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São Paulo

Cantareira: Sabesp define CPI como “teatrinho”

por Redação — publicado 15/10/2014 17h16, última modificação 15/10/2014 17h20
Em conversa com o vereador tucano Andrea Matarazzo antes de seu depoimento à comissão, Dilma Pena fez pouco caso da atuação dos vereadores
Luiz França / CMSP
Dilma Pena

Dilma Pena, presidente da Sabesp, durante depoimento na Câmara municipal de São Paulo, no dia 8

Pode acabar a água, mas o show não pode parar. Não bastasse a insistência da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo em defender a inexistência de racionamento no estado, a marca negativa recorde do nível do Sistema Cantareira, com 4,3% de sua capacidade, uma liminar da Justiça Federal que impede a captação da segunda cota do volume morto e uma ação do Ministério Público crítica aos dados de vazão das represas divulgados pela Sabesp nos últimos meses, até a CPI da crise hídrica, sediada na Câmara dos Vereadores de São Paulo, é alvo de descaso por parte da empresa.

Momentos antes de seu depoimento à CPI, na quarta-feira 8, Dilma Pena, presidenta da Sabesp, definiu a atuação dos vereadores como “teatrinho”, em conversa particular com o vereador Andrea Matarazzo (PSDB). A informação é da Folha de S.Paulo.

Uma gravação feita durante a reunião captou o diálogo entre Pena e Matarazzo. Sentado ao lado da depoente, Matarazzo tentou tranquilizá-la e afirmou que a comissão "não tem a menor consequência". A presidenta da Sabesp completou: "teatrinho". O tucano concordou: "totalmente. Vai por mim, não se impressione. A consequência é zero, nada".

No diálogo, a presidenta da empresa reclamou de um dos integrantes da comissão, o ex-tucano José Police Neto, atualmente no PSD. “Ele é muito sem-vergonha, a gente ajudou ele tanto e jogou os pés no nosso peito”. Matarazzo afirmou que “é assim mesmo”, antes de orientá-la a ter sangue frio. O vereador sugeriu deixar os parlamentares “ficarem gritando à vontade, entra por um lado e sai pelo outro”.

Ao depor novamente nesta quarta-feira 15, Pena se disse constrangida com a repercussão do diálogo. “Estou pessoalmente bastante constrangida. Sempre defendi a ética na política pública e resultados para a sociedade. A conversa que tive, particular e fora do período institucional desta casa com um amigo de longa data, me constrange profundamente. Foi um comentário infeliz.” Por meio de nota, Matarazzo afirmou que tinha como intenção apenas acalmar Pena. Criticado no diálogo, Police Neto disse pretender abrir um processo contra a presidenta da empresa. “Dilma pena sofre de racionamento ético e moral . A CPI fica pequena frente à agressão. Difamação é arma dos que têm baixa reputação.”

Também nesta quarta, Dilma Pena confirmou que a água da primeira parte do volume morto, captado após o esgotamento do Sistema Cantareira, acaba em meados de novembro. Segundo ela, a esperança do governo de São Paulo é que volte a chover a partir do dia 20.