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Começa o segundo tempo do segundo governo Dilma

por Luis Nassif publicado 09/06/2015 16h36
Acompanhe os últimos movimentos do jogo político pela disputa do poder
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma-Rousseff

A presidente Dilma, isolada em seu castelo

O jogo político brasileiro entra no segundo tempo no segundo mandato de Dilma.

No primeiro tempo, houve uma aliança tácita mídia-PSDB-Gilmar Mendes visando o terceiro turno. Dilma não se deu conta, entrou tarde e de forma atabalhoada no jogo, perdeu o protagonismo e criou um vácuo de poder.

Imediatamente o espaço foi ocupado por um exército heterogêneo, formado pelos rebeldes da oposição, por políticos oportunistas comandando hordas de manifestantes profissionais e amadores marchando ao rufar dos tambores da mídia, uma mixórdia que poderia ter saltado daqueles filmes sobre a Legião Estrangeira.

O primeiro tempo termina com Dilma fora do jogo e o campo aparentemente livre para a divisão do butim.

Agora começa o segundo tempo com dissidências nas três frentes de combate.

Na primeira delas, o Congresso, os generais Eduardo Cunha e Renan Calheiros enfrentarão dificuldades cada vez maiores para comandar seus seguidores, porque não se trata de uma tropa regular mas de um apanhado de soldados de todos os calibres, cada qual com interesses específicos.

Na divisão do butim já começa a pancadaria.

Além disso, paira sobre suas cabeças a espada do Procurador Geral da República, no rastro da Operação Lava Jato.

Na segunda frente, as forças da oposição racharam. Há uma disputa intestina e o comandante Aécio Neves não mostrou a menor visão estratégica. Limitou-se a ficar berrando do alto do seu minarete "acabem com o inimigo, acabem com o inimigo". Do lado de baixo, os soldados se irritaram. "O comandante fica berrando de longe". No Estado Maior, os oficiais repararam: "Ele só sabe falar: acabem com o inimigo mas não explica como".

O mago Merlin Henrique Cardoso, preceptor do comandante Aécio, com sua insopitável capacidade de prever o futuro com dois dias de antecedência, deu-se conta que, se caísse a cidadela inimiga, corria-se o risco de ser tomada pelos generais Cunha e Calheiros. Só aí aprendeu que as alianças contra o adversário comum acabam na hora de dividir o bolo.

Ordenou, então, que Aécio recuasse. Do que se valeram o vice-comandante dissidente, José Serra e o comandante Geraldo Alckmin, para tentar desalojá-lo.

Finalmente, a terceira frente, a mídia, começou a cair na real de que já tinha se esgotado aquela história de enaltecer Lobões, Rebeldes Online, estimular o ódio, a intolerância, sem um discurso propositivo sequer. E - pior - com o alvo saindo de cena.

Isolada em seu castelo, a presidente Dilma surpreendeu. Não consta que seja politicamente ladina. Mas ao se retirar do campo de batalha, deixou os adversários esmurrando o vento.

Teria se inspirado na famosa luta de Cassius Clay contra George Foreman, na qual o campeão esperou o adversário gastar as energias durante sete rounds, para então nocauteá-lo. Mesmo porque politicamente a presidente não exibe a mesma musculatura do grande Cassius Clay na luta mencionada.

É sabido que seu guru maior, o ex-marido Carlos Araújo, traçou um retrato bastante completo da situação de momento. Previu o desgaste dos generais Cunha e Calheiros, a substituição do comandante Aécio.

Teria sido essa a razão de Dilma ter aparecido andando de bicicleta, em uma demonstração surpreendente de energia para uma senhora de quase 70 anos?

Pode ser que sim, pode ser que não. Pode ser que pretenda apenas perder por pontos. Pode ser que não.

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