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Dilma enfrenta novos protestos neste domingo

por Marcelo Pellegrini — publicado 12/04/2015 06h47, última modificação 12/04/2015 07h25
Como em 15 de março, a pauta principal é a derrubada do governo, mas há divergências quanto ao método: impeachment ou golpe militar
Fotos Públicas
Protestos 15 de março

Em São Paulo, o número de manifestantes que compareceram ao protesto anti-governo do dia 15 de março gerou polêmica entre a Polícia Militar e o Instituto DataFolha

Após milhares de pessoas terem tomado às ruas para protestar contra o governo Dilma no dia 15 de março, movimentos anti-governo preparam uma nova onda de atos pelo País neste domingo 12 que, segundo os organizadores, devem ocorrer em centenas de cidades.

A organização das manifestações é liderada por grupos pró-impeachment como o Vem Pra Rua, o Movimento Brasil Livre e o Revoltados Online e também por facções pró-golpe militar, como o SOS Forças Armadas. A convocação, entretanto, se dá de forma difusa, em especial pelas redes sociais. Segundo o Datafolha, 91% das pessoas presentes nos protestos do dia 15 de março disseram não ter ligação com nenhum dos grupos organizadores. Entre os que declararam ter ligação, 3% disseram fazer parte do Vem pra Rua, 2%, do Revoltados Online, e 1%, do MBL, entre outros menos citados.

A falta de coesão entre os diferentes grupos organizadores é um fator que gera incertezas sobre o tamanho dos protestos deste domingo 12. Na quinta-feira 9, o MBL entrou com uma liminar na Justiça para garantir que seu carro de som fique a uma distância mínima de 400 metros dos levados por grupos pró-intervenção militar, como o SOS Forças Armadas.

A Polícia Militar paulista, responsável por garantir que os protestos ocorram de forma segura, disse que não há a expectativa de que o número de manifestantes supere o público dos protestos de 15 de março na cidade. Segundo a corporação, cerca de 1 milhão de manifestantes compareceram aos ato de março. O instituto Datafolha questiona a estimativa da PM dizendo que, segundo seu levantamento, cerca de 210 mil pessoas ocuparam a Avenida Paulista. Com isso, os números do instituto de pesquisa são 4,7 vezes menores do que a estimativa da PM, o que lançou dúvidas sobre a forma pouco transparente que ocorre a contagem de público feita pela corporação.

Outra crítica atribuída à Polícia Militar é a mudança da tabela de jogos do Campeonato Paulista. Oficialmente, a mudança tem como objetivo evitar que duas grandes concentrações de pessoas, manifestantes e torcedores, se encontrem em um mesmo local e horário. Por isso, assim como ocorreu em março, quando o jogo do Palmeiras foi alterado das 16h para às 11h do domingo 15, a PM procurou a Federação Paulista de Futebol e acordou a mudança de horário dos jogos da semifinal do campeonato. Desta vez, Corinthians e São Paulo tiveram seus jogos transferidos para o sábado contra a Ponte Preta e Red Bull Brasil, respectivamente. No domingo, o Santos joga contra o XV de Piracicaba, na cidade de Santos, e o Palmeiras enfrenta o Botafogo de Ribeirão Preto, às 11 horas do domingo 15.

A antecipação do horário do jogo de domingo é alvo de críticas nas redes sociais por internautas que enxergam na medida uma forma de incitar a participação nos protestos.

PM
PM tuita foto agradecendo manifestantes na Paulista

Uma reunião entre as lideranças dos movimentos organizadores do protesto e a PM ocorreu a portas fechadas, na quarta-feira 8, para definir a estratégia de segurança do ato. Após a reunião, o porta-voz da PM, capitão Émerson Massera, comunicou que pedidos de manifestantes por selfies com integrantes da PM ou da Tropa de Choque não serão negados, assim como não foram no ato do dia 15. Para Massera, as selfies retratam a "filosofia de polícia comunitária” defendida pela corporação e são bem-vindas.

O comandante não comentou sobre a possibilidade de liberar as catracas do metro para os manifestantes, como ocorreu temporariamente durante o ato de março. Mas o Metrô é contrário à liberação gratuita do transporte aos manifestantes que desejem se incorporar ao protesto. Em outros protestos, como os de junho de 2013 e os contrários ao aumento da tarifa do transporte público, a PM usou balas de borracha e bombas de efeito moral para impedir que manifestantes pulassem as catracas das estações do Metrô.