Você está aqui: Página Inicial / Política / No Rio, a disputa esquenta

Política

Rumo a 2012

No Rio, a disputa esquenta

por Edgard Catoira — publicado 12/10/2011 17h45, última modificação 13/10/2011 15h23
Paes está na dianteira, mas Maia e Garotinho, caciques que não se suportam, poderão unir seus rebentos na disputa

Todos os políticos brasileiros já estão na fase do “veni, vidi...” (vim, vi...) parte da frase do imperador romano Julio César, depois de conquistas territoriais. O final,“vinci”, ou venci, só será conhecido por todos em novembro de 2012, quando os novos prefeitos serão proclamados .

No Rio, contando com a máquina do Estado aparecem duas lideranças do PMDB: o governador Sergio Cabral precisando mostrar força elegendo o prefeito Eduardo Paes, candidatíssimo à reeleição. Contando, é claro, com a sólida coluna política do PT.

Cabral e Paes ou versus Paes? Eis a questão

Cabral tem a imagem de bom governador. Mostra bastante serviço principalmente na área da Segurança Pública. Mas sofreu com alguns recentes arranhões, como ter sido flagrado na Bahia descansando em viagem oferecida por importante empresário que tem contratos altíssimos com e Estado.  Também se empolgou demais durante a greve de Bombeiros, quando disse que eles eram “vândalos” por invadirem o quartel central durante um protesto. Essa afirmação pegou mal porque o carioca reagiu em massa e todos ficaram ao lado dos bombeiros, homens idolatrados pelos brasileiros. Cabral percebeu a gafe e, de público, pediu desculpas aos bombeiros. Outra cicatriz forte em seu governo foi o surgimento do escândalo de um comandante de importante batalhão da PM ser o mentor do assassinato da juíza Patrícia Aciloli, no município de São Gonçalo, parte do Grande Rio e segundo maior território eleitoral do Estado.

Trocado todo o comando da PM do Rio, Cabral agora está em época de muda, aguardando a recuperação da boa imagem que a corporação conseguiu alcançar sob sua administração.

O prefeito Eduardo Paes também tem aparecido bem depois que desencadeou a operação "Choque de Ordem", tentando organizar a baderna que é o dia a dia na cidade, que vai desde o trânsito caótico promovido por motoristas e pedestres, até estacionamentos irregulares, construções ilegais e a farra dos guardadores de carros. Também está recuperando o asfalto, pelo menos nos bairros mais nobres, por onde passam os formadores de opinião. Sua atuação também é bem vista pelo povo. E, como piada, corre nos próprios corredores da Prefeitura que o secretário de obras, Alexandre Pinto, está em alta. Consegue pelo menos uma aparição do prefeito em inaugurações em diferentes pontos do Rio.

Para entender um pouco melhor os relacionamentos, é bom que se saiba que Cabral fez questão de se mostrar aliado de Lula e atualmente de Dilma, apesar de não esclarecer como fica o desencontro de ideias do governador com a presidente na questão dos royalties dos campos petrolíferos da costa fluminense. Não precisamos de uma cigana para concluir que o que Dilma Rousseff decidir satisfará plenamente o governador.

Nessas águas, Eduardo Paes também é, publicamente, forte aliado e amigo do governador, apesar de também não se bicarem nos bastidores do Poder. Num embate maior, porém, o vereador Adilson Pires, do PT, poderá surgir como vice de Paes. É uma importante carta na manga do atual prefeito no caso de um acordo, uma espécie de “plano b” para garantir candidatura.

Mas, em época de eleição, isso é secundário. O que vale, é o Poder e as aparências, para cada um aparecer bem na foto que vai influenciar as urnas.

Eduardo Paes já é candidatíssimo à reeleição. Contando com o provável apoio do PMDB e do PT, é claro. Para amarelar esta coligação, surge o nome do senador Lindberg Farias, do PT, que se mostra interessado em ser eleito, tendo Prefeitura do Rio como ótimo trampolim para o Governo do Estado, em 2014. Para ele, basta a indicação de seu partido para, de repente, conseguir ter até o PMDB como aliado. Esta é uma disputa silenciosa interessantíssima para ser acompanhada de perto.

Adversários potenciais

Andréa Gouvêa Vieira poderá ter o apoio de Fernando Gabeira

Na corrida para a Prefeitura, um nome que aparece como forte é o da vereadora Andréa Gouvêa Vieira, do PSDB, conhecida como trabalhadora, séria e que nunca desvia de sua conduta, mesmo quando seja para ter apoio de correligionários. Há tempos, vem ‘namorando’ Fernando Gabeira, outro político bem quisto no Rio, atualmente única figura importante do PV. O próprio deputado federal Stepan Nercessian, do PPS e também líder de votos no Rio, tentou uma aproximação com o PV, de olho na Prefeitura carioca. Sem sucesso. Gouvêa Vieira é realmente a queridinha do partido. Na Câmara Municipal, todos sabem que ela foi bastante assediada para passar para os quadros do PV. Ela, como sempre, resistiu e continua entre os tucanos, consciente de que seu partido está se esfacelando.

E no seu partido, a vereadora terá que enfrentar um embate interno: a pretensão do deputado federal Otavio Leite, também postulante à vaga de Prefeito, com apoio de Marcelo Alencar, que ainda apita alto dentro do PSDB do Rio.

Ambos jamais terão o apoio de Cesar Maia, leia-se DEM, que poderá ser candidato a vereador para puxar votos para seu também enfraquecido partido. Maia pretende eleger o deputado federal Rodrigo Maia, seu filho, indicando como vice a deputada estadual Clarissa Garotinho, filha de Rosinha e Anthony Garotinho, do PR. É uma ambição extrema, porque os dois velhos caciques não se suportam, mas, como em política tudo pode acontecer, quem sabe os vejamos em lua de mel nos próximos meses. Ou a deputada também vindo como candidata a prefeita, sempre com o apoio dos pais.

Rodrigo Maia e Clarissa Garotinho

Entre os nomes fortes que começam a surgir, logo na ponta, surge o do deputado estadual Marcelo Freixo, do PSOL, forte na esquerda e conhecido como incansável guerreiro contra as milícias do Rio. Ele foi o responsável por uma CPI para levantar áreas de atuação dos milicianos. Já está, inclusive, jurado de morte. Sua aparição foi tão brilhante no cenário carioca que ele até apareceu no filme Tropa de Elite 2. Assim, com apelo de juventude corajosa, contará com votos de alas progressistas. Tem tudo para garantir um eventual segundo turno das eleições.

Fechando o quadro do atual tabuleiro, aparece, em dança de guerra, o deputado federal Índio da Costa, implantando o PSD de Gilberto Kassab em terras fluminenses. Com ele, o novo partido não terá chance de se aliar ao DEM e nem ao PSDB, pelo menos enquanto Andréa Gouvêa Vieira esteja lá. Apesar de não existir ainda aproximação, o PSD também poderá apoiar Eduardo Paes e começar a aparecer. Índio da Costa está sendo pressionado a vir como vereador, o que lhe parece pouco, depois de ter sido candidato a vice-presidente da República na chapa de José Serra, nas últimas eleições.

Alguns vereadores, secretários dos governos estadual e municipal também procuram lugar ao sol eleitoral. Seus nomes, porém, ainda não ganharam força dentro dos partidos. O que não impede que ascendam meteoricamente.

Com o cenário que está se delineando nos horizontes do Rio, os partidos pequenos terão grande peso nas alianças. Já começam a ser valorizados pelos atuais poderosos. Só têm que se cuidar para não cair em algum escândalo de propina – malfeito, como diria a presidenta Dilma, que, como sempre, volta a ser forte moeda de alianças dentro da Câmara Municipal.

registrado em: