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Política

Caso Bolsonaro

Declarações favorecem o combate à homofobia, diz senadora Marta Suplicy

por Liderança do PT no Senado — publicado 31/03/2011 12h33, última modificação 31/03/2011 12h33
"As pessoas não admitem esse tipo de preconceito. Nem o preconceito de raça e nem o homofóbico", diz Marta Suplicy sobre declarações de Bolsonaro. Por Eunice Pinheiro

Por Eunice Pinheiro

Em nota divulgada, nesta quarta-feira(30/03), a senadora Marta Suplicy (PT-SP) mostrou-se indignada com a postura do deputado Jair Bolsonaro, que nos últimos tempos protagonizou episódio envolvendo racismo e homofobia. Para a senadora, diante de um comportamento recorrente do parlamentar, a Câmara dos Deputados tem que tomar uma atitude. "Às vezes, parece que esse deputado vive numa civilização de barbárie e não numa sociedade que pretende ser civilizada e harmoniosa. A Câmara tem de tomar uma providência nesse sentido", reagiu.

Veja a entrevista:

LidPT – Como a senhora vê as declarações do deputado Jair Bolsonaro, que passaram do racismo para a homofobia. Seria uma estratégia para evitar ser processado, já que homofobia ainda não é crime?

Marta – Não tinha pensado nisso. Eu acho que ele não pensou nada na hora que falou. Ele simplesmente tem preconceito quanto a tudo. E depois, quando ele tentou consertar e pensou um pouco, ele pode ter realmente caminhado para isso. O que mostra a importância de a gente ter uma lei que o penalize como racismo.

Lid PT – Inclusive, a senhora emitiu uma nota criticando o deputado.

Marta – Sim, porque é inadmissível. Para tudo tem limite, principalmente para uma pessoa eleita como deputado federal. Ele não pode sair por aí falando tudo o que pensa. E muito menos, preconceitos, grosserias e desrespeito a tudo. Às vezes, parece que esse deputado vive numa civilização de barbárie e não numa sociedade que pretende ser civilizada e harmoniosa. A Câmara tem de tomar uma providência nesse sentido. É recorrente esse comportamento.

Lid PT – A senhora acredita que as palavras dele refletem o pensamento de uma maioria?

Marta – De jeito nenhum. Eu recebi centenas de emails, mas mais que isso, porque poderiam mandar para mim porque sabem que eu ficaria indignada com isso. Mas foi na rua, pessoas com as quais eu conversei, pessoas que têm emitido opinião, o povo mesmo. As pessoas não admitem esse tipo de preconceito. Nem o preconceito de raça e nem o homofóbico. Isso tem provocado muita indignação e, certamente, favorecerá a tramitação do projeto que combate e criminaliza a homofobia. Porque, realmente, a segunda grosseria desrespeito e fala preconceituosa dele foi homofóbica. Essa não tem uma criminalização ainda e ele poderia sair por essa brecha.

Lid PT – E sobre ao processo (ADPF 132), que está no Supremo Tribunal Federal e pode autorizar a união civil entre pessoas do mesmo sexo. A senhora está acompanhando isso?

Marta – Sim. Fomos conversar com o ministro Ayres Britto e estamos com muita esperança e uma expectativa muito forte. Ele me pareceu uma pessoa extremamente sensível e, obviamente, ele não pode adiantar o voto, mas acredito que todo o Supremo está sensibilizado para as questões de mulheres, as questões de raça, homofóbicas, de casamento homossexual. Tudo isso, porque o mundo mudou. Hoje, a questão de Direitos Humanos é uma prioridade e nós vimos, na semana passada, como o Supremo se manifestou por unanimidade com relação à Lei Maria da Penha. Foi muito firme e acredito que nós vamos ter surpresas nessa direção esse ano. Em relação aos Direitos Humanos e às posturas mais ousadas no Supremo. Eu fico muito feliz com tudo isso que tenho percebido.

*Matéria publicada originalmente em Liderança do PT no Senado.

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