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Política

Governo Dilma

Decifrando o enigma

por Plínio Arruda Sampaio — publicado 08/11/2010 10h19, última modificação 08/11/2010 11h46
O colunista Plínio Arruda Sampaio discorre sobre as perspectivas do governo de Dilma Rousseff e sugere uma oposição real a sua administração

Todos nós, quando nos questionamos sobre o governo Dilma, estamos como aquele jogador de pôquer que, temendo ter recebido cartas ruins, abre apenas a pontinha delas.

A pontinha do governo Dilma não é nada animadora. Os jornais noticiam que em conversa com o Presidente, Dilma discutiu medidas de preservação da estabilidade da moeda. Tradução: mais aperto em cima do povo, como, aliás, anunciamos nos debates eleitorais de que participamos. O PMDB já declarou que não arredará um pé de suas reivindicações, as quais, obviamente, não são mais dinheiro para a educação, porém mais cargos e ministérios para fazer negociatas. A presença de Palocci na equipe de transição não prenuncia uma Casa Civil expurgada dos comportamentos “Erenice”.

Logo as cartas terão que ser abertas e então veremos o que ainda não apareceu.

Se os mares da economia continuarem tranquilos, possivelmente não teremos grandes crises a curto prazo. Mas se os ventos externos mudarem, a aparente prosperidade cairá por terra como um castelo de cartas e então será necessário aplicar “medidas duras”, como dizem os burgueses quando querem tirar mais algum dinheiro do povo.

O que os corifeus do governo deixam de informar a população é que a atual “marolinha” não é fruto da boa gestão econômica do governo, mas dos efeitos contraditórios da crise internacional. Sem oportunidades de aplicação de capitais nas economias desenvolvidas, em razão da recessão que campeia nesses países, os capitais saem pelo mundo afora em busca de valorização financeira. Como o Brasil pratica o maior juro do mundo, eles correm em massa para o Brasil e propiciam ao governo tranquilidade cambial suficiente para favorecer o consumismo.

Mudando os ventos, o povo acordará do estado onírico em que se encontra e virá para as ruas exigir seus direitos. No comando do barco encontrará uma pessoa totalmente inexperiente. Rezemos para que isto não aconteça, porque o povo brasileiro não merece mais sofrimentos dos que já vem sofrendo há mais de vinte anos.

Mas que o desejo não obnubile o nosso raciocínio. Urge organizar uma oposição real ao novo governo. Não aquela oposição politiqueira, de direita, mas uma oposição objetiva, focada na defesa da economia popular.

Um bom instrumento para fazer esse tipo de oposição é organizar um grupo que estude a situação econômica mundial e as políticas governamentais, a fim de cotejar imediatamente às propostas do governo com as medidas que um governo popular tomaria. Seria muito importante que os partidos de esquerda considerassem essa possibilidade seriamente.

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