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Política

Brasília

Caso Delcídio: para Planalto, senador só incriminou a si mesmo

por André Barrocal publicado 27/11/2015 21h04, última modificação 29/11/2015 01h28
Áudio de conversa e ordem de prisão do senador petista foram dissecados pela cúpula do governo
Jane de Araújo / Agência Senado

A ordem de prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o áudio da conversa dele sobre a possibilidade de silenciar um ex-diretor da Petrobras condenado foram dissecados no Palácio do Planalto. Com base nisso, Dilma Rousseff e seus ministros palacianos concluíram: o parlamentar agiu por interesse próprio e incriminou-se. Mas não chegou a incriminar junto algum outro político.

Essa visão logo será levada a público por algum porta-voz governamental. Antes de manifestar-se, o núcleo do governo entendeu ser preciso primeiro entender o alcance dos fatos relacionados à prisão. Especialmente o áudio da conversa de Delcídio sobre os planos de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, uma gravação a correr a internet.

No aúdio, ouve-se o senador dizendo que, na delação, Cerveró teria afirmado que “Dilma sabia de todos os movimentos de Pasadena”, referência a um assunto que já embalou os sonhos da oposição de depor Dilma do cargo.

Localizada nos Estados Unidos, Pasadena é uma refinaria comprada pela Petrobras em 2006, negócio que mais tarde causaria prejuízo à companhia, embora a unidade dê lucro atualmente.

Na época da compra, Cerveró era diretor da área internacional da Petrobras e Dilma, presidente do Conselho de Administração. Ela foi contra a transação, conforme registrado em ata de reunião do Conselho, pois o diretor omitiu certas condições contratuais.

A menção a Dilma na conversa de Delcídio e nos termos supostamente empregados por Cerveró em sua delação premiada não incrimina a presidenta, segundo avaliações feitas no Planalto.

Uma das preocupações do governo na reação ao caso Delcídio, conta um funcionário do Planalto, é deixar claro que não está por trás das atitudes do senador. Não quer passar a impressão nem mesmo de benevolência. Motivo: evitar que pairem no ar dúvidas sobre o suposto interesse de Dilma de abafar a Operação Lava Jato, hipótese discutida por Delcídio na conversa gravada.

Até esta sexta-feira 27, o Planalto não havia se pronunciado sobre o encarceramento ocorrido dois dias antes do até então líder do governo no Senado. Limitara-se a anunciar a destituição de Delcídio do cargo.

No dia da detenção, a presidenta tinha um evento público programado para o Planalto – receberia a seleção brasileira feminina de handebol -, mas resolveu fechá-lo à participação da imprensa. Uma forma de evitar eventualmente ser questionada por jornalistas a respeito do senador.

Líder da oposição, o PSDB cobra uma manifestação de Dilma, na esperança de ela tropeçar nas palavras ou criar problemas políticos para si. Em nota, o partido aponta uma “covarde tentativa de distanciamento dos fatos” por parte do governo.