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Política

Reforma ministerial

Chioro, da Saúde, é o terceiro ministro do ABC no governo Dilma

por Camilla Feltrin — publicado 04/02/2014 16h15
Ex-secretario de São Bernardo, que assumiu a pasta ao lado de Alexandre Padilha, se junta aos andreenses Miriam Belchior e Gilberto Carvalho
Roberto Stuckert Filho/PR
Arthur Chioro

O novo ministro da Saúde, Arthur Chioro (o segundo sentado, da direita para a esquerda), é o terceiro nome do ABC no atual governo

“Onde você descobriu esse menino? Eu gostei dele”, questionou a presidenta Dilma Rousseff (PT) ao prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), na inauguração do Hospital das Clínicas José Alencar, na primeira quinzena de dezembro de 2013. Ela buscava um substituto para o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo de São Paulo. O "menino" era o secretario municipal de Saúde, Arthur Chioro.

Dias depois, Marinho informou que havia sido convocado pela presidente para uma reunião em Brasília. Disse, porém, desconhecer qual seria a pauta. “Ela me chamou e vou lá ver o que é”, comentou, no começo de janeiro. O tema do encontro, cogitou-se à época, estava relacionado com a escolha dos 36 caças Gripen NG, da empresa sueca Saab. O governo federal havia anunciado a escolha da fornecedora pelo qual o prefeito petista havia prometido um terreno em São Bernardo para a instalação de uma futura fábrica. Mas a conversa era para informar que o secretário seria convidado para assumir o Ministério da Saúde.

Médico sanitarista com mestrado e doutorado em Saúde Coletiva, Chioro já trabalhou em Brasília nos três primeiros anos do governo Lula, quando o ministério era chefiado por Humberto Costa. Ex-diretor do Departamento de Atenção Especializada, Chioro foi responsável pela coordenação e estruturação do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) em todo Brasil.

A implementação do sistema de emergência na cidade de São Bernardo, no entanto, foi alvo de críticas durante o discurso de desligamento do cargo de secretário na sexta-feira 31. Ele diz ter feito outra placa inaugural, já que a colocada na central de monitoramento em 2008 omitia o nome do ex-presidente Lula por conta da “mesquinharia que imperava nessa cidade”.  A peça lançada pelo ex-prefeito e atual deputado federal Willian Dib (PSDB) citava o próprio nome do tucano e do ministro Temporão.

Junto com a ministra de Orçamento, Planejamento e Gestão, Miriam Belchior, e o secretário-geral da presidência, Gilberto Carvalho, Chioro será o terceiro representante da região do Grande ABC no primeiro escalão do governo Dilma. Belchior e Carvalho atuaram nos governos do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), assassinado em 2002.

Além deles, Lumena Furtado (PT) deve trabalhar como assessora especial em Brasília e já deixou o cargo de secretaria de Mauá. Psicóloga e mestre em Saúde Pública, a petista foi adjunta do futuro ministro na primeira gestão de Marinho e também já trabalhou no ministério, onde era responsável por relações interfederativas. Segundo ela, a função era servir de aporte entre estados, municípios e União. A psicóloga é irmã do advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, com atuação em Brasília.

O médico que "encantou" Dilma já foi secretário também em São Vicente (SP), entre 1993 e 1996. Depois, retomou o trabalho como concursado em Santos até ser convocado por Marinho para composição do secretariado, em 2009. “Por que o Marinho tem que trazer alguém de fora?”, lembrou o ex-vereador, deputado federal e líder da bancada petista Vicentinho sobre o questionamento da militância sãobernardense à época.

Quatro secretários de Saúde do Estado saíram do ABC

A prefeitura de São Bernardo viu a saída de 28 profissionais técnicos da secretaria coordenada por Chioro para outras cidades que elegeram petistas, no começo de 2013. Desses, três viraram secretários.

Além de Lumena em Mauá, o atual titular de Saúde da cidade vizinha Santo André, Homero Nepomuceno Duarte (PT), atuou como diretor do departamento de Atenção Especializada na primeira administração de Marinho (2009-2012). Duarte, no entanto, já teve a função executiva no Paço andreense no governo de João Avamileno (2005-2008). O terceiro secretario exportado com as novas administrações foi o médico Roberto Stivalli, ex-diretor do departamento de Proteção à Saúde e Vigilâncias. Ele assumiu a Saúde da cidade de Leme, no interior do Estado, há um ano.

Ainda na região do Grande ABC, Diadema rendeu um secretário para o prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). O ex-mandatário petista José de Fillipi Júnior é titular da Saúde desde a composição do primeiro escalão de Haddad. Engenheiro, Fillipi assumiu a prefeitura diademense em três ocasiões (1993-1996, 2000-2003, 2005-2008). O ex-diretor do Departamento de Apoio à Gestão do SUS de São Bernardo, Jorge Harada, chegou a ir para São Paulo, mas retornou ao ABC no fim do ano passado.

O ex-prefeito de São Caetano em duas ocasiões, José Auricchio Júnior (PTB) assumiu a pasta de Esportes, Lazer e Juventude do governo do estado em janeiro passado. Médico, o petebista havia sido coordenador regional durante a campanha de reeleição de Geraldo Alckmin (PSDB), em 2010.