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Política

Eleições 2014

Dilma e Aécio sobem o tom em debate no SBT

por Redação — publicado 16/10/2014 20h27, última modificação 17/10/2014 17h59
Confronto ficou marcado por temas como corrupção, nepotismo e até mesmo crise da água em São Paulo
Reprodução
aécio dilma

Encontro foi o segundo de quatro previstos até o dia 26

Botão Eleições 2014No segundo dos quatro debates previstos para o segundo turno, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) subiram o tom na troca de acusações na quinta 16. Além de terem trazido à tona temas presentes no encontro anterior como nepotismo, corrupção e crise na Petrobras, os candidatos à Presidência se provocaram entre perguntas e respostas.

A presidenta voltou a falar sobre nepotismo durante o governo de Aécio Neves em Minas Gerais e criticou o fato de o tucano ter empregado parentes em cargos públicos quando era governador (2003-2010) do segundo maior colégio eleitoral do País. "Eu nunca nomeei parentes para o meu governo. Gostaria de saber se o senhor fez o mesmo", perguntou Dilma. O presidenciável pelo PSDB disse que sua gestão ajudou algumas pessoas, mas não falou em nepotismo. “O meu governo beneficiou muito a minha irmã Andréa, figura extraordinária. Acham que eu sou o neto preferido de Tancredo, mas era ela. Ela assumiu o serviço de voluntariado do estado de Minas, me ajudou a coordenar a área de comunicação sem remuneração. A senhora não conhece Minas Gerais. Se conhecesse um pouco ia saber o respeito que Minas tem por ela”, disse o tucano ao lembrar da nomeação de Erenice Guerra, amiga de Dilma Rousseff, para a Casa Civil. “Não me meça com sua régua! Governei Minas Gerais com honradez. A senhora, infelizmente, tem permitido ao Brasil ver a mais baixa campanha de sua história democrática.”

Dilma retomou o tema sobre as verbas recebidas por rádios que apoiam o tucano no estado de Minas e foi acusada de mentir. “Candidata, a senhora está mentindo para o Brasil. Eu atendi a uma reivindicação histórica dos sindicatos das empresas de radiodifusão do estado. Todas as rádios receberam verbas de inserção. Pare de ofender Minas Gerais, candidata!”, retrucou Aécio.

Ao replicar uma pergunta do peessedebista na qual ele citava dados de um relatório do Unicef e pedia para o debate focar no futuro e “elevar o nível!”, depois de falar sobre corrupção na Petrobras – episódio no qual Aécio a acusou de “conivência ou incompetência” -, Dilma respondeu: “Antes de elevar o nível do debate, já que você o abaixou, não é possível que o senhor se esconda no ato de que investigar não é também investigar o seu partido. Vocês nunca deixavam investigar”, afirmou antes de ressaltar que seu governo foi o único que fez uma política nacional voltada para os jovens.

Até mesmo a crise da água em São Paulo serviu de munição no debate da quinta-feira 16. Ao ser criticada por causa da inflação e um cenário econômico desanimador, Dilma garantiu que a inflação está sob controle e condenou a tentativa de se criar um clima de pânico entre os brasileiros. “Vocês fizeram isso na Copa, dizendo que não tinha aeroportos. No caso da inflação é o mesmo. Nós temos tido dois choques de oferta. Um por conta da seca, essa mesma que está colocando São Paulo em uma situação insustentável”, lembrou. “Nós tivemos choque de preço da energia. O outro foi o choque de alimentos por conta da seca, tudo isso é passageiro. O que não é quando o senhor não investe e condena uma cidade do porte de São Paulo a ficar sem água. Isso é uma atribuição do governo do estado, então há responsáveis”, ao fazer uma menção discreta ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) no estado de São Paulo.

Ao afirmar que não combaterá a inflação com desemprego e arrocho salarial, Dilma rebateu também críticas à taxa de desemprego em seu governo dizendo que a gestão do também tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), anterior ao governo Lula, entregou o País com 11 milhões de desempregados. “Tínhamos a segunda maior taxa de desemprego do mundo, só perdíamos para a Índia”, afirmou.

Questionado por que os tucanos foram contra o Prouni e as escolas federais no Congresso Nacional, Aécio se irritou e disse: “Não coloque palavras na minha boca nem do meu partido! O Pronatec é uma inspiração do PEP, pergunte lá aos técnicos do Ministério da Educação, programa de ensino profissionalizante que foi ampliado, nós temos de reconhecer que precisa melhorar muito. Foi inspirado nas Etecs aqui de São Paulo e aproveito para cumprimentar o governador Geraldo Alckmin, que aqui me acompanha, pela sua extraordinária vitória. As boas propostas têm de avançar, o ProUni, candidata, foi uma inspiração, até porque a sua primeira experiência foi lá, foi em Goiás, no governo do PSDB, que permitiu que ampliasse oportunidades de vaga nas universidades”, disse Aécio.

O tucano criticou ainda a reivindicação do PT em relação à autoria e implementação de programas sociais no Brasil: “O PT tem uma mania, candidata. Infelizmente a senhora acha que é dona dos programas. Ninguém é dono do Brasil. Vamos falar para o telespectador, as telespectadoras, as boas coisas têm de continuar”. Dilma, por sua vez, reafirmou o fato de a política social ter sido alavancada na gestão Lula (2003-2010) e perguntou: “Se gostam tanto dos programas sociais, por que não fizeram antes, que eram governo?”

Tema recorrente nos últimos debates, o escândalo da Petrobras voltou a ser abordado por Dilma, que ressaltou o fato de o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra ter recebido propina para esvaziar a CPI da Petrobras. “Lamento que ele esteja morto, mas importa saber como recebeu, quando e para quem distribuiu”, disse.

A resposta de Aécio foi seguida por vaias da plateia que acompanhou o debate no estúdio de TV. “Aí vai uma diferença profunda entre nós. Não importa de qual partido vem, mas temos de investigar”, respondeu.

No terceiro e último bloco, Dilma levantou o tema de se dirigir sob efeito de álcool e outras drogas e perguntou: “Todos os anos, milhares de pessoas morrem por acidentes causados por motoristas embriagados. Eu queria saber o que o senhor acha e como vê a Lei Seca, e se todo cidadão deve se dispor a fazer exame de álcool e droga”. Aécio, irritado, respondeu: “Tenha a coragem de fazer a pergunta direta”. Eu tive um episódio em que parei em uma Lei Seca porque minha carteira estava vencida e não fiz o exame. Me arrependi e me desculpei disso”, afirmou. “Explique aqui porque mantém nomeada na Itaipu o tesoureiro do seu partido que recebia propina para alimentar a sua campanha. Não é possível a senhora queira fazer a mais baixa das campanhas até aqui. Não é possível que esse mar de lama em que se transformaram as redes. A senhora, por não ter tido em sua vida oportunidade de ter outras disputas, foi ungida por um presidente muito popular. O seu governo fracassou. A senhora parece que não foi presidente da república”.

A plateia aplaudiu e foi repreendida pelo apresentador Carlos Nascimento: “Vocês são muito queridos aqui, mas gostaria de pedir que não se manifestassem em respeito aos candidatos e aos telespectadores. Nós não estamos num programa de auditório, estamos num debate para a presidência da República”.

Após a manifestação da plateia, a candidata respondeu: “O senhor está reduzindo um tema importante. Não é o caso de o senhor, por ter passado por uma experiência, pessoalize tanto. Eu não dirijo sob álcool e droga. Esse é um tema importantíssimo para os nossos jovens”.

Ao final do debate, Aécio lembrou uma fala de Dilma sobre o fato de não haver ninguém acima da corrupção e todos estarem sujeitos a cometê-la. “A senhora terceiriza sempre as responsabilidades. Eu quero lhe dar a oportunidade de se desculpar com os brasileiros por essa afirmação", ofereceu o tucano.

“Candidato, candidato... O senhor não é um cidadão acima de qualquer suspeita. O que suspeitam do senhor e o que suspeitam de mim é o que suspeitam de qualquer pessoa. Nós temos que provar todos os dias a nossa integridade e a nossa honradez. Essa é uma questão exigida dos homens e das mulheres públicas”, disse Dilma.

Após as considerações finais dos candidatos ao final do programa, a presidenta afirmou ter sentido uma queda de pressão na saída do debate enquanto falava com repórter do SBT.