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Mundial 2014

Brasília, a queridinha da Copa

por Fernando Vives — publicado 20/10/2011 15h57, última modificação 06/06/2015 18h15
Capital já teve amistoso da seleção brasileira na qual Ricardo Teixeira é suspeito de usar 'laranja' para organizar amistoso

A Fifa, entidade que controla o futebol no planeta, divulgou nesta quinta-feira 20 o calendário dos jogos que cada cidade-sede da Copa do Mundo 2014 irá receber. O evento, que ocorreu em Zurique, na sede da entidade, foi transmitido no Brasil pela tevê Globo.

Ricardo Teixeira, presidente aparentemente vitalício da CBF e também do Comitê Organizador da Copa, e seu amigo Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, foram os divulgadores. Confirmou-se o que todo mundo já sabia: o estádio do Itaquerão, em São Paulo, fica com a abertura do Mundial e o Maracanã, no Rio de Janeiro, será palco da final. O Brasil, por sinal, só jogará no principal palco do futebol nacional caso chegue à decisão do torneio.

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, mandou uma saudação para a presidenta Dilma Rousseff. Uma ação protocolar que mascara a relação conturbada entre a confederação e o governo brasileiro por conta da Lei Geral da Copa.

Burocracias à parte, o fato que mais chamou a atenção foi Brasília, cidade periférica no futebol brasileiro, sediar o maior número de partidas do Mundial junto com o Rio de Janeiro: sete, no total.  Entre elas, a decisão de terceiro e quarto lugares do Mundial.

A capital federal foi palco de um escândalo recente envolvendo Ricardo Teixeira através de um amistoso disputado entre Brasil e Portugal no estádio do Gama, em Brasília, em 2008, que pode ter sido amistoso demais para o cartola. Ele é suspeito de ter embolsado 9 milhões de reais de dinheiro público que teria como destino a organização do jogo.

O contexto: Ricardo Teixeira tem ligações com Vanessa Almeida Preste, acionista da empresa Ailanto Marketing, que, sem qualquer tipo de experiência em organização esportiva, foi nomeada para promover o amistoso da seleção contra Portugal. O Distrito Federal, então governado pelo demista José Roberto Arruda, pagou 9 milhões de reais para a organização do jogo, o que chegou a ser classificado como "aberração" pelo Ministério Público.

O assunto segue um tanto esquecido. Deve voltar à tona nos próximos meses por conta do espaço que Brasília terá no Mundial brasileiro.

Nenhum estádio problemático na tela da Globo

A construção das arenas para a Copa do Mundo 2014 vai muito bem, obrigado. Ao menos este foi o diagnóstico da Rede Globo durante a transmissão do evento da Fifa em que foi divulgado o calendário.

A transmissão, capitaneada por Tiago Leiffert e apoiada por comentários de um inusitadamente calmo Galvão Bueno, mostrou um infográfico que mostrava o mapa do Brasil apontando as cidades-sedes do Mundial, e uma legenda estilo semáforo para dizer quem está com obras adiantadas ou não. Quem está bem ganhava uma bolinha verde; quem está mais ou menos, amarela; quem está mal, bolinha vermelha.

A questão é que ninguém ganhou bolinha vermelha no info-semáforo da Globo: Cuiabá e Recife, apenas, tiveram uma bolinha amarela cada. Até o Itaquerão, que teve as obras iniciadas há pouco tempo, já foi considerado "verde" no destaque. Nenhuma menção negativa a Porto Alegre, por exemplo, que está com as obras do estádio Beira-Rio paradas e sem data para recomeçar, ou a Manaus, cujo elefante-branco está sendo construídos a passos de tartaruga.

No encerramento da transmissão, Ronaldo Fenômeno, que virou garoto-propaganda extra-oficial do Itaquerão, comemorou a abertura no estádio do Corinthians. Na tela da maior tevê do País, a Copa do Mundo 2014 parece não dever nada para a organização da Copa da Alemanha 2006, talvez a maior referência dos mundiais até hoje.

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