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Política

Transporte público

Dilma anuncia R$ 8 bilhões para SP e reforça discurso em investimento no transporte público

por Redação — publicado 31/07/2013 14h38, última modificação 31/07/2013 14h38
Presidenta liberou R$ 3 bilhões para corredores de ônibus e prometeu empenho para aportes no metrô, cerca de um mês após protestos na cidade se espalharem pelo Brasil
Marcelo Camargo / ABr

A presidenta Dilma Rousseff (PT) anunciou nesta quarta-feira 31 a liberação de 8 bilhões de reais em investimentos para a cidade de São Paulo por meio do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC). Em um evento na prefeitura, a mandatária prometeu ao prefeito Fernando Haddad (PT) mais aportes na cidade e reforçou o discurso no investimento no transporte público. Há pouco mais de um mês, a cidade foi o berço das reinvidicações do Movimento Passe Livre contra o aumento do preço das passagens.

Os protestos do MPL acabaram se espalhando por todo o País e fizeram a aprovação do governo Dilma despencar mais de 25 pontos segundo institutos de pesquisa.

O valor anunciado será dividido entre mobilidade urbana (3 bilhões), recuperação de mananciais das águas que abastecem a cidade (2,2 bilhão), obras de drenagem urbana (1,4 bilhão) e investimentos em 20 mil habitações do programa Minha Casa Minha Vida (1,5 bilhão). Com o dinheiro serão construídos 99 quilômetros de corredores de ônibus e terminais de integração, que passarão, entre outras regiões, pela zona Leste. Hoje, a cidade tem cerca de 125 quilômetros de corredores.

Dilma destacou o empenho do governo federal em investir em metrô, corredores de ônibus e VLTs na cidade, onde 55% da população usa o transporte coletivo diariamente. “Ao longo dos anos 80 e 90, uma das teorias divulgadas era a de que o Brasil não tinha renda suficiente para comportar o metrô. Mas como é possível que uma cidade como São Paulo não tenha transporte metroviário? Esse discurso fez com que a cidade se tornasse uma das metrópoles mundiais com o menor sistema metroviário do mundo. Temos que enfrentar esse desafio.”

Segundo a presidenta, 89 bilhões de reais foram investidos no Brasil por meio do PAC, cerca de 30% em São Paulo. “Destes novos 50 bilhões, é justo que os primeiros oito sejam em São Paulo, porque a cidade concentra o maior desafio do Brasil [no transporte público].”

Dilma destacou ainda os investimentos federais em metrôs em cidades como Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Recife. “Não é possível imaginar um espaço urbano sem um fluxo de transporte que permita o início da diminuição dos processos de marginalização social sem o metrô. Quando a população é empurrada para a periferia, o transporte tem que trazê-la para o centro.”

A presidenta destacou os esforços do governo federal em desonerar as folhas de pagamento das empresas de ônibus e o Pis/Cofins. E disse que o governo vai investir para que as cidades tenham um sistema de transporte público e urbano compatível com a necessidade de sua população. “As cidades no Brasil não podem impedir que as pessoas tenham o seu lazer e não pode criar uma barreira tão grande que elas precisem passar 6 horas por dia no transporte coletivo.”

Ela ainda propôs uma ampla reunião dos setores ligados à mobilidade para discutir a planilha de calculo das tarifas que, segundo ela, é de 20 anos atrás.

Outros investimentos

O valor liberado pelo governo federal também será usado para a recuperação de mananciais das represas de Billings e Guarapiranga. Para isso, a população que vive nestas áreas terá que ser removida, mas serão oferecidas 15 mil moradias do Minha Casa Minha Vida a estas famílias. “Essas moradias são importantes para permitir a retirada destas pessoas não apenas porque elas correm riscos, mas porque é fundamental para a qualidade destas obras”, disse Dilma. “O cuidado de oferecer moradia digna e de qualidade para a população é o que distingue as obras entre sustentáveis e não sustentáveis. E nos dá a certeza de que essas obras trarão melhorias para as condições de vida da população”.

Dilma ainda destacou o avanço do IDH municipal que mostrou que 74% das cidades brasileiras tiveram índices médios e altos de qualidade de vida em 2010, contra 1% em 1991. “Temos que incorporar o desafio da mobilidade urbana no IDH municipal. Assim como fomos capazes de melhorar o IDH, com um trabalho árduo da cidade e investimentos, seremos capazes de garantir a devolução do tempo às pessoas.”

Pacto federativo

No evento, Fernando Haddad destacou a necessidade de se reforçar o pacto federativo e buscar criar relações entre o governo municipal, estadual e federal que beneficiem a população e coloquem de lado interesses políticos. “Temos que tentar equacionar essa situação da melhor forma possível e deixar as divergências para o período eleitoral.”