. Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe pobreza a envergonhar nosso país e a impedir a nossa afirmação plena como povo desenvolvido. Não vou descansar enquanto houver brasileiros sem alimentos à mesa".

A respeito das relações externas, a presidenta mencionou fortalecimento das relações entre os países latino-americanos, do Mercosul e da Unasul. Citou as relações com África, Oriente Médio, Europa e Ásia. Por último, ressaltou a importância da relação com os Estados Unidos e afirmou que continuará mantendo um bom diálogo com Washington.

Encaminhando-se para o fim do discurso, Dilma fez um apelo à participação de todos os níveis de governo e setores da sociedade na condução do governo. "O destino de um país não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras". Com a voz embargada, a presidenta "estendeu a mão" aos partidos de oposição e aos segmentos que não a apoiaram na campanha eleitoral. "A partir deste momento, sou a presidenta de todos os brasileiros."

A lembrança dos companheiros de luta contra a ditadura foi muito aplaudida no Congresso: "Eu dediquei toda a minha vida à causa do Brasil. Entreguei minha juventude ao sonho de um país justo e democrático. Suportei as adversidades mais extremas. Não tenho qualquer arrependimento, tampouco ressentimento ou rancor. Muitos da minha geração que tombaram pelo caminho não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles a alegria desta conquista e rendo-lhes minha homenagem. Esta às vezes dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida"

Dilma encerrou o discurso citando Guimarães Rosa: "O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem".

Assim, tomou posse a primeira mulher a ocupar a cadeira de presidente da República Federativa do Brasil.

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