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Política

Romeu Tuma Jr.

'Corinthians usa tática do crime organizado'

O delegado e conselheiro do time, que pede mais transparência nas obras do Itaquerão, diz que Andres Sanchez usa torcida como ameaça
por Matheus Pichonelli publicado 08/10/2011 11:00, última modificação 09/10/2011 10:03
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As críticas em relação à falta de transparência das obras do Itaquerão, o futuro estádio do Corinthians, colocaram o ex-secretário nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior em clima de guerra com a torcida alvinegra. Conselheiro do clube, ele diz temer por sua integridade física após ler uma declaração atribuída ao presidente Andres Sanchez, segundo quem Tuma Júnior terá de “se explicar” para a torcida caso as obras do estádio sejam prejudicadas (ou interrompidas). O delegado, ligado ao grupo rival de Sanchez no Corinthians, tem pressionado o cartola a abrir as contas sobre as obras e divulgar os números na internet. O orçamento do projeto é estimado em 1 bilhão de reais.

De acordo com uma nota publicada no Painel FC, da Folha de S.Paulo, Sanchez está irritando com as críticas de Tuma Jr. – e do também conselheiro Carlos Senger – sobre o Itaquerão. “Ninguém sabe de onde vem o dinheiro”, disse Tuma Jr. a CartaCapital. Diante da pressão, Sanchez chegou a cogitar a possibilidade de parar a obra para que fosse feita uma auditoria, segundo a nota. A ideia seria jogar o conselheiro contra a torcida corintiana.

“Minha preocupação agora é não morrer. A gente que estudou o crime organizado sabe como isso acontece. É a mesma tática”, declarou.

A tática, diz o conselheiro, se resume na seguinte linha de atuação: primeiro, a cooptação de testemunha; depois, a tentativa de desmoralizar a testemunha; a terceira, se nenhuma das duas funcionar, a eliminação da testemunha.

Tuma Jr. classifica a declaração atribuída ao presidente corintiano como uma “ameaça direta”.

Segundo o delegado, a tentativa de cooptação já aconteceu: foi entre 2004 e 2005, quando era deputado estadual e gravou uma conversa com um emissário do clube que ofereceu 1 milhão de reais para que ele não levasse ao conselho corintiano as suspeitas sobre a parceria com a MSI (antiga parceira do clube, com sede em Londres, suspeita de lavar dinheiro no Brasil), do empresário iraniano Kiavash Joorabchian. O emissário chegou a ser detido, embora a identidade não tenha sido revelada.

As acusações deram origem, na época, a um inquérito aberto pela Polícia Federal e o Ministério Público para investigar a atuação de empresários e ex-dirigentes do clube num suposto esquema de evasão de divisas.

“O Corinthians hoje é pior do que na época da MSI ”, afirma Tuma.

A fase da “desmoralização”, segundo o delegado, aconteceu quando ele chefiava a Secretaria Nacional de Justiça. Ele deixou o cargo no ano passado por suspeitas de envolvimento com a máfia chinesa em São Paulo. As suspeitas, diz ele, foram levantadas por pessoas ligadas ao Corinthians que, segundo ele, estariam interessadas em tirá-lo do posto.

“Como eu sobrevivi, agora partem para a ameaça direta”, diz Tuma Jr. “No Corinthians não existe transparência. Ninguém sabe o que está por trás dessas obras, quem está colocando o dinheiro. O mandato dele (Andres Sanchez) vai acabar e a conta vai ficar. Aí ele diz que vai colocar a torcida contra mim”, declarou.

Segundo o ex-deputado, a construção do estádio corintiano pode acabar mal para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, torcedor do time e amigo de Andres Sanchez. Tuma Júnior afirma, sem revelar detalhes, que os dirigentes corintianos têm usado o nome do ex-presidente para firmar acordos com os investidores. “O presidente Lula está se deixando usar por esse grupo. Precisa abrir o olho com esses caras. Em nome dele, estão fazendo muita coisa. Não podem usar o nome dele. A gente não sabe o que está acontecendo. Mas isso pode ainda ficar mal para o Lula.”

Através da assessoria de imprensa do Corinthians, o presidente Andrés Sanchez declarou que toda documentação relativa ao estádio está disponível a todos os conselheiros e que "toda fiscalização interna é salutar para que o processo de construção seja o mais transparente possível". Também diz que não se pronunciou sobre o conselheiro Romeu Tuma e que se alguém o fez, não teve o seu consentimento. Sanchez disse, ainda, que está à disposição de Romeu Tuma Jr. para esclarecer o ocorrido.

*atualizado às 15h50

*colaborou: Fernando Vives

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