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Política

Eleições 2014

Dilma Rousseff é reeleita presidenta do Brasil

por Redação — publicado 26/10/2014 20h32, última modificação 27/10/2014 17h36
Petista conquistou 51,64% dos votos, enquanto Aécio Neves (PSDB) obteve 48,36%
Ichiro Guerra/ Dilma 13
dilma rousseff

Candidata à reeleição protagonizou com Aécio Neves a disputa presidencial mais acirrada desde 1989

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Na mais acirrada disputa pelo Palácio do Planalto desde o segundo turno de 1989, a presidenta Dilma Rousseff (PT) foi reeleita neste domingo 26, derrotando o senador Aécio Neves (PSDB). Com 99,98% das urnas apuradas, a petista conquistou 51,64% dos votos no segundo turno, contra 48,36% obtidos pelo senador tucano.

Dilma Rousseff venceu em todos os estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), em quatro do Norte (Amapá, Amazonas, Pará e Tocantins) em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. A petista teve 54,4 milhões de votos, pouco mais de 11 milhões a mais que os obtidos no segundo turno. Seus melhores desempenhos em termos percentuais se deram no Maranhão (78,75%), Piauí (78,3%) e no Ceará (76,75%).

Aécio Neves venceu em toda a região sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), em todo o Centro-Oeste (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), além de São Paulo, Espírito Santo, Roraima, Rondônia e Acre. A maior margem de vitória de Aécio se deu em Santa Catarina (64,59%), seguido por São Paulo (64,3%). No total, o tucano ganhou mais de 16 milhões de votos no segundo turno, alcançado mais de 51 milhões.

Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o percentual de abstenção foi de 21,10%, enquanto 1,71% votaram em branco e 4,63% votaram nulo.

Apesar da tradicional polarização entre petistas e tucanos, a eleição de 2014 ficará marcada também por outros atores e acontecimentos, como o trágico acidente de avião que matou o ex-governador de Pernambuco e então candidato do PSB à Presidência, Eduardo Campos, em 13 de agosto.

No primeiro turno, além da morte de Campos, denúncias de irregularidades marcaram a disputa. Como no fim de julho, quando Aécio foi bombardeado com a informação de que havia construído quando era governador de Minas Gerais, um aeroporto no terreno do próprio tio na cidade de Cláudio (MG).

Já Marina Silva (PSB), que assumiu como vice de chapa após a morte de Eduardo Campos, largou com 21% da preferência do eleitorado, à frente de Aécio (20%), e em pouco mais de 15 dias, saltou de 21% para 34%, chegando a empatar com Dilma. No entanto, polêmicas - como o recuo em propostas como casamento gay e criminalização da homofobia -, combinadas aos ataques de PT e PSDB, desconstruíram sua candidatura às vésperas do primeiro turno. Petistas acusavam Marina Silva de ser ligada aos banqueiros, por propor a independência do Banco Central e ter entre os membros da campanha a educadora e empresária Neca Setubal, filha do dono do Banco Itaú. Já o PSDB, que havia perdido boa parte de seus eleitores para a adversária, tentava atrelar Marina Silva ao PT e ao escândalo do “mensalão”, pois ela era filiada ao partido na época que o esquema veio a público.

Tudo isso fez com que Marina despencasse dos 34% para 21% um dia antes da realização do primeiro turno, que terminou com 41% para Dilma contra 33% do tucano e apenas 21% da ex-ministra. Em meio ao resultado e o clima de euforia por partido dos tucanos, Dilma foi bombardeada pela denúncia de que o tesoureiro do PT, João Vaccari, havia recebido propina do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. O assunto se tornou o mote da campanha do tucano e ele apareceu na frente da petista na primeira pesquisa do segundo turno.

Em meio a denúncias, Aécio e Dilma protagonizaram uma campanha de segundo turno marcada por uma intensa troca de acusações. A poucos dias do segundo turno, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou os ataques feitos por Aécio a Dilma nos debates eleitorais entre os dois e disse que o tucano "não teve educação no berço". Além disso, comparou os adversários do PT a nazistas e a Herodes, governante da Judeia, sob o mando de quem Jesus Cristo foi assassinado. "De vez em quando, parece que estão agredindo a gente como os nazistas agrediam na Segunda Guerra Mundial", afirmou Lula. "Vocês são mais intolerantes que Herodes, que mandou matar Jesus Cristo", disse.

O baixo nível e as comparações com o nazismo não foram exclusividade do PT. Aécio também comparou o marqueteiro de Dilma, João Santana, ao ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels. Além disso, usou um tom agressivo ao questionar a liberdade no Brasil sob o governo petista. "Quero dizer a todos os brasileiros: comigo, não. Eu não tenho medo do PT. Vou vencer o PT. Vou libertar o país desse partido político que tomou conta do Brasil e esqueceu dos brasileiros”, disse o tucano.

No aspecto político, o segundo turno de 2014 será lembrado como um dos mais acirrados desde 1989. Pela primeira vez em 26 anos, um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno chegou a liderar, mesmo que numericamente, as pesquisas de intenção de voto no segundo turno, como aconteceu na semana passada com Aécio Neves. O tucano alcançou 51% dos votos válidos contra 49% de Dilma. Mas a petista reverteu o favoritismo três dias antes da votação.