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Política

Tucanos na mira

CPI da Privataria está nas mãos de Marco Maia

por Redação Carta Capital — publicado 21/12/2011 13h36, última modificação 21/12/2011 15h52
O presidente da Câmara recebeu de Protógenes Queiróz o pedido para instaurar comissão, mas adianta que isso só pode acontecer em 2012
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Protógenes (foto), com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia

O deputado Protógenes Queiróz (PC do B-SP) entregou ao presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), o pedido para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre irregularidades em privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso, já chamada de CPI da Privataria.

O requerimento foi assinado por 206 deputados. A intenção é investigar as denúncias apresentadas no livro "A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.

O livro acusa o ex-governador José Serra de receber propinas de empresários que participaram das privatizações conduzidas pelo governo tucano entre 1995 e 2002.

Protógenes disse que não teme pressões para que deputados retirem as assinaturas até a análise do processo para a criação da CPI. Em sua página no Twitter, o deputado escreveu: “Vamos investigar a insustentável leveza do ter nas privatizações”. E pediu para que fosse iniciada imediatamente uma mobilização para que a comissão seja agora oficializada.

O presidente da Câmara, Marco Maia, explicou que as assinaturas serão conferidas pela Secretaria Geral da Mesa no início de 2012 e, se o pedido cumprir todas as exigências regimentais, a CPI será criada no próximo ano juntamente com as comissões parlamentares de inquérito sobre o tráfico de pessoas e sobre trabalho escravo.

 

No livro, que motivou o pedido da abertura da CPI, Amaury Ribeiro Jr destrincha, em 343 páginas, documentos inéditos de lavagem de dinheiro e pagamento de propina, todos recolhidos em fontes públicas, entre elas os arquivos da CPI do Banestado.

O ex-governador paulista José Serra, então ministro do governo FHC, é o personagem central da história. Segundo o livro, amigos e parentes do tucano operaram um complexo sistema de maracutaias financeiras que prosperou no auge do processo de privatização.

Ribeiro Jr. elenca uma série de personagens envolvidas com a “privataria” dos anos 1990, todos ligados a Serra, aí incluídos a filha, Verônica Serra, o genro, Alexandre Bourgeois, e um sócio e marido de uma prima, Gregório Marín Preciado. A obra aponta o ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil, o economista Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-tesoureiro de Serra e FHC, como o cérebro por trás da complexa engenharia de contas, doleiros e offshores criadas em paraísos fiscais para esconder os recursos desviados da privatização.

O livro traz, por exemplo, documentos nunca antes revelados que provam depósitos de uma empresa de Carlos Jereissati, participante do consórcio que arrematou a Tele Norte Leste, antiga Telemar, hoje Oi, na conta de uma companhia de Oliveira nas Ilhas Virgens Britânicas. Também revela que Preciado movimentou 2,5 bilhões de dólares por meio de outra conta do mesmo Oliveira. Segundo o livro, o ex-tesoureiro de Serra tirou ou internou  no Brasil, em seu nome, cerca de 20 milhões de dólares em três anos.

A Decidir.com, sociedade de Verônica Serra e Verônica Dantas, irmã do banqueiro Daniel Dantas, também se valeu do esquema. Outra revelação foi que a filha do ex-governador acabou indiciada pela Polícia Federal por causa da quebra de sigilo de 60 milhões de brasileiros. Por meio de um contrato da Decidir com o Banco do Brasil, cuja existência foi revelada por CartaCapital em 2010, Verônica teve acesso de forma ilegal a cadastros bancários e fiscais em poder da instituição financeira.

Em entrevista a CartaCapital, Ribeiro Jr. explicou como reuniu os documentos para produzir o livro, refez o caminho das disputas no PSDB e no PT que o colocaram no centro da campanha eleitoral de 2010 e afirmou: “Serra sempre teve medo do que seria publicado no livro”.

 

*Com informações da Agência Câmara