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Política

Patrimônio sob suspeita

Empresa de Palocci teve 20 clientes e faturou 20 milhões de reais em 2010

por Redação Carta Capital — publicado 20/05/2011 16h45, última modificação 20/05/2011 18h02
O deputado federal Duarte Nogueira, líder do PSDB na Câmara, começa a recolher assinaturas com colegas para uma CPI contra o chefe da Casa Civil
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O ministro Antonio Palocci, ao tomar posse, em 2 de janeiro, na Casa Civil. Foto: Agência Brasil

A artilharia contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, foi intensificada hoje com a divulgação de detalhes sobre as operações de sua empresa de consultoria, a Projeto, responsável pela engorda do patrimônio do petista nos últimos quatro anos – quando ele exerceu mandato de deputado federal.

A Folha de S.Paulo, que levantou a história sobre a variação patrimonial do ministro, no último domingo, diz agora que a empresa de Palocci faturou 20 milhões de reais em 2010, ano eleitoral. O jornal deu ainda o nome de pelo menos dois clientes da Projeto. Um deles é a WTorre, construtora que tem negócios com fundos de pensão estatais e com a Petrobras. A outra, segundo a colunista Mônica Bergamo, é a Amil, operadora de planos de saúde, que contratou o ministro para dar palestras a clientes e executivos. Outro jornal paulista, O Estado de S.Paulo, destacou, por sua vez, que, na lista de 20 empresas que contrataram a Projeto, estão também bancos, montadoras e indústrias.

O jornal afirma ainda que, para se antecipar, o ministro planejava enviar esclarecimentos ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, autoridade que poderia abrir processo contra o ministro caso entenda que as movimentações devem ser investigadas. No documento, que deve ser enviado nesta sexta-feira, Palocci explica que houve uma concentração de depósitos para a sua empresa entre novembro e dezembro do ano passado, quando a maioria dos serviços estava finalizada e os clientes já sabiam que ele deixaria de prestar consultoria para assumir o governo. Enquanto isso, Palocci tenta evitar que sejam divulgados os nomes das empresas que o contrataram – por contrato, os nomes teriam de ser mantidos sob sigilo.

O jornal, que um dia antes havia noticiado que o Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) alertara a Polícia Federal sobre operações financeiras suspeitas do ministro, foi contestado pelo governo, até aqui unido no discurso em defesa de Palocci. Na quinta-feira 19 o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foi a público negar a informação, o que levou o jornal a dar detalhes, em sua edição de sexta-feira, sobre a própria apuração – segundo a qual uma “fonte do primeiro escalão da equipe econômica” tinha dito que, na verdade, a empresa de Palocci tinha apenas adquirido um imóvel de uma firma investigada pela PF.

A reportagem, no entanto, levou o PPS a apresentar uma nova representação à Procuradoria-Geral da República pedindo investigação dos negócios do ministro da Casa Civil. É a segunda tentativa do partido de pedir investigações sobre a vida financeira de Palocci – a primeira foi negada por Roberto Gurgel, segundo quem não havia indícios que motivassem uma investigação.

Além do Ministério Público, outra frente armada pela oposição contra Palocci é o Congresso, seara em que, até agora, a base governista tem levado a melhor na queda-de-braço ao impedir uma possível convocação do ministro, que, durante a semana, recebeu apoio inclusive de caciques tucanos como José Serra e o senador Aécio Neves.

Ao mesmo tempo, o líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), anunciou nesta sexta-feira, dia em que o Congresso fica esvaziado e os parlamentares retornam às suas bases eleitorais, começou a recolher assinaturas para tentar criar uma comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) para investigar as suspeitas sobre a evolução patrimonial de Palocci.

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