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Rio de Janeiro

Dia de homenagear qualquer coisa

por Edgard Catoira — publicado 16/10/2011 09h53, última modificação 22/11/2011 15h00
O Poder Legislativo carioca não tem mais datas para comportar tantas homenagens: dia do urologista, do surdo, do ascensorista, do dançarino de dança de salão...

No feriado da última quarta-feira, dia 12 de outubro, dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, em muitas cidades do país aconteceram as marchas contra a corrupção.

O dia foi escolhido por organizações apolíticas para conscientizar os cidadãos no descanso do feriado.

No Rio, o sucesso foi positivo. Provocou boa movimentação e muita visualização na tarde da Avenida Atlântica, em Copacabana, inclusive ganhando o apoio do pessoal que bebia nos quiosques da orla.

Estas marchas, porém, não marcaram uma data para ser, todo ano, o Dia Contra a Corrupção, o que é uma pena.

A começar pelo Legislativo Municipal, pelo menos do Rio de Janeiro, principalmente se observarmos o que está disposto na Lei municipal nº 5.146/2010 e o número de projetos que tramitam na Câmara Municipal, selecionando datas para homenagear determinada categoria profissional, bairro, religião ou personalidade. Pelo andar da carruagem, a próxima providência do Legislativo carioca seguramente será a de revogar o calendário gregoriano e ganhar mais espaço no ano para tantos merecidos reconhecimentos que os vereadores descolam.

Os atuais 365 dias – e seis horas – de cada ano não comportam mais homenagens. Tem dia do contínuo, dia do office-boy, do urologista, da atenção à saúde sexual do homem, dia do surdo, dia do ascensorista, da babá, da esposa, do folclorista luso-brasileiro, do dançarino de dança de salão.

Tem dia para tudo! Até para quem não nasceu, pois o 25 de março é dedicado ao nascituro. Tem também a semana de combate aos ratos, a terceira do mês de maio. Tudo muito bonito, mas o principal dever do vereador é votar leis e fiscalizar o que é feito com o dinheiro arrecadado pela Prefeitura.

A imaginação, somada à falta de foco naquilo que realmente é importante, tornam nossos parlamentares cariocas zeros à esquerda, ou pior, fiscais cegos de um governo municipal que gasta cifras com muitos zeros à direita. Afinal, o cofre da Prefeitura do Rio está abarrotado. No Rio, neste ano, Eduardo Paes conta com uma receita 50% maior do que a da administração anterior, do economista Cesar Maia. E, com a chegada das eleições municipais do ano que vem, todos sabem como é, o temor é que se esvazie muito rapidamente, sem grande controle – e com o pretexto da realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Aí vale a pena lembrar a Suas Excelências, e aos eleitores, uma data que poderá ser definida até através do Judiciário como o dia da Integridade, talvez o mais importante de todos: o 7 de outubro de 2012 – com eleições municipais – momento exato para mandar para casa quem não levou a sério uma função pública que precisa reconquistar o respeito de todos. A Cidade Maravilhosa merece!

Por falar em Judiciário

Depois das declarações da Corregedora Nacional de Justiça, Eliana Calmon, sobre bandidos escondidos atrás da toga, surgiu uma nova imagem sobre os nossos magistrados.

Representante da associação dos juízes federais, Tourinho Neto, disse que se a remuneração dos juízes não subir logo, Suas Excelências terão que pedir esmolas.

Continha fácil: em um mês, um juiz federal ganha, por baixo, o que aqueles que recebem o salário mínimo levam 45 meses.

Sério: quero ser mendigo de toga!

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